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Brasil terá comissão para apurar violações à liberdade de imprensa durante ditadura militar



A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) lançará em janeiro uma comissão para apurar a perseguição à imprensa durante a ditadura militar no Brasil, noticiou o jornal Folha de São Paulo. Batizado de Comissão Memória, Verdade e Justiça, o grupo investigará casos de censura, assassinatos, desaparecimento e outras formas de violência e de restrição ao trabalho jornalístico em todo o país à época, de 1964 a 1985.

Segudo o presidente da Fenaj, Celso Schröder, o principal objetivo do grupo é produzir uma publicação que possa contribuir com a Comissão Nacional da Verdade (CNV), instituída em maio deste ano para "apurar graves violações de Direitos Humanos, praticadas por agentes públicos, ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988", como afirma o site da comissão nacional.

"Vamos fazer como outros segmentos sociais -- camponeses, índios, advogados -- e criar um grupo de pessoas para produzir um relatório sobre as perseguições contra jornalistas na ditadura militar", resume Schröder em entrevista ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.

A comissão da Fenaj trabalhará em articulação com os 31 sindicatos estaduais de jornalistas espalhados pelo país, que organizarão subgrupos para mapear casos em seus estados. "Tenho visto indícios de que há muitos casos a serem descobertos no interior do Brasil", comenta Schröder. "Os relatórios sobre violações à liberdade de imprensa durante a ditadura que temos hoje são mais focados nas grandes capitais, por isso acredito que mostrar o que aconteceu em outros estados e municípios será um ponto importante do projeto."

A ideia é primeiramente produzir uma publicação, que será entregue à Comissão Nacional da Verdade, e também disponibilizar os materiais audiovisuais para a sociedade. O projeto de como será a publicação e de como serão utilizados os materiais está sendo finalizado, segundo Schröder, mas o Instituto Vladimir Herzog -- organização sem fins lucrativos batizada em homenagem a um dos jornalistas mortos durante a ditadura -- já disponibilizou 160 horas de depoimentos de jornalistas e pessoas envolvidas em crimes contra a imprensa à época.

Assim, uma característica fundamental da Comissão a ser criada pela Fenaj é, para Schröder, "contar a história a partir da lógica do jornalista". Por isso, o grupo focará em depoimentos -- escritos e gravados -- de jornalistas e pessoas próximas que passaram pelos casos de censura, violência, tortura e desaparecimentos, de 1964 a 1988.

Um dos casos mais famosos de assassinato durante a ditadura militar brasileira foi justamente o do jornalista Vladimir Herzog. Por causa do crime, A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), iniciou um processo contra o Brasil por não investigar as circunstâncias da morte do jornalista.



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