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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Jornalista utiliza algoritmo para escrever notícia sobre terremoto em poucos minutos




Quando um terremoto de magnitude 4.4 atingiu a Califórnia esta segunda, 17 de março, o primeiro repórter a dar a notícia foi um algoritmo recompilador de dados produzido pelo jornalista e programador Ken Schwencke do Los Angeles Times, de acordo com a revista digital Slate.

Este repórter artificial se chama Quakebot e foi desenvolvido por Schwencke há mais de dois anos para recompilar dados de interesse jornalístico de alertas publicados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que são incluídos em um modelo de notícia escrito previamente. A nota preliminar fica no sistema de gerenciamento de conteúdo do jornal enquanto manda um alerta por e-mail a um editor humano, que revisará a nota e decidirá se vai publicá-la online.

Quando Quakebot recebeu o alerta do USGS sobre um terremoto de magnitude 3.0 ou maior (algo menor não causaria muito impacto) às 6:25 da manhã, horário do Pacífico, enviou um e-mail a Schwencke, que publicou a notícia poucos minutos depois, assegurando que o Los Angeles Times fosse o primeiro jornal a informar sobre o evento.

Ken Schwencke, periodista y programador para el Los Angeles Times. Foto via la página de Meetup.com de Hacks and Hackers.

De acordo com Schwencke, a meta do bot (como são chamados estes tipos de algoritmo) não é escrever uma mtéria complexa, mas comunicar informação da maneira mais precisa e rápida possível. Assim os jornalistas humanos podem fazer seu trabalho e acrescentar mais conteúdo à nota, entrevistando fontes e obtendo informação adicional cujo valor jornalístico só um repórter humano pode determinar. Às 12h da tarde da segunda-feira, a nota original já havia sido atualizada 71 vezes por jornalistas humanos, de acordo com Schwencke, resultando em um artigo muito mais complexo do que o inicialmente reportado pelo bot.

A equipe de dados do Los Angeles Times modelou Quakebot com base em um algoritmo prévio que recompilava dados de homicídios locais e os comunicava a jornalistas humanos. De acordo com Schwencke, o jornalismo aumentado por algoritmos não é uma ameaça para jornalistas humanos, mas um suplemento útil.

“Poupa muito tempo das pessoas e para certo tipo de histórias consegue a informação que existe de maneira tão boa quanto qualquer um o faria”, disse Schwencke a Slate. “Como eu vejo, não eliminam o trabalho de ninguém, mas fazem com que o trabalho de todos seja mais interessante”.

Segundo Ben Welsh, produtor de bases de dados do Los Angeles Times, os algoritmos podem ajudar jornalistas a encontrar e dar notícias ao responder as perguntas básicas que qualquer repórter costuma fazer, disse ao sitio web Journalism.co.uk.

Outra publicação que utiliza bots para escrever notas é Forbes.com, que utiliza algoritmos desenhados pela companhia Narrative Science para escrever notificações financeiras automaticamente para publicar em seu site.

Os bots são ferramentas úteis para cobrir notícias baseadas em dados, como resultados de esportes e números de emprego mensais, mas por enquanto só poucos veículos maiors os utilizam, de acordo com o site The Wire.

Para o colaborador da Forbes, Ryan Calo, o uso de conteúdo criado por algoritmos é um sinal da confiança no conceito de emergência, a ideia de utilizar regras simples para realizar “tarefas de aparentemente alta sofisticação”.

Calo afirma que o uso de algoritmos poderia gerar desafíos inesperados, e utiliza o exemplo hipotético de um bot que cobre prisões e que por um erro afirma que um político foi preso. Neste caso, o político poderia processar o criador do bot por difamação? Também menciona o exemplo real de dois algoritmos que começaram uma “guerra de leilões” na Amazon.com que resultou em um livro no valor de $23,6 milhões de dólares.

“A possibilidade de robôs e software capazes de replicar o comportamento humano com rapidez não humana será irresistível”, disse Calo. “A lei terá que se adaptar”.

Os bots e outras ferramentas avançadas utilizadas por jornalistas inovadores hoje em dia será o tema de um painel de discussão no 15º Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ), intitulado “Bots, drones, sensores, vestíveis, etc.: As novas ferramentas para jornalistas”. ISOJ acontecerá nos dias 4 e 5 de abril na Universidade do Texas em Austin.



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