VÍDEO: Para fotógrafo equatoriano, histórias antes ignoradas são contadas por meios de imagens na era digital
O fotógrafo equatoriano Pablo Corral Vega recentemente parafraseou o romance de Charles Dickens “Um conto de duas cidades” ao comentar o impacto da revolução digital na fotografia.
“Este é o melhor dos tempos para a fotografia e o pior dos tempos para os fotógrafos", disse Corral, referindo-se à primeira linha da aclamada obra de Dickens sobre Paris e Londres nos anos que precederam a Revolução Francesa: “Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos...”.
Corral explicou a um grupo de estudantes da Universidade do Texas em Austin, em 28 de abril de 2011, que, provavelmente, há de cerca de 5 bilhões de celulares com câmara em uso hoje em dia - uma quantidade enorme de ferramentas digitais que produzem imagens de alta qualidade. “Todo mundo está tirando fotos”, afirmou. “Estamos acompanhando uma democratização radical da fotografia”.
O fotógrafo também comparou o surgimento da internet à invenção da imprensa moderna no século XV. Os monges que podiam ler e escrever não queriam compartilhar esse poder comunicativo com as massas quando a imprensa começou a se propagar. O mesmo acontece com os fotógrafos, que relutam em dividir os segredos da boa foto, disse Corral, fundador da nuestramirada.org, maior rede de fotojornalistas da região. No entanto, a revolução digital facilitou a produção de fotos com, iluminação e balanço de cores corretos.
A vantagem disso, dijo Corral, é que, hoje, uma quantidade enorme de fotografias circula pelo mundo, contando histórias antes ignoradas. “As imagens são uma linguagem, uma maneira de descrever a realidade”, assegurou.
“A fotografia é uma forma de falar de nossas próprias vidas”, acrescentou Corral. Com grande entusiasmo, o equatoriano também mostrou a estudantes da Universidade do Texas em Austin fotos tiradas ao longo de cinco anos nos Andes, de gente que vive, trabalha e se aventura nas montanhas e vales da cordilheira. O trabalho de Corral foi publicado na revista National Geographic. Além disso, o escritor Mario Vargas Llosa produziu 20 contos para um livro da National Geographic baseado nas imagens do fotojornalista.
Bolsista Nieman na Universidade de Harvard em 2011, Corral também tem aulas no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) com um grupo chamado Camera Culture, cujo objetivo é buscar novas formas de capturar e compartilhar imagens. Para Corral, o surgimento de câmaras que se ajustem aos olhos de uma pessoa, como lentes de contato, sejam do tamanho de um alfinete de lapela ou tenham 12 ou 16 lentes minúsculas, em vez de uma só, é uma questão de tempo.
“A fotografia estará em toda parte”, apostou.
A apresentação de Corral foi organizada pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin e pela Fundação Nieman da Universidade de Harvard. A bolsa Nieman 2011 de Pablo Corral é patrocinada pela John S. and James L. Knight Foundation.
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