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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Qual será o futuro do Washington Post e do Boston Globe com novos donos multimilionários?




Jeff Bezos, fundador e diretor da empresa de comércio electrônico Amazon.com, não é o primeiro multimilionário que entra no mercado jornalístico, com a compra do jornal Washington Post por 250 milhões de dólares, anunciada na segunda, 5 de agosto.

De fato, não foi nem sequer o primeiro do mês —o magnata esportivo John W. Henry comprou antes o Boston Globe por 70 milhões de dólares, anunciado no sábado, 3 de agosto.

Bezos e Henry agora fazem parte do clube de multimilionários que se tornaram donos de jornais, como Warren Buffett, que tem 88 periódicos regionais nos Estados Unidos, e Rupert Murdoch, proprietário do The Wall Street Journal.  

Building facade at The Washington Post. Photo via Wikimedia

A compra por Bezos do Washington Post pôs fim a quatro gerações em que o periódico -- famoso por revelar o escândalo do Watergate em 1974 -- pertenceu à familia Graham.

Em uma carta aberta à redação, Bezos disse que não participará na operação do dia a dia, mas acrescentou que "fará, claro, mudanças no Post nos próximos anos". Bezos seguirá focado na Amazon.com, a loja virtual para a compra de artigos que vão de alimentos a livros eletrônicos.

Durante uma visita à redação do Boston Globe, Henry teve uma estratégia similar, dizendo que se manteria à margem das decisões editoriais. Em uma brincadeira com o editor do caderno de esportes do diário, Henry disse que não espera nenhuma mudança na cobertura do jornal de sua outra propriedade, o time de beisebol Red Sox de Boston.

Contudo, os especialistas de mídia se perguntam se estes meios de comunicação poderão seguir independentes dos interesses comerciais de seus respectivos proprietários. E se assim for, qual será o futuro para sustentar estas instituções jornalisticamente respeitadas, mas financeiramente vulneráveis.

Ryan Chittum, do Columbia Journalism Review, escreveu que estas transações estão marcando a era do “Resgate dos Multimilionários” do colapso dos periódicos, uma fase que pode ser benéfica ou danosa. O preço que Bezos pagou pelo Washington Post equivale a 1% de sua fortuna, calculada em 25 bilhões de dólares. A fortuna de Henry foi calculada em 2,5 bilhões de dólares em 2006, mas diminuiu desde então.

Chittum se perguntou se Bezos, um personagem muito ativo nos círculos políticos de Washington, utilizará a plataforma do jornal para promover suas opiniões na capital do país. Ou talvez a compra possa ser vista como um ato de serviço público, como sugeriu o colunista de meios Roy Greenslade no The Guardian em 6 de agosto.

"Se fizermos todas as considerações comerciais, então é plausível ver a compra de Bezos como um ato de filantropia", escreveu Greenslade.

Falando com a BBC, Richard Brandt, autor do livro "One Click: Jeff Bezos e o auge da Amazon.com", afirmou que o estilo altamente secreto e autoritário de Bezos poderia minar a missão do The Washington Post.

Outros observadores escreveram que é muito cedo para dizer que mudanças Bezos implementará no jornal e se sua participação será positiva para o periódico. Destacam o fato de que Bezos, diferente de outros magnatas de mídia como Murdoch e Buffett, é o primeiro dos multimilionários do mundo digital a comprar um meio de comunicação tradicional.

Alan D. Mutter, um empresário de imprensa e professor da Escola de Pós-graduação de Jornalismo da Universidade da Califórnia, escreveu em seu blog que Bezos "tem a oportunidade de mostrar aos editores como competir no mundo digital" e reverter a queda financeira do jornal.

Apesar da influência que tem um nome como The Washington Post entre jornalistas e leitores, suas recentes receitas pintam um panorama sombrio. Segundo Mutter, os rendimentos do Post caíram de 957,1 milhões de dólares em 2005 para 581,7 milhões em 2012 - uma queda de 39%. A circulação diária caiu de 706.135 em 2005 a 471.800 em 2012 - uma diminuição de 41%.

Brier Dudley, um colunista de tecnologia para o Seattle Times, disse que inicialmente parecia um fato positivo a compra de Bezos, afirmando que "os jornais precisam desesperadamente de pessoas com a visão, criatividade e habilidades comerciais de Bezos para salvar sua indústria e preservar o papel dos jornais na democracia".



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