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Escândalo das escutas telefônicas repercute nos EUA



O escândalo que afeta a gigante de mídia News Corp., dirigida pelo magnata Rupert Murdoch, passou de um incidente de supostos grampos telefônicos do tablóide britânico News of the World a um escândalo de suborno que levou a múltiplas prisões e renúncias e envolveu o primeiro-ministro britânico e seu governo. A mais nova revelação do caso é que os funcionários da News Corp, para encobrir os grampos, podem ter subornado a polícia de Londres em um departamento onde 10 dos 45 assessores de imprensa costumavam trabalhar para a empresa de Murdoch, explicam The Associated Press e The Washington Post .

De acordo com a Business Insider, Murdoch negou em seu depoimento de hoje, 19 de julho, para o parlamento britânico qualquer conhecimento a respeito das práticas ilegais ou das ações judiciais propostas em razão dos grampos.

Sean Hoare, ex-repórter do News of The World e o primeiro a avisar as autoridades sobre as escutas telefônicas e os subornos praticados pelo jornal, foi encontrado morto no dia 18 de julho, o que não está sendo considerado pela polícia como um caso de homicídio, segundo o jornal The Guardian.

Embora o impacto das revelações tenha se concentrado nos negócios da News Corp no Reino Unido, o fato da empresa ser dona de vários veículos nos Estados Unidos – incluindo o jornal The Wall Street Journal (WSJ), a emissora Fox e o serviço de informação financeira Dow Jones– levou a várias críticas por parte de funcionários do governo e comentaristas de mídia no país sobre a conduta da corporação .

A pedido de vários membros do Congresso americano, o FBI começou a investigar se os repórteres da News Corp grampearam mensagens de voz das vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, informa o Los Angeles Times. Além disso, de acordo com o Guardian, o Departamento de Justiça está trabalhando com funcionários antifraude do Reino Unido para determinar se a News Corp violou as leis americanas que proíbem pagamento de suborno no exterior. Entre as principais figuras afetadas por estas revelações está o diretor executivo do Dow Jones e do Wall Street Journal Les Hinton, que não assumiu qualquer responsabilidade pelos abusos éticos e criminais que possam ter ocorrido - segundo ele, sem seu conhecimento - durante sua gestão como supervisor do News of the World, explicou a ABC.

É possível que haja também maiores impactos em termos de regulação. A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) revisará suas normas sobre propriedade de mídia no próximo ano. Segundo o Washington Post, há quem acredite que a concessão televisiva à Fox (que inclui mais de 20 estações de televisão aberta) possa ser revogada se News Corp. tiver violado alguma lei.

Os críticos também acreditam que os problemas no grupo de Murdoch podem repercutir no canal de notícias a cabo Fox News e no Wall Street Journal pela reduzida cobertura que deram ao escândalo. No entanto, os veículos que concorrem com a News Corp. também estão sob escrutínio por cobrir os eventos com zelo excessivo.

As informações sobre o escândalo continuam a se desenrolar, mas a Associated Press noticia que o caso poderia por fim ao reinado de Rupert Murdoch e impedir seus esforços de nomear seu filho James como seu sucessor. Críticos como Robert Niles, do Online Journalism Review, e Roy Greenslade, do The Guardian (jornal concorrente do News Corp. e que denunciou o escândalo), encaram isso como algo positivo, já que o modelo promovido por Murdoch é contrário à “ética do jornalismo responsável” ao dar prioridade a notícias de baixa qualidade.



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