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ISOJ 2017: Painel vai discutir como a checagem de dados passou de secundária a elemento central no jornalismo


Angie Holan (Courtesy photo)

Com as eleições presidenciais de 2016, o jornalismo de checagem de dados assegurou uma posição de destaque. Ainda que a verificação de dados, ou fact-checking em inglês, seja comum durante as eleições, a disputa entre o presidente Donald Trump e Hillary Clinton resultou em uma adoção maior da prática. O jornal The Washington Post lançou no Twitter um canal de fact-checking e o PolitiFact conseguiu o maior número de pageviews da sua história.

A editora do PolitiFact Angie Holan disse que o interesse pela checagem de dados aumentou nos últimos anos, mas foram as eleições de 2016 que colocaram o tema na dianteira.

“Comecei no PolitiFact em 2007, e vi como a cada ano ele ia crescendo”, contou Holan ao Centro Knight. “O ano passado foi um tsunami. Todos faziam fact-checking e era comum ver as matérias de checagem de fatos entre as mais enviadas por e-mail ou entre as publicações mais vistas dos principais sites”.

Holan vai discutir o tema “Fact Checking: A tendência internacional de checagem do discurso público”, em 21 de abril no Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ) de 2017. Além de Holan, vão falar Alexios Mantzarlis, diretor da International Fact-Checking Network, do Poynter; Craig Silverman, editor de mídia do Buzzfeed; Laura Zommer, diretora-executiva e editorial do Chequeado na Argentina; e o moderador do painel W. Gardner Selby, editor do PolitiFact Texas/Austin-American Statesman.

“Antes, [o fact-checking] era visto como um elemento secundário e interessante do jornalismo, mas desde 2016 realmente se converteu em algo fundamental”, disse Holan.

Alexios Mantzarlis (Courtesy photo)

No passado, contou Holan, os principais veículos da imprensa faziam fact-checking durante a disputa presidencial e depois voltavam a realizar histórias mais tradicionais quando as eleições acabavam. Este ano, disse Holan, os meios de comunicação mantiveram os seus esforços de verificar cada afirmação do presidente e da sua administração.   

“Parece que é uma parte integral da cobertura jornalística sobre a Presidência”, afirmou Holan. “Eu atribuo isso à personalidade particular de Donald Trump”, disse.

Com os holofotes, aumentaram também as críticas ao fact-checking. Dependendo do veículo, Holan diz que os leitores por vezes têm uma impressão de que a checagem e o checador de fatos têm uma agenda política.

“Eu argumento que [o fact-checking] não é partidário”, declarou Holan. “Só é visto dessa forma porque vivemos em um sistema político tão polarizado que as pessoas tendem a avaliar os políticos e a discussão sobre políticas públicas com base na sua próprias crenças partidárias ao invés dos fatos ou princípios gerais”, afirmou.

Segundo Alexios Mantzarlis, diretor da International Fact-Checking Network (IFCN), do Poynter, a ideia de que os checadores são tendenciosos também aumentou após veículos partidários se passarem por meios de comunicação de fact-checking.

“Graças à sua visibilidade, tem havido tentativas de agências partidárias de sequestrar a prática da checagem de dados se infiltrando no movimento”, disse Mantzarlis.

Em resposta, a IFCN lançou o seu código de princípios de fact-checking para ajudar os leitores a diferenciar os checadores de qualidade dos outros.

Craig Silverman (Courtesy photo)

“Tudo se resume a transparência”, disse Mantzarlis. “Como você decide quais declarações vai checar? Você tem uma boa política de correção? É preciso ser justo e apartidário. É preciso atacar todos os lados de um argumento político”.

Mantzarlis acrescentou que, além de competir com os verificadores de dados dos partidos, os jornalistas de fact-checking tiveram que enfrentar o presidente Trump.

“Quando Donald Trump questiona a nossa capacidade de medir algo como a taxa de desemprego, isso torna mais difícil para nós fazer qualquer coisa sobre política pública, porque os nossos indicadores básicos e pesquisas estão sendo transformados em inúteis”, disse Mantzarlis.

No entanto, Mantzarlis disse que o maior desafio é a tendência do leitor em confirmar as suas próprias crenças, o que também explica em parte o motivo pelo qual as pessoas acreditam em “notícias falsas.”

“Como humanos, nós estamos programados para resistir aos fatos que não estejam de acordo com a nossa forma de pensar”, disse Mantzarlis. “Essa confirmação tendenciosa é real. Então o que o fact-checking pode fazer para superar isso?”, afirmou.

Considerado um especialista na proliferação de notícias falsas na internet, Craig Silverman, do Buzzfeed, tem estudado o tema há anos.

Laura Zommer (Courtesy photo)

Quando começou a investigar o tema, Silverman observou que a principal tarefa das páginas de internet que publicavam notícias falsas era atrair um tráfego maior de leitores. Em entrevista para a organização Facing History and Ourselves, Silverman descreveu como as notícias falsas evoluíram em páginas na internet para inventar informação que responda a uma agenda específica.

Atualmente, a grande quantidade de sites com notícias falsas torna mais difícil para as pessoas decifrar qual informação é ou não confiável.

“Eu ficaria surpreso se a maioria das pessoas nos Estados Unidos tivesse uma noção uniforme do que é uma notícia falsa”, declarou Silverman. “Eu acho que muitas pessoas pensam que a CNN e o The New York Times publicam notícias falsas, e que tudo que seja crítico do presidente Trump também seja falso. Também há os que pensam que todas as notícias de apoio ao presidente são falsas”, afirmou.

Mesmo que as pessoas consigam determinar quais veículos são confiáveis, em muitos casos, o leitor já tem uma opinião formada. Em entrevista ao Poynter, Laura Zommer do Chequeado, da Argentina, disse que, apesar da sua popularidade, o fact-checking nem sempre funciona para mudar a cabeça das pessoas.

“O que o fenômeno Trump fez foi colocar diante da nossa cara o que muitos de nós já sabíamos: nós, os checadores, não temos nenhum impacto na decisão de voto dos eleitores. Neste caso, os que votaram no Trump não fizeram isso por ele estar correto [em relação aos dados]”, disse Zommer.

W. Gardner Selby (Courtesy photo)

Quando perguntado se o fact-checking pode ter impactos nas políticas públicas, Gardner Selby, moderador do painel sobre o tema no ISOJ, alertou que é mais difícil para os jornalistas medir isso, e que essa é uma pergunta mais para os líderes eleitos e os funcionários públicos.  

“Todos os dias, eu me preocupo mais em servir os leitores, cidadãos, eleitores - aqueles que decidem quem vai governar. Além disso, é a pesquisa que leva até cada classificação de checagem de discurso que mais importa, eu espero”, continuou. “De forma ideal, os dados que recolhemos e compartilhamos antes de publicar uma etiqueta ajudam a todos os que dedicam tempo para ler uma verificação de dados. As classificações, ou ratings, são a cereja do bolo”.

Ainda há tempo de se inscrever no Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ). Reserve o seu lugar hoje para ouvir esses palestrantes sobre o presente e o futuro do fact-checking.




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