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10 anos após a morte do repórter Tim Lopes, 2012 já é o ano mais perigoso para jornalistas brasileiros



O último domingo, 3 de junho, marcou os 10 anos da morte do jornalista brasileiro Tim Lopes, torturado e assassinado enquanto fazia uma reportagem investigativa numa favela carioca. Ao final desta mesma década, entretanto, 2012 já é considerado o ano mais violento para jornalistas brasileiros, informou o jornal Estado de São Paulo. Em apenas cinco meses, quatro jornalistas já foram assassinados por causas relacionadas à profissão.

No Complexo do Alemão, conjunto de favelas onde Tim Lopes foi assassinado em junho de 2002, a data foi relembrada numa homenagem realizada pela irmã do jornalista, Tania Lopes, e pela ONG Afroreggae, noticiou o portal Terra. Um varal com 3.653 lenços brancos foi montado para marcar os dias decorridos desde o crime, que chocou a população brasileira e chamou atenção para os riscos do jornalismo, segundo o G1. As reflexões sobre a profissão suscitadas pela morte de Tim Lopes culminaram na criação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em dezembro daquele ano.

Também para marcar o trabalho de Tim Lopes e refletir sobre os riscos da profissão, a Abraji e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) realizaram, nos últimos dias 31 de maio e 1o de junho, um seminário sobre jornalismo de risco. Entre discussões sobre a segurança de jornalistas e um curso sobre como previnir riscos, muito se falou sobre o caso Tim Lopes e sobre o assassinato do cinegrafista Gelson Domingos durante a cobertura de um tiroteio, em 2011.

Conflito e retaliação
Entre os debatedores, estava o também jornalista Bruno Quintella, filho de Tim Lopes. "Houve sim uma mudança de comportamento das empresas de comunicação e dos próprios jornalistas em relação à cobertura jornalística de conflitos e de investigações", disse Quintella em entrevista por telefone ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.

No entanto, para o jornalista, apesar de as empresas terem incorporado aparatos de proteção no seu cotidiano – coletes, capacetes etc. –, ainda há uma concorrência interna que por vezes incita os jornalistas a passar por riscos desnecessários. "Se dois repórteres vão cobrir uma mesma pauta e um se arrisca muito para gravar boas imagens, a empresa vai colocar os registros no ar mesmo assim, e o repórter que não se arriscou vai ser impelido a se arriscar na próxima vez. Nenhum chefe fala 'não vou publicar'", opina.

Quintella também chama atenção para uma diferença entre os tipos de crime contra jornalistas: aqueles que acontecem durante confrontos armados (guerras, tiroteios etc.) e os de retaliação. O número de mortes de repórteres em crimes de retaliação é maior do que aqueles ocorridos durante confrontos armados. "Há treinamentos para jornalistas em situações de conflitos, como guerras, mas não para situações de retaliação bastante comuns em reportagens investigativas, de denúncias", alerta Quintella.

Histórias de um arcanjo
No seminário da Abraji e da SIP, Quintella exibiu trechos do documentário sobre seu pai, que será lançado no final de 2012. Intitulado "Histórias de Arcanjo - um documentário sobre Tim Lopes", o filme faz referência ao nome verdadeiro do repórter: Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento. Segundo Quintella, aliás, era esse o nome que Lopes dava para fontes em reportagens investigativas para a Rede Globo.

O filme de Quintella sobre seu pai compila depoimentos de jornalistas consagrados sobre o trabalho do repórter. "Meu objetivo foi humanizar a figura de Tim Lopes", explica. "Quando meu pai morreu, criou-se uma espécie de idolatria em torno da figura dele. Pelo que eu o conheci, ele não gostaria de ser visto dessa forma." Como afirma o jornalista Arthur Dapieve, em depoimento ao filme de Quintella: "[Tim Lopes] era o cara que olhava as coisas como elas eram, sem demonizá-las e também sem romantizar".

Assista ao trailer de "Histórias de Arcanjo - um documentário sobre Tim Lopes"



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