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Correspondente da Casa Branca Helen Thomas abriu espaço para mulheres e deixou legado controverso




A lista de palavras que tem sido utilizadas para descrever a correspondente da Casa Blanca Helen Thomas, que morreu na sexta passada aos 92 anos, é tão longa quanto sua legendária carreira, com a cobertura das administrações de 10 presidentes norte-americanos.

Como uma das mais reconhecidas jornalistas cobrindo a Casa Blanca, Thomas ultrapassou várias das barreiras que enfrentam as mulheres jornalistas. Foi a primeira diretora do escritório em Washington da agência UPI. Foi a única mulher jornalista a acompanhar o presidente Richard M. Nixon em sua histórica viagem à China. Foi a presidente de dois dos principais clubes de repórteres em Washington – a Associação de Correspondentes da Casa Branca e o Club Gridiron, onde foi a primeira mulher a ocupar o cargo.

Helen Thomas. Photo via USA Today

Mas, apesar de seus múltiplos reconhecimentos, alguns analistas de mídia observaram que o legado de Thomas deve ser pesado com os comentários depreciativos que fez sobre os judeus e o Estado de Israel. Outros escreveram que suas opiniões pessoais não tinham lugar na sala de imprensa da Casa Blanca.

Thomas foi a correspondente na agência United Press International (UPI) por muitos anos, onde começou como roteirista de rádio em 1943. Em 1960, recebeu a atribuição de cobrir a primeira dama Jacqueline Kennedy, mas logo a designaram para seguir o presidente John F. Kennedy. Tornou-se a principal correspondente da Casa Blanca para UPI em 1970, em um tempo em que só 22% dos jornalistas de imprensa escrita eram mulheres. Depois de quase 60 anos com a empresa, Thomas deixou o cargo na UPI e se tornou colunista no Serviço de Notícias Hearst. Escreveu ou colaborou na redação de seis livros.

Anos mais tarde, Thomas se tornou uma das jornalistas que se opuseram às guerras do Iraque e do Afeganistão durante a administração do presidente George W. Bush. O antagonismo que mostrou fez com que a Casa Blanca retirasse Thomas de seu lugar habitual a frente da sala de conferências. Por três anos, Bush se recusou a responder as perguntas de Thomas.

Os políticos não foram os únicos a receber suas críticas. Em um artigo escrito em 2006 para a revista The Nation, ela acusou a mídia de massa de ser complacente e não desafiar mais a administração durante o período de tempo que precedeu a guerra.

“Honestamente creio que se os repórteres tivessem revelado as falhas das políticas de guerra da administração de Bush, poderiam ter evitado o sofrimento e a perda de vidas de americanos e iraquianos", disse.

A longa carreira de Thomas chegou ao fim depois que, em 2009, a gravaram em vídeo dizendo que os judeus deveriam sair da Palestina e voltar à Polônia ou Alemanha. Thomas se desculpou por seus comentários antes de ser demitida do Hearst.

Durante um almoço em 2010, Thomas disse que Washington e Hollywood "pertenciam aos sionistas", o que levou a Associação de Correspondentes da Casa Branca a voltar atrás em sua decisão de lhe dar o prêmio anual da trajetória vitalícia.

Em uma coluna de opinião para o Washington Post depois da morte de Thomas, Katrina Vanden Heuvel escreveu que as críticas que Thomas recebeu por suas perguntas eram similares às que agora recebem jornalistas como Glenn Greenwald, por seu papel no caso de Edward Snowden.

“Em um momento no qual o ato de coleta de notícias está sob ataque, é mais importante que nunca recordar Helen Thomas pelo que ela defendia — não importa quem esteja no poder, os princípios do jornalismo vigilante nascem do patriotismo, e sempre vale a pena brigar por eles”, disse Vanden Heuvel.



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