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ISOJ 2017: Jornalistas debatem a importância do accountability journalism durante a presidência de Trump


Em um momento em que o jornalismo está sob intenso escrutínio e a mídia enfrenta críticas abertas do presidente Donald Trump, Evan Smith, CEO e co-fundador do Texas Tribune, afirma que é mais importante do que nunca defender o accountability journalism [tipo de jornalismo que pressiona políticos e autoridades a prestar contas ao público e a assumir responsabilidade por suas falas e ações].

Evan Smith (Arquivo pessoal)

Em um momento em que o jornalismo está sob intenso escrutínio e a mídia enfrenta críticas abertas do presidente Donald Trump, Evan Smith, CEO e co-fundador do Texas Tribune, afirma que é mais importante do que nunca defender o accountability journalism [tipo de jornalismo que pressiona políticos e autoridades a prestar contas ao público e a assumir responsabilidade por suas falas e ações].

"Eu digo isso como um inimigo do povo [em referência à fala de Trump sobre a imprensa]” Smith disse ao Centro Knight. "Nós temos que fazer mais e melhor em relação a responsabilizar as pessoas. Eu não consigo pensar em um tema mais importante do que esse para se discutir agora."

Como moderador e apresentador, Smith vai liderar o debate sobre “Accountability Journalism na Era Trump” em 21 de Abril no International Symposium on Online Journalism (ISOJ) de 2017. Além dele, vão participar do painel Clara Jeffery, editora-chefe do Mother Jones; McKay Coppins, jornalista do The Atlantic; Matt K. Lewis, colunista sênior para o The Daily Beast; e Sopan Deb, repórter de notícias gerais para o The New York Times.

Após deixar o Texas Monthly em 2009 para fundar o Texas Tribune, Smith disse que o serviço público tem sido o princípio que guia a organização de mídia.

"É uma parte fundamental da democracia — a ideia de que há uma imprensa livre e independente”, disse Smith. "Na sua ausência, a democracia fraqueja. Acho que nós entendemos os riscos disso mais do que nunca.”

Sopan Deb (Arquivo pessoal)

Nos primeiros anos do Tribune, Smith disse que ele via uma falta considerável de cobertura no  Texas que responsabilizasse autoridades públicas por suas falas e ações. Em relação a essa falha na cobertura, Smith queria que o Tribune comparecesse e apresentasse aos leitores a informação que eles não estavam recebendo.

Agora, o Tribune pode se vangloriar de ter mais repórteres cobrindo a sede do governo do seu estado do que qualquer outro veículo no país tem para cobrir a sua própria administração local. Por isso, Smith disse que ele tem ouvido de pessoas sobre o "Efeito The Tribune," que causaria políticos e funcionários públicos a levarem a sério as suas palavras, com medo de que um repórter do Tribune possa pegá-los voltando atrás em uma promessa.

"Estamos e estaremos de olho neles, de forma institucional e individual”, disse Smith. "Nós estaremos atentos e vamos contar para as pessoas sobre isso, e se essa ameaça de ser descoberto não é suficiente para motivar as pessoas a fazerem a coisa certa, eu estou ok com isso."

Agora, como a relação da mídia com o público em geral começou a mudar, Sopan Deb, que estará no mesmo painel com Smith, diz que isso não significa que os jornalistas precisam ficar na defensiva. Ao contrário, eles podem apenas provar a sua credibilidade ao apresentar trabalho. Deb cobriu a campanha de Trump para a CBS News antes de entrar para o The New York Times.

McKay Coppins (Arquivo pessoal)

“Os repórteres podem controlar uma coisa: como eles fazem reportagem”, disse Deb ao Centro Knight. “O resto é apenas ruído. Quando eu cobria a campanha, eu tentei ao máximo ser agressiva e justa, enquanto sempre verificava os fatos… O que as outras pessoas, fora da CBS, pensavam sobre as minhas reportagens não me intimidava de verdade. Eu podia controlar apenas o quão duro eu trabalhava".

No The Atlantic, o jornalista McKay Coppins disse que, na sua abordagem da cobertura, sempre levava a sério pontos de vista diferentes. Ao fazer isso, segundo ele, o veículo não está permitindo que o presidente dite a relação entre as pessoas e a imprensa ao usar a narrativa das notícias enviesadas.

“Uma das coisas que eu acho que nós [no The Atlantic] fizemos muito bem é não tratar nenhum segmento de eleitores como algum tipo de subcultura exótica que deva ser olhada fixamente”, disse Coppins ao Centro Knight. “Em todos os lados do espectro político, nós tentamos entender o raciocínio da pessoa".

Desde as eleições, Coppins disse que a quantidade de reportagens e o interesse em accountability journalism são os maiores que ele já viu.

“Tem sido uma época atipicamente intensa para repórteres políticos”, disse Coppins, que deixou o BuzzFeed News como jornalista sênior da equipe de política em janeiro de 2017 para trabalhar no The Atlantic. “Normalmente não tem tido tanta coisa assim para fazer nos primeiros dias e semanas da Presidência. Mas o fato de que há muito para cobrir não deveria ser um obstáculo, deveria ser nos motivar”.

Clara Jeffery (Arquivo pessoal)

Apesar de que nem toda organização tem os recursos para investir mais repórteres para compensar o grande volume de notícias, Smith disse que os veículos podem encontrar outros métodos e ferramentas para oferecer accountability journalism aos seus leitores.

"Agora é a hora de mostrar serviço, e nem toda a organização tem os meios ou a motivação para comparecer, mas muitas pessoas precisam desesperadamente que os seus veículos façam isso.”

Além de Smith, Deb e Coppins, Clara Jeffery do Mother Jones, e Matt Lewis, colunista sênior do The Daily Beast estarão presentes.

Por mais de uma década, Jeffery tem sido o editor-chefe no Mother Jones, que ganhou o prêmio Magazine of the Year da American Magazine Editors (ASME) em 2017, um ano em que publicou muitas reportagens sobre Trump e fez matérias investigativas sobre prisões privadas. “A mídia está sendo atacada. Quer nós sejamos revistas que se especializam em notícias e política, quer sejamos revistas que distraem e entretêm, nós vamos precisar dos dois e eu realmente espero que nós todos permaneçamos unidos para o que virá”, disse Jeffery ao aceitar o prêmio.

Lewis, que também é um comentarista de política na CNN, recentemente deixou o Daily Caller para trabalhar no The Daily Beast. Sobre a mudança, ele disse a Erik Wemple do Washington Post: “A minha tática vai ser fazer duas coisas: Uma, apresentar ideias conservadoras para uma audiência geral que são convincentes e explicativas, e a outra é fazer com que o Donald Trump preste contas.” Em 2016, ele publicou o livro “Too Dumb to Fail: How the GOP Betrayed the Reagan Revolution to Win Elections (and How It Can Reclaim Its Conservative Roots)”. Ele também tem um blog e apresenta um podcast.

Matt K. Lewis (Arquivo pessoal)

O 18º International Symposium on Online Journalism (ISOJ) vai ocorrer em Austin entre 21 e 22 de abril. As inscrições estão abertas e as vagas se esgotam rapidamente, então se inscreva hoje.

A conferência atrai jornalistas, executivos de mídia, pesquisadores e acadêmicos de todo o mundo. O programa completo também está disponível então dê uma olhada e se planeje.

No nosso novo site, isoj.org, você pode encontrar mais informações sobre inscrições e alojamentos para o ISOJ.

Além disso, explore o nosso site para encontrar vídeos, transcrições, slides, pesquisas e notícias sobre cada ano do ISOJ deade 1999.

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