JORNALISMO NAS AMERICAS

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"Alô, eu poderia falar com um pirata, por favor?” (Anotações de um repórter)


O sequestro de um capitão americano na costa da Somália colocou o tema da pirataria marítima no topo da agenda noticiosa mundial. Mas a cobertura dos “sequestros em alto mar” – através de texto, e-mail e telefone via satélite – é uma tarefa quase cotidiana para jornalistas locais e correspondentes estrangeiros no leste da África, informa a Reuters.

O resgate do capitão americano Richard Phillips foi um trabalho de “24 horas, que exigiu decisões morais e jornalismo sagaz”, escreve Andrew Cawthorme, da Reuters. No começo do incidente, os jornalistas da Reuters na Somália puderam contactar os sequestradores de Phillips no bote salva-vidas em que se encontravam. Os piratas emitiram mensagens desafiadoras, mas uma vez informados de que os seus cometários eram notícia em todo o mundo, o grupo tornou-se menos cooperativo. “Estamos cansados das suas chamadas. Não temos tempo para jornalistas”, disseram.

Cawthorne conta que os piratas podem ser amigávies e prestativos, mas odeiam a palavra “pirata”. Eles preferem ser chamados de “marinhas” ou “guardas costeiros”. O jornalista da Reuters conclui a sua reportagem com uma pergunta: “Estão os jornalistas fomentando a criminaldade quando falam com os grupos (de piratas) ou estão acrescentando à necessária compreensão do fenômeno?”.

Aqui vai um bom recurso sobre a cobertura da pirataria. Em 2006, o programa de mídia na Ásia, da Fundação Konrad Adenauer, organizou o workshop “Cobertura da Pirataria Marítima no Sudeste Asiático” e publicou um livro que pode ser baixado em formato PDF aqui.


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