Novo vazamento de dados pelo Wikileaks gera dúvida sobre publicação de documentos secretos
O polêmico site de denúncias Wikileaks divulgou outra grande série de documentos classificados, desta vez cerca de 250 mil correspondências secretas do serviço diplomático americano. O vazamento segue a publicação de informações militares sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque.
Além de gerar uma ofensiva contra o vazamento de informações classificadas nos Estados Unidos e diversos pedidos para processar o Wikileaks e classificar o site como "organização terrorista internacional", a mais recente liberação massiva de dados também instigou questionamentos sobre o que a prática significa para o futuro do jornalismo.
“A pergunta comercial é se a montanha de papel-jornal dedicada às revelações do Wikileaks realmente vai promover um aumento sustentável da circulação dos cinco jornais que tiveram acesso privilegiado ao material: o americano New York Times, o britânico The Guardian, o francês Le Monde, o espanhol El País e o alemão Der Spiegel", publicou a revista The Economist. "Tristemente para a imprensa escrita (...) qualquer aumento nas vendas será temporário. A tendência, especialmente entre os jovens, é que as notícias sejam entregues pela tela do computador e dos telefones inteligentes, e não pelos meios de comunicação impressos."
O Wall Street Journal discutiu se os jornais deveriam ou não imprimir as informações classificadas. “O tema de fundo é se a publicação do Wikileaks, com sua ampliação pelos meios de comunicação tradicionais, promoverá o interesse público e a Primeira Emenda (da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão) ou será uma ameaça a sua própria existência. Os próximos dias revelarão muito a esse respeito", disse Anthony E. Varona, professor e decano associado da Faculdade de Direito da Universidade Americana, ao Wall Street Journal.
O New York Times publicou respostas a uma série de perguntas dos leitores sobre por que os jornais estão publicando as informações do Wikileaks. Além de contribuir “para a nossa compreensão de como a política externa americana é feita, se está funcionando bem ou não, que tipo de reações temos com nossos aliados e adversários", a decisão de publicar uma série baseada nos documentos liberados é parte do que significa ter uma imprensa livre em uma democracia, disse o New York Times. “A alternativa é dar ao governo um poder de veto sobre o que os cidadãos podem saber. Qualquer pessoa que tenha trabalhado em países onde o governo controla a dieta de notícias pode simpatizar com a tão citada frase de Thomas Jefferson de que ele preferiria ter "uma imprensa sem governo que um governo sem imprensa".
À luz de um memorando do Escritório de Administração e Orçamento americano instruindo as agências governamentais que revisem o gerenciamento de informações classificadas, o correspondente Ari Shapiro, da National Public Radio (NPR), a rádio pública americana, afirmou que embora o intercâmbio de informações entre os departamentos de governo tenha aumentado depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, o Wikileaks poderia gerar um efeito contrário, fazendo com que "as pessoas só tenham acesso à informação classificada necessária pra fazer seus trabalhos."
Em entrevista à CNN em Espanhol, Javier Moreno, diretor do jornal espanhol El País, disse que embora a decisão de publicar a informação do Wikileaks não tenha sido muito difícil, o que houve foi um grande esforço para proteger as fontes. O jornal também afirmou que publicará somente os documentos que, em sua opinião, não representem ameaças à segurança de cidadãos e países.
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» Editorsweblog.org (em inglês) (Jornalismo de dados: qual o seu papel?)
» El País (Especial sobre documentos secretos)
» TalCualDigital (O ventilador do WikiLeaks)
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