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Fujimori sabia da campanha de difamação dos jornais sensacionalistas contra seus adversários, segundo testemunha



O ex-presidente peruano Alberto Fujimori (1990-2000) recebia antes de serem publicadas as manchetes e os conteúdos dos jornais sensacionalistas - que buscavam difamar seus adversários durante a campanha eleitoral presidencial de 2000. O então assessor da presidência Vladimiro Montesinos tinha acesso ao material através de telefonemas, segundo testemunhou Mario Ruiz Agüero, ex-secretário do assessor, durante audiência no julgamento de Fujimori no caso de Barbadillo em Lima. 

Alberto Fujimori e Vladimiro Montesinos no SIN.

"Fujimori tinha conhecimento, sim, de que Montesinos usava o telefone criptografado da assessoria que era utilizado exclusivamente para a comunicação com o ex-presidente Fujimori. "Outras vezes, Vladimir levava até o palácio do governo os esboços das manchetes", disse Ruiz Agüero durante a audiência conduzida pela juiza Victoria Sánchez Espinoza. "Entre o ex-presidente Fujimori e Montesinos havia uma relação de subordinação", acrescentou.

A testemunha também disse que os anunciantes Daniel Borobio e Augusto Bresani levavam até o Serviço de Inteligência Nacional (SIN) os esboços das manchetes difamatórias que eram entregues a Montesinos. De acordo com Ruiz Agüero, Bresani recebia de Montesinos, entre 75.000 e 150.000 dólares a cada 15 dias pelos serviços prestados.

Fujimori já foi condenado a 25 anos de prisão em abril de 2009 por corrupção e crimes contra a humanidade, pelos assassinatos de La Cantuta (1992) e Barrios Altos (1991). O julgamento do caso dos jornais sensacionalistas é o último  processo enfrentado por Fujimori, no qual é acusado de desviar 122 milhões de soles (cerca de U$ 44 milhões de dólares) do orçamento das forças armadas peruanas para uso na campanha do segundo mandato presidencial.

Entre os anos de 2004 e 2005 foram condenadas 29 pessoas por este caso, como o ex-assessor Vladimiro Montesinos, que recebeu oito anos de senteça em regime fechado.

Após a declaração de Agüero Ruiz, Fujimori pediu direito de resposta o que foi negado pelo Conselho. A audiência foi retomada hoje 4 de fevereiro.




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