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ABRAJI torna-se uma das principais organizações de jornalismo investigativo do mundo


Com seu impressionante congresso em São Paulo, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) mostrou que já se tornou realidade o sonho que, em 2002, mobilizou um pequeno grupo de jornalistas brasileiros, apoiados pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, da Universidade do Texas em Austin.

O sonho era a criação de uma sólida organização de repórteres e editores interessados no jornalismo investigativo. Por seu tamanho e alta qualidade, o congresso demonstrou que a ABRAJI é não apenas uma organização sólida, mas também uma das principais associações em todo o mundo dedicadas ao jornalismo investigativo.

"A ABRAJI é hoje uma realidade porque o Centro Knight teve a presciência de incentivar essa demanda que existia entre os jornalistas brasileiros”, disse o presidente da ABRAJI, Fernando Rodrigues. “Certamente, a ABRAJI deve muito ao Centro Knight e hoje já pode orgulhosamente dizer que mais de 4.000 jornalistas passaram por seus cursos, oficinas, seminários e congressos”.

Cerca de 700 jornalistas, estudantes e professores de jornalismo se reuniram nas modernas instalações da Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo e participaram de dezenas de painéis de discussão e oficinas de treinamento prático em jornalismo investigativo.

Pelo menos a metade dos participantes eram jornalistas profissionais, vindos de 24 dos 27 estados brasileiros. Entre eles, 98 palestrantes, alguns procedentes dos Estados Unidos, da Europa e de países da América Latina.

Um dos convidados estrangeiros foi o ganhador de um prêmio Pulitzer (2004) Lowell Bergman, que trabalha para o New York Times e para o programa Frontline da PBS, a TV pública dos Estados Unidos. Bergman, que também ganhou vários Emmys (uma espécie de Pulitzer do telejornalismo), é o jornalista retratado no filme “The Insider” (O Informante, no Brasil), foi um dos fundadores do pioneiro Center for Investigative Reporting (criado em 1977) e é professor na Universidade de Berkeley, na Califórnia.

Para se ter uma idéia do tamanho do congresso da ABRAJI em relação a outros eventos similares no resto do mundo, a Investigative Reporters & Editors, baseada nos Estados Unidos e com integrantes de diversos países, reuniu no ano passado uns 700 jornalistas em seu congresso e este ano uns 900. E a IRE é a maior organização de jornalistas investigativos do mundo e na qual os jornalistas brasileiros se inspiraram para criar a ABRAJI.

A ABRAJI tem cerca de 1.800 associados, o que também é bastante impressionante, embora o número de sócios em dia com seu pagamento não chegue a 500. Por isso, uma das suas prioridades agora é convencer a maioria a dar sua contribuição para garantir a sustentabilidade da associação.

Ao contrário dos Estados Unidos, os jornalistas brasileiros não estão acostumados a participar de organizações profissionais independentes como esta. Por isso mesmo, o sonho de uma ABRAJI forte e consolidada, como a que existe hoje, parecia muito distante em 2002, quando tomou-se a decisão de criá-la.

“Apoiar a criação da ABRAJI foi o nosso primeiro projeto”, conta o professor Rosental Calmon Alves, fundador e diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas. “O centro começou a funcionar no dia primeiro de junho de 2002. No dia 2 de junho, traficantes de droga do Rio de Janeiro mataram meu amigo e colega Tim Lopes, um brilhante repórter investigativo da TV Globo. A primeira iniciativa do Centro Knight foi fazer um seminário no Rio de Janeiro, em agosto, que serviu de inspiração para a criação da ABRAJI”.

“A partir daquele seminário, realizado no auditório do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, criamos uma lista de discussão por email, onde se discutiu o tema de outro evento, que seria o marco para uma assembleia de jornalistas decididos a criar a ABRAJI. Este evento fundacional foi um seminário sobre cobertura de crime organizado para 155 jornalistas, na faculdade de jornalismo da Universidade de São Paulo, no dia 7 de dezembro de 2002”, disse o professor Alves.

Com ajuda do Knight Center, a ABRAJI introduziu de forma mais ampla no jornalismo brasileiro as práticas de RAC (Reportagem Auxiliada pelo Computador), que até então eram privilégio de uns poucos jornalistas. Um grande número de reportagens investigativas passaram a ser realizadas no país, graças às técnicas de RAC que a ABRAJI disseminava em seus treinamentos.

“A construção da ABRAJI contribui para aprimorar o jornalismo praticado no Brasil, e o Centro Knight pode festejar e se orgulhar de ter ajudado a tornar esse sonho uma realidade", disse Fernando Rodrigues, presidente da associação.

“Nós temos muito orgulho de termos ajudado um projeto com tanto êxito”, disse o professor Alves. “Mas também temos orgulho de ver a ABRAJI tornar-se cada vez mais independente e autossustentável, tornando a nossa ajuda cada vez menos importante para o seu funcionamento e crescimento”.

A ABRAJI faz parte de uma rede de organizações de jornalistas na América Latina e no Caribe que foram criadas ou fortalecidas com ajuda do Centro Knight. Entre essas organizações, encontram-se o Centro de Periodismo y Ética Pública (CEPET, México), o Foro de Periodismo Argentino (FOPEA), o Consejo de Redacción (CdR, Colombia), o Foro de Periodistas Paraguayos (FOPEP) e a Red de Periodistas de Provincias (Peru).

O Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin foi lançado em 2002 pelo professor Rosental Calmon Alves. Graças a generosas doações da Fundação John S. e James L. Knight, o centro tem ajudado milhares de jornalistas na América Latina e no Caribe. Para mais informações, entre em contato com a gerente de programas do Centro Knight, Jennifer Potter-Miller, em jpottermiller (arroba) mail.utexas.edu ou +1 512 471-1391.



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