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ISOJ 2017: Editores de cinco grandes jornais metropolitanos dos EUA vão debater transição para o digital-first


Quando um atirador abriu fogo durante um protesto em Dallas, em 7 de julho, a redação do jornal americano The Dallas Morning News enfrentou o seu primeiro teste com o digital-first, ou seja, a necessidade de publicar as notícias na sua plataforma digital antes de saírem no impresso.

Mike Wilson, editor do The Dallas Morning News (Evans Caglage/The Dallas Morning News)

Com a recente criação de uma equipe digital de notícias urgentes, uma equipe de audiência pronta para usar o Facebook live no local e fotojornalistas treinados para fazer vídeos, o editor Mike Wilson disse que as recentes mudanças no jornal prepararam todos para cobrir a tragédia.

"Nós tínhamos que estar preparados para ser a melhor fonte de informação do mundo", disse Wilson ao Centro Knight. "Acabou que nós realmente estávamos prontos para fazer isso, então o nosso planejamento deu resultado quando nós mais precisamos".

Wilson vai falar sobre as mudanças implementadas no The Dallas Morning News e sobre uma tendência mais ampla de redações do tipo digital-first em jornais metropolitanos do país em 22 de abril, como moderador e palestrante do painel principal do International Symposium on Online Journalism (ISOJ) de 2017.

Ele estará acompanhado de cinco editores de grandes jornais metropolitanos dos EUA, incluindo Nancy Barnes, editora e vice-presidente executiva do Houston Chronicle; Aminda Marqués Gonzalez, editora executiva e vice-presidente do Miami Herald; Stan Wischnowski, editor-executivo e vice-presidente sênior do Philadelphia Media Network; e Kathleen Kingsbury, chefe editorial da plataforma digital do Boston Globe.

Mindy Marques, editora-executiva do Miami Herald (Divulgação)

O painel vai analisar como os grandes jornais de cidades dos EUA estão adaptando as suas redações para priorizar o digital em detrimento do impresso, como uma forma de se adequar aos novos hábitos de consumo de notícias.

Depois da publicação digital FiveThirtyEight, Wilson chegou ao The Dallas Morning News em 2015 e começou os planos para transformar o jornal, mapeando as suas capacidades como uma redação digital. O projeto levou um verão inteiro e gerou um relatório de 150 páginas com sugestões de mudanças.

“Nós embarcamos em um projeto para avaliar a forma que nós fazíamos reportagens e ver quais eram as nossas capacidades como jornalistas. Nós precisávamos ser uma redação digital que também fizesse um jornal impresso, não um jornal que por acaso tinha um site,” explicou Wilson.

Na época do tiroteio contra a polícia, as adaptações já tinham ocorrido, e Wilson disse que a resposta da comunidade prova que as mudanças foram um sucesso.

“A comunidade realmente recorreu ao The Dallas Morning News durante o tiroteio com a polícia, porque estava claro que nós éramos a fonte mais completa de informação,” disse Wilson. “Nós fizemos o que qualquer jornal metropolitano deveria fazer no meio de uma grande crise.”

A transição trouxe desafios, já que Wilson disse que era necessário registrar deficiências da cobertura que acompanharam a priorização do impresso.

Katie Kingsbury, chefe editorial digital do The Boston Globe (Suzanne Kreiter\ The Globe)

“Se o consumidor de notícias quer saber o que está acontecendo agora, e você está pensando sobre o que vai estar na primeira página amanhã, então você não está indo ao encontro do seu leitor”, disse Wilson. “Este tem sido o nosso lema. Encontre os leitores onde eles estão."

Assim como o The Dallas Morning News, as capacidades digitais do Miami Herald também foram testadas no ano passado quando uma das maiores notícias do século aconteceu: a morte de Fidel Castro.

Mindy Marques, diretora-executiva, disse ao Poynter que o "Plano Cuba" do jornal tinha sido "muito focado no impresso" em algum momento dos anos de planejamento do jornal para a morte do líder. No entanto, Poynter afirma que assim que a notícia despontou em novembro, o site do jornal "foi inundado de histórias sobre o ditador cubano."

Katie Kingsbury, editora-chefe do site do The Boston Globe, acredita que a melhoria do conteúdo digital não pode ocorrer às custas dos leitores do impresso.

“Na verdade nós não priorizamos o conteúdo online”, disse Kingsbury ao Centro Knight. “O que nós fizemos é priorizar o conteúdo, ponto. Ser uma redação digital significa não tratar nenhuma plataforma como mais ou menos importante do que outra."

Kingsbury, que ao contrário de outros membros do painel é responsável direta pela equipe digital como editora-chefe, vai poder transmitir uma visão única desta transição digital.

Nancy Barnes, editora e vice-presidente executiva do Houston Chronicle. (Divulgação)

"O que fizemos foi criar uma redação mais centrada na história, mais centrada na audiência", disse Kingsbury. "O benefício é que nós estamos voltando para as nossas raízes e podemos concentrar nossas energias nas próprias histórias. Então, como escutamos a nossa audiência, podemos ter um ciclo de feedback imediato que nos permite focar o nosso jornalismo onde sabemos que terá o maior impacto".

Para redações que ainda não fizeram a transição, Wilson disse que o maior desafio é "superar a forma como sempre foram feitas as coisas".

"A idea foi acolhida porque as pessoas entenderam que o impresso não será o futuro do The Dallas Morning News dentro de 20 anos, ou talvez dentro de 10 anos", dijo Wilson. "Assim, se todos queremos ter carreiras voltadas para servir informação ao público, é melhor entregar isso nos smartphones das pessoas".

Além de Wilson, Marqués e Kingsbury, os participantes do ISOJ também vão ouvir Nancy Barnes do Houston Chronicle e Stan Wischnowski do Philadelphia Media Network.

Em 2013, Barnes entrou para o Chronicle, que tem uma audiência digital de 134 milhões de visitas em sua página, segundo uma publicação do Texas Monthly de agosto de 2016. O Chronicle está passando por uma transformação que, segundo Barnes, prevê tornar o jornal mais rápido no digital.

Como editor-executivo do Philadelphia Media Network (PMN), Wischnowski liderou a reestruturação do veículo, o que significou todo um trabalho de transição digital. Em 2015, o PMN e outras três empresas metropolitanas de notícias, como o The Dallas Morning News e o Miami Herald, participaram do projeto do Knight-Temple Table Stakes para a transformação digital das notícias. Recentemente foi anunciado que o programa será ampliado graças à doação de $ 4.8 milhões de dólares da Fundação Knight e do Instituto Lenfest para o Jornalismo, com o objetivo de melhorar essas transformações online. O PMN continuará participando, mas será acompanhado do Houston Chronicle e outras organizações de notícias.

"A nossa mudança digital foi mais complicada que a da maioria porque combinamos três redações em uma única, logo depois de um corte significativo há 15 meses. Tomamos a decisão de que o melhor caminho a seguir seria combinar os pontos fortes do Inquirer, Daily News e Philly.com. A nossa colaboração mais próxima com Dallas, Minneapolis e Miami nos ajudou muito a identificar e cobrir buracos existentes adaptando as melhores práticas", disse Wischnowski ao Centro Knight.

"Começamos a aumentar o nível das nossas habilidades digitais, fizemos mudanças necessárias no fluxo de trabalho, incorporamos mais análises no nosso processo de tomada de decisão e mudamos até certo ponto a cultura geral da redação, para que nós sejamos mais orientados pela audiência e focados no digital. Ainda que a gente tenha avançado muito, ainda há muito trabalho para fazer. Nós ainda não somos tão dinâmicos e não pensamos tanto de forma digital como nós precisamos pensar, mas nós sentimos que estamos no caminho certo".

Stan Wischnowski, diretor-executivo e vice-presidente sênior do Philadelphia Media Network (Divulgação)

O 18º International Symposium on Online Journalism (ISOJ) será realizado em Austin nos dias 21 e 22 de abril. As inscrições estão abertas, e as vagas são preenchidas rapidamente, por isso se inscreva agora.

Jornalistas, executivos de meios de comunicação e acadêmicos do mundo todo participam da conferência. O programa completo já está disponível para consulta.

No novo site, isoj.org, você pode encontrar mais informações sobre inscrições e alojamento para participar do ISOJ. Também pode navegar no nosso site para encontrar vídeos, transcrições, slides, pesquisas e notícias de cada ano em que foi realizado o ISOJ desde 1999.

Siga as nossas páginas no Facebook e Twitter (@ISOJ2017) e use a hashtag #ISOJ2017 para nos avisar se você vai se juntar a nós.




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