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NOTICIAS DO CENTRO KNIGHT

Startups de jornalismo digital compartilharam experiências no Colóquio Ibero-americano


Veja os vídeos da sessão de startups no site da SembraMedia: http://sembramedia.org/curso/coloquio/

Novos meios nativos digitais proliferam por toda América Latina. Eles têm sido criados por jornalistas que se transformaram em empreendedores, impulsionados por uma necessidade – opressão dos governos, crise nos meios tradicionais, algum tipo de censura – ou porque sentiam um impulso por inovar na internet.

Alguns desses jornalistas empreendedores da região se apresentaram durante o segundo painel do  9º Colóquio Iberoamericano de Jornalismo Digital, organizado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e que teve presença de quase 100 jornalistas da região.

Janine Warner, fundadora e diretora executiva da SembraMedia. Foto: Mary Kang/Centro Knight.

Oito das iniciativas apresentadas fazem parte da nova organização sem fins lucrativos SembraMedia, que busca criar uma comunidade de jornalistas digitais da América Latina e Espanha que se apoiem no processo de se tornar sustentáveis.

Janine Warner, fundadora e diretora executiva, começou expressando sua satisfação por apresentar o projeto no mesmo lugar “em que ele nasceu”, fazendo referência ao MOOC  ‘Desenvolvimento de projetos jornalísticos para a web: introdução ao jornalismo empreendedor’, oferecido pelo Centro Knight em 2013 e do qual Warner foi instrutora.

Warner lembrou como “roubou” a frase ‘just do it’ durante o MOOC para estimular vários jornalistas presentes no Colóquio a converterem em realidade suas ideias. Muitos desses projetos hoje fazem parte do SembraMedia, que nasceu em outubro de 2015, e que tem 200 meios registrados em seu diretório, explicou.

Apesar de ainda ter várias ideias e projetos por realizar no SembraMedia, ela assinalou que o tema da sustentabilidade é um dos mais importantes, levando em conta que é uma das preocupações mais comuns entre os empreendedores.

Na verdade, já há o primeiro caso de estudo bem sucedido: o Chequeado, da Argentina, ao qual Warner descreveu como um dos “melhores do mundo”.

A diretora do Chequeado, Laura Zommer, foi a primeira expositora deste segundo painel, moderado por Mijal Iastrebner, diretora regional do SembraMedia. Iabstrener começou destacando como a presença de mulheres tem sido mais notória nas startups midiáticas da região.

Zommer compartilhou a experiência do Chequeado, organização fundada em 2009, online desde 2010. “Foi la primeira organização a fazer verificação de dados, o fact checking, na América Latina”, disse Zommer.

Ela explicou que um de seus principais atributos é a diversificação de fontes de renda, que “garantem autonomia e independência editorial”. O principal objetivo de Zommer com o Chequeado é “aumentar o custo da mentira.”

Zommer contou como a organização cresceu até ter hoje um grupo de 11 pessoas - sendo que começou com três jornalistas. Um dos projetos mais importantes foi sobre as eleições presidenciais, no qual foram usadas diferentes ferramentas, como crowdchecking (comunidade que colaborou na verificação de dados), checados ao vivo e especiais sobre candidatos.

A política também tem um papel importante quando se trata de criar meios no Equador e na Venezuela. Cansadas de não ver informação sobre determinados temas, três das mulheres presentes neste painel explicaram a razão e funcionamento de seus meios.

Isabela Ponce, editora e fundadora do GkillCity.com do Ecuador, explicou que a extrema polarização dos meios em seu país impossibilitava a cobertura de certos temas. Em 2011, ela e um grupo de jornalistas criaram um site de notícias que permitia o debate e a informação sem o tom de polarização.

Por esse motivo, o portal têm um enfoque especial em temas polêmicos que necessitam de um debate aberto como o casamento igualitário, o aborto ou a legalização das drogas.

Por ser um grupo pequeno, tem funcionado como semanário, apesar de ser um meio digital. O objetivo, explicou Ponce, é oferecer conteúdo de mais qualidade e não tanta quantidade. Uma aposta arriscada, mas que tem funcionado para eles.

Já Luz Mely Reyes, cofundadora e diretora geral do Efecto Cocuyo, explicou como ela e Laura Weffer decidiram apostar em um meio digital depois de toda uma carreira nos meios tradicionais.

Luz Mely Reyes de Efecto Cocuyo. Foto: Mary Kang/ Centro Knight.

Segundo Reyes, seu objetivo era poder “iluminar” os venezuelanos e o jornalismo em meio al bloqueio de informação que vive o país. E o fizeram por este meio que foca na política, economia e direitos humanos.

Deram início graças a uma campanha de crowdfunding, e têm conseguido se posicionar como um dos meios emergentes mais confiáveis do país, segundo disse Reyes. As redes sociais têm sido boas aliadas. Segundo Reyes, o Efecto Cocuyo usa o Whatsapp para informar seus seguidores.

No entanto, Reyes sabe que ainda há desafios por enfrentar, que incluem o ambiente hostil contra a liberdade de expressão na Venezuela, assim como sua sustentabilidade.

Mesmo não vindo de um ramo jornalístico, Nilsa Vargas, fundadora do Diario El Vistazo, tornou seu veículo um elemento fundamental para a comunidade de El Tigre, no estado de Anzoátegui (Venezuela), por ser o único meio que transmite em tempo real o que ali acontece.

Segundo Vargas, ao ver que não existia nenhum meio digital, viu a possibilidade de cria-lo, mas depois se converteu em “uma prioridade nacional”. Para os próximos anos, ela tem por objetivo aumentar sua equipe de trabalho, para permitir ao meio cobrir mais temas, como esportes e cultura, assim como para fazer investigações e eventos offline com a comunidade para conseguir uma maior proximidade.

Esse é um tema que Martín Rodríguez Pellecer, diretor e fundador da Nómada na Guatemala, sabe com perfeição. O veículo teve inspiração no Colóquio de 2014. De acordo com Rodríguez, um dos aspectos que permitiram a consolidação do medo com a comunidade nesses 20 meses tem sido as atividades offline, que vão desde conversas explicativas até festas.

Seu objetivo é entregar conteúdo de qualidade em um formato que chame a atenção para atingir sua audiência, especialmente os jovens. Para se sustentar, eles têm recorrido a diferentes estratégias, como crowdfunding, doações de outras organizações, assim como a venda de produtos comerciais.

O jornalismo investigativo não poderia faltar nesses novos meios. Com dois anos, Ojo Público do Perú se converteu em um dos sites de jornalismo investigativo de maior destaque na região. Fabiola Torres López, editora e fundadora do meio, explicou que eles também se tornaram um “pequeno laboratório de inovação para o jornalismo investigativo na América Latina” ao tentar mostrar seu conteúdo em diferentes formatos, plataformas, visualizações, etc.

Um dos projetos expostos foi o Cuidados Intensivos, a primeira plataforma na América Latina dedicada a fazer uma “análise massiva de dados” sobre a indústria privada da medicina.

Mauricio Jaramillo, do Hangouts de Periodismo, da Colombia, explicou como sua ideia começou quando ele sentiu que estava “oxidando” no jornalismo. Após uma experiência na comunicação do Google, ele percebeu que os jornalistas tinham necessidade de aprender sobre muitas ferramentas, mas que precisavam especialmente de “inspiração” para avançar no jornalismo.

Aproveitando a ferramenta do Google, Hangout, fez conversas em mais de 76 hangouts com a presença de 220 jornalistas da Iberoamérica. Alguns têm sido utilizados em universidades e em outros meios e têm replicado suas atividades.

Esses novos meios geram uma necessidade de análise e agrupamento. Jordy Meléndez Yúdico, confundador da Factual e coordenador do Distintas Latitudes, do México, explicou que, nesse último projeto, o importante é que os meios se fortaleçam mutuamente.

“Havia uma necessidade de que os meios nativos digitais latinoamericanos se conhecessem e discutissem entre eles”, explicou Meléndez. Nesse sentido, não só conseguiram fortalecer uma rede de jornalistas, mas também avançaram na realização de projetos de jornalismo de dados em nível regional.

De outro continente, a espanhola Marga Cabrera apresentou seu projeto Observatorio de Nuevos Medios em espanhol, pelo qual busca analisar e investigar como são esses novos meios criados. Com a pesquisa se pretende não só ter um censo atualizado com geolocalização, mas também entender suas características e identificar casos de êxitos. 

O 10º Colóquio Iberoamericano de Jornalismo Digital está programado para 23 de abril de 2017. 

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