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Jornalistas são agredidos e detidos durante protestos por redução de tarifas de ônibus em São Paulo



Em meio a outros cidadãos feridos e presos, vários jornalistas foram agredidos e detidos pela Polícia Militar durante os protestos contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo que ocupam a cidade desde a semana passada. Articuladas pelo Movimento Passe Livre, as manifestações são contra o aumento das tarifas de transportes públicos e defendem a tarifa zero para estudantes e o transporte coletivo de qualidade e 24 horas.

Desde semana passada, diversos protestos pela redução das tarifas de transportes públicos têm ocupado São Paulo, com repressão violenta da polícia.

O jornalista Pedro Nogueira, do Portal Aprendiz, foi agredido e preso durante os protestos desta terça-feira, 11 de junho, informou a Folha de S. Paulo. Um vídeo publicado no YouTube mostra o momento quando policiais espancaram o jornalista com cassetetes e o prenderam. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, Nogueira foi preso porque teria participado de atos de vandalismo, noticiou o G1.

O jornalista continua preso e deve ser liberado na sexta-feira quando passará a responder em liberdade às acusações de formação de quadrilha, dano ao patrimônio público e incêndio criminoso, informou o Portal Aprendiz. Em nota, a Associação Cidade Escola Aprendiz repudiou a prisão do repórter e afirmou que "da mesma forma que não apoia os danos ao patrimônio público trazidos por parte dos manifestantes, o Aprendiz repudia o abuso de poder e o cerceamento da liberdade de expressão que foram flagradas por parte da polícia militar neste evento". Diversas organizações e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo pedem a imediata liberação de Nogueira.

A jornalista Giuliana Vallone, da Folha de S. Paulo, após ser atingida por bala de borracha no olho (foto: Estadão).

Durante os protestos desta quinta-feira, 13 de junho, seis repórteres da Folha de S. Paulo foram baleados com balas de borracha, noticiou o jornal. Dois deles, Giuliana Vallone e Fábio Braga, foram atingidos no rosto. Dois repórteres do Estado de S. Paulo também foram alvo de bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela PM.

Piero Locatelli, repórter da revista CartaCapital, foi preso na tarde desta quinta-feira por levar vinagre na mochila para reduzir os efeitos do gás lacrimogêneo, e foi liberado duas horas depois. Segundo o Portal Terra, o fotógrafo Fernando Borges também foi detido pela PM esta tarde, durante 40 minutos, portando crachá de imprensa e equipamento fotográfico, noticiou o site.

O jornalista da Folha Leandro Machado foi detido na noite de terça-feira pela PM enquanto acompanhava a prisão de um manifestante, noticiou o jornal. Segundo Machado, um policial lhe disse "se você não sair vou te bater". O jornalista foi liberado no final da noite. Na mesma noite de terça, o repórter do portal R7 Fernando Mellis foi agredido com um golpe de cassetete mesmo após mostrar o crachá de imprensa, segundo o site.

Diversas organizações condenaram a violência da PM durante as manifestações, que têm deixado dezenas de feridos e mais de 100 detidos nas ruas do Centro de São Paulo. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo afirmou considerar "preocupante que esta ação contrária ao trabalho da imprensa parta do Estado, e justamente da PM, mandada à rua para manter a ordem e garantir direitos".

Em nota publicada hoje, 13 de junho, pedindo uma solução pacífica entre manifestantes e governo, a Anistia Internacional diz ser "preocupante o discurso das autoridades sinalizando uma radicalização da repressão e a prisão de jornalistas e manifestantes, em alguns casos enquadrados no crime de formação de quadrilha". A organização Repórteres sem Fronteiras ainda acrescentou: "jornalistas não podem ser tratados como manifestantes. A polícia deve respeitar sua neutralidade e sua integridade física".

Carlos Lauría, coordenador do Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês) nas Américas, afirmou que "jornalistas devem poder reportar livremente sobre assuntos polêmicos como os recentes protestos contra aumentos de tarifas em transporte público. É inaceitável que a polícia prenda ou assedia repórteres que estão tentando trabalhar".

Os protestos contra aumento de passagens de ônibus estão acontecendo também no Rio de Janeiro, mas até agora não houve confronto com a polícia. Manifestantes têm publicado vídeos e relatos das manifestações no Rio e em São Paulo no Tumblr "O que não sai na TV", na tentativa de diversificar as notícias sobre os protestos para além da mídia convencional.

Assista ao vídeo da agressão e prisão sofridas pelo jornalista do Portal Aprendiz, Pedro Nogueira:




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