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ISOJ 2017: O fact checking está mudando a forma com que os leitores pensam, mas continua a enfrentar grandes desafios


Com o fenômeno global da proliferação de notícias falsas, e com as redes sociais como as principais fontes de notícias para os leitores, a tendência de verificar o discurso público está se espalhando a nível global.

Palestrantes Alexios Mantzarlis, Craig Silverman, Laura Zommer e W. Gardner Selby. Foto: Mary Kang/Knight Center

Esta tendência internacional de checar o discurso público foi o tema principal do segundo painel do dia inaugural do 18º International Symposium on Online Journalism (ISOJ), que ocorreu nos dias 21 e 22 de abril no Blanton Museum of Art, no campus da University of Texas at Austin.

W. Gardner Selby, editor do PolitiFact Texas e do Austin-American Statesman, presidiu o painel. Os palestrantes foram Alexios Mantzarlis, diretor do International Fact Checking Network, do Poynter; Craig Silverman, editor de mídia do Buzzfeed News; e Laura Zommer, diretora executiva e editorial do Chequeado, da Argentina.

Nesta apresentação, o diretor do Poynter argumentou que o fact checking está mudando a maneira com que os leitores pensam. Essa transformação, segundo Mantzarlis, pode ser vista como uma desvantagem, devido à atual deterioração da credibilidade da mídia tradicional como fontes confiáveis de informação.

O editor do Buzzfeed também ressaltou que, recentemente, o público dos Estados Unidos mostrou um interesse maior na verificação de dados nas reportagens.

De acordo com Silverman, a verificação de dados fez mais progressos nos últimos quatro meses do que nos últimos quatro anos.

O quiz semanal sobre notícias falsas que o Buzzfeed publica há um ano tem se tornado cada vez mais popular entre os leitores, ele disse.

Além disso, a diretora do Chequeado disse que, ainda que existam pessoas que não gostam do que eles publicam, elas não representam a maioria. Apesar disso, ela disse, a organização tenta sempre apelar às emoções dos leitores para apresentar a informação de uma forma mais atraente e inteligente.

Um dos grandes desafios que os checadores enfrentam é a rápida proliferação de noções equivocadas sobre assuntos gerais, apontou Mantzarlis.

A maioria das pessoas não gostam de ouvir que estão erradas, disse Silverman sobre os efeitos que a verificação de informações exerce sobre a opinião pública.

“Quando você corrige as pessoas, elas não apenas não mudam de opinião, como também retrocedem ainda mais para a posição da falsa crença,” disse Mantazarlis, se referindo ao estudo de 2016 feito por um grupo de pesquisadores sobre o “efeito do retrocesso elusivo (elusive backfire effect em inglês)”.

O estudo, conduzido por dois pesquisadores da Ohio State University e da George Washington University, revelou que os cidadãos que não prestam atenção ou não têm interesse nas notícias com informações factuais que não refletem suas crenças ideológicas e políticas.

O fenômeno global de notícias falsas alimenta o preconceito e a polarização entre as pessoas, disse Silverman. Segundo um estudo do PEW Research Center, uma conseqüência desse fenômeno é que nos Estados Unidos há mais polarização entre os partidos políticos e seus seguidores do que havia há 25 anos, disse o editor

Por exemplo, na Argentina, durante o mandato da ex-presidente Cristina Fernández de Kirschner, houve muito confrontamento entre o governo e a mídia, explicou Zommer, diretora do Chequeado.

O governo descreditava informações publicadas pela mídia com notícias falsas, e a mídia, por sua vez, provava que o governo estava errado. Esta luta polarizou o debate público, disse Zommer.

Quando os meios de comunicação e o governo se enfrentam, os perdedores são os cidadãos, porque perdem a perspectiva e têm que escolher a informação na qual vão acreditar cegamente e por tentativa, explicou Zommer.

O que Chequeado tenta fazer com a checagem de dados é educar o público, disse Zommer. Nesse sentido, a transparência é fundamental, acrescentou ela.

É por isso que "abrimos tudo ao público, nossas receitas de doações, nossos métodos, nossas finanças, nossas bases de dados." De alguma forma, somos o oposto da Coca-Cola e de sua fórmula secreta ", ressaltou Zommer.

Mantzarlis também enfatizou a transparência como uma característica essencial do trabalho dos checadores.

Com o objetivo de democratizar a educação da checagem de fatos, que não é uma ferramenta exclusiva para jornalistas, o Chequeado está participando do projeto de fact checking automatizado, disse Zommer. A organização de fact checking britânica Full Fact lidera a iniciativa.

"O desafio é saber o que podemos resgatar do bom jornalismo para estabelecer um novo contrato de leitura com os cidadãos que acreditam no jornalismo, mais aberto, colaborativo, menos arrogante e mais preciso", concluiu ela.

O 18º ISOJ ocorreu em Austin, Texas, nos dias 21 e 22 de abril de 2017. Live streaming do evento foi disponibilizado no site http://isoj.org/.




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