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Polícia venezuelana revista casa de presidente de TV da oposição


Agentes da inteligência venezuelana revistaram os escritórios do presidente da Globovisión, um importante canal de TV noticioso contrário às políticas do presidente Hugo Chávez. A revista policial marca "um agressivo movimento ... na ameaça de Chávez deste mês de punir um dos seus críticos mais vorazes na mídia", escreve Simon Romero para o New York Times. (Leia reportagem em português da agência AFP.)

Depois de uma dica anônima, as autoridades revistaram a propriedade pertencente ao presidente da Globovisión Guillermo Zuloaga e encontraram 24 carros da Toyota, informa a Associated Press (AP), citando um chefe da polícia.

A AP acrescenta que Zuloaga disse não ter "nada a esconder" e explicou que os carros estavam estacionados na sua casa por questão de segurança pois uma concessionária de veículos da qual é dono tem sido roubada, sugerindo que a invasão policial era uma tentativa de intimidá-lo. "Não sei se eles estão tentando encontrar algo para tentar me calar. Eles não vão nos calar", disse Zuloaga a repórteres da Globovisión, segundo a AP.

A Globovisión não conseguiu transmitir as reportagens da revista policial imediatamente. Conforme as notícias sobre o assunto se espalhavam, Chávez tomou controle dos sinais das emissoras de TV privadas, incluindo o da Globovisión, para transmitir a nacionalização de diversas empresas pequenas de ferro e aço, no intuito de criar um grande "complexo industrial" socialista e estatal, conta outra nota da AFP.

A lei venezuelana proíbe qualquer canal de TV de interromper Chávez quando ele está discursando na chamada "cadena", ou cadeia, explica o Miami Herald.

A revista policial segue as ameaças de Chávez desta semana de fechar a emissora, que enfrenta várias investigações por parte do governo. Chávez constantemente acusa a Globovisión de "terrorismo midiático".

Apesar de a Venezuela não ter fechado nenhum meio de comunicação durante a década em que Chávez está no poder, em maio de 2007 o presidente se negou a renovar a concessão de outro canal opositor, o RCTV, diz o Washington Post.