JORNALISMO NAS AMERICAS

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Uma revolução contra a imprensa (Comentário de Paul Alonso)


Chávez e Correa querem criar um órgão que defenda seus governos dos "abusos da imprensa corrupta", aquela que consideram "um instrumento da oligarquia". Segundo eles, esta imprensa é o principal "inimigo da mudança, de seu modelo socialista". Neste último, acredito que tenham razão.

A imprensa conservadora (e a que não é) de seus países é contra sua “revolução socialista”, tanto quanto seria contra qualquer revolução, e tanto quanto eles são contra uma imprensa crítica, que questiona seu poder autoritário e populista.

Eles não precisam criar nenhuma instância na Unasur. Já demonstraram claramente que não estão dispostos a permitir críticas por parte dos meios de comunicação. Sem dúvida, o caso de Chávez é o mais explícito: há exatos dois anos, a emissora da oposição RCTV foi tirada do ar, sem contar com as crescentes pressões sobre a Globovisión e o constante discurso violento contra a mídia. Ele se solidariza com a presidente argentina Cristina Kirchner quando ela ataca a imprensa crítica, e levou Morales a uma atitude semelhante. Por sua vez, Correa também qualificou a imprensa da região de corrupta e assumiu o controle de meios de comunicação no Equador.

Agora, isto não quer dizer que toda a imprensa deva ser vista como o mártir da liberdade de expressão. Para qualquer um que siga a linha editorial dos meios de comunicação mais poderosos de um país, ficará claro que eles também são guiados por interesses e afinidades dos donos, daqueles que investem o dinheiro. E por aí vai a mesma história de sempre: quando os interesses de um meio de comunicação estão de acordo com os do governo, temos uma linha oficial; quando se opõem, temos meios de comunicação críticos e ataques à liberdade de expressão.

Devemos tomar partido? Devemos ficar do lado da imprensa conservadora ou a favor do autoritarismo da consumida "revolução socialista"? Pois eu acho que o mundo não é branco ou preto. E o jornalista —o que vive entre o limitado salário de um meio de comunicação privado e a repressão dos poderosos— deve encontrar nas diferentes tonalidades um espaço para fazer um jornalismo justo. Não é fácil e às vezes amarra o estômago. Em todo o caso, minha intenção aqui foi lembrar (em homenagem aos 10 anos do 'Alô, Presidente' e à semana em que a Venezuela dominou as notícias) que detestar justificadamente Chávez e seus colegas não significa aceitar como sagrado tudo o que a eles se opõe. Esta lucidez é especialmente necessária na hora de contar a história.


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