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Palestrantes do ISOJ debatem uso de drones, sensores, bots e outras ferramentas jornalísticas inovadoras




Matt Waite, professor da Universidade de Nebraska- Lincoln e fundador do Laboratório de Artefatos Jornalísticos testa por controle remoto um de seus aparelhos em 4 de abril no ISOJ 2014 no campus da UT. Lauren Schneider/Knight Center.

O primeiro grupo de palestrantes do 15º Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ) apresentou com entusiasmo "gadgets", inovações tecnológicas como sensores, programas de algoritmos, câmeras de vigilância que são usadas ​​para contar histórias, a apresentação contou inclusive com a exibição de um drone que sobrevoou a plateia.

O painel "Programas de robótica, drones, sensores, dispositivos móveis, etc: As novas ferramentas para jornalistas", moderado pela jornalista Janine Warner em 4 de Abril, apresentou soluções tecnológicas inovadoras com potencial de mudar a forma como os jornalistas contam as suas histórias.

Larry Birnbaum

O primeiro orador foi Larry Birnbaum, professor de Ciência da Computação e Jornalismo na Universidade Northwestern e conselheiro científico da Narrative Science, uma empresa dedicada a extrair informações relevantes de grandes quantidades de dados.

Larry Birnbaum, professor de Ciência da Computação e Jornalismo na Universidade Northwestern, em 4 de abril de 2014, ISOJ, no campus da UT. Lauren Schneider/Knight Center.

Birnbaum, que opera na intersecção do jornalismo com a tecnologia, disse que as notícias que surgem a partir da análise de informações são úteis para cobrir esportes, finanças, saúde e até mesmo questões sociais. No entanto, para o professor, mostrar às pessoas um gráfico ou uma tabela de dados não é suficiente para explicar o que está acontecendo.

"Os dados não falam por si mesmos, temos de dar-lhes voz", disse Birnbaum. "Há notícia nos dados, mas os dados em si mesmos não são notícia".

Na empresa Narrative Science, Birnbaum e seus colegas criaram algoritmos de computador automatizados, popularmente conhecidos como "bots", que utilizam valores editoriais programados para escrever histórias usando dados significativos. Birnbaum acrescentou, no entanto, que muitas pessoas não entendem os valores e não sabem como esses algoritmos funcionam, e que uma questão que seria importante discutir é quem será responsável pelo conteúdo das notícias escritas pelos programas.

John Keefe

John Keefe , editor-chefe de notícias, dados e tecnologia jornalística do grupo WNYC, falou sobre como os jornalistas podem usar com facilidade sensores baratos do tipo "faça você mesmo".

Keefe falou sobre o computador Arduíno, pequeno e facilmente programável, que pode ser usado para criar novos "gadgets". Arduíno foi usado para criar os sensores por trás do projeto WNYC Cicada Tracker Project, que acompanhou o retorno das cigarras ao leste dos Estados Unidos pela primeira vez em 17 anos.

WNYC recebeu um número sem precedentes de seguidores entusiasmados em convocar o público a participar do projeto que reuniu mais de 800 pessoas que construíram ou compraram seus próprios sensores.

Keefe também mostrou ao público um dispositivo portátil que monitora os batimentos cardíacos, replicando cada pulso com luzes de LED. O arduíno também foi usado para fazer um dispositivo montado no pulso para monitorar o sono, um projeto que foi lançado com o nome WNYC Clock Your Sleep, para analisar os padrões de sono de pessoas na cidade de Nova York.

O ponto principal de Keefe foi mostrar como é fácil para alguém criar novas ferramentas que podem ser usadas para monitorar eventos e padrões que seriam difíceis de perceber de outra forma.

"Essas são coisas que podem ser boas para o jornalismo", disse Keefe. "Estamos trabalhando com sensores e você também pode, não é difícil".

Nicholas Whitaker

O orador seguinte foi Nicholas Whitaker, chefe do programa de mídia do Google, que ajudou a treinar cerca de seis mil jornalistas de todo o mundo a encontrar novas maneiras de usar as ferramentas com as quais já estão familiarizados para cobrir as notícias de forma mais eficaz.

Whitaker falou sobre os Recursos do Google para Jornalistas, um guia digital de ferramentas online com conselhos para jornalistas que está disponível em cerca de 76 idiomas, incluindo português. Esses recursos incluem ferramentas de visualização de dados, tais como Google Maps Services Engine, "vídeo-hospedagem", como YouTube e mídias interativas, como o Google Hangouts.

Whitaker vê essas ferramentas como uma grande oportunidade para os jornalistas empreendedores aprenderem novas habilidades e formas de transmitir as suas histórias com mais facilidade, especialmente porque eles já têm o equipamento para produzir uma variedade de conteúdo. Ele descreveu os Smartphones como estúdios de produção completos que cabem no bolso de todos os jornalistas.

"Nós estamos realmente tentando inspirar os jornalistas a usar nossas ferramentas para operarem com mais eficácia num ambiente que já trabalham", disse Whitaker.

Tim Pool

Tim Pool, produtor do Vice Media, chegou ao palco com uma mochila cheia de “gadgets”, usando uma câmera montada em seu relógio. Enquanto esta câmera e outras tecnologias portáteis facilitam a gravação de vídeos ou a produção de fotos, Pool disse que elas não são muito diferentes do que os dispositivos móveis fazem hoje. Os "smartphones" revolucionaram a tecnologia ao tornarem a internet acessível em praticamente todos os lugares, disse Pool. Embora não seja superior a essas tecnologias, ferramentas como o Google Glass tornam mais fácil criar e transmitir informações mundialmente de forma mais rápida, o que é muito valioso para o jornalismo.

Uma das novas ferramentas favoritas de Pool é uma aplicação de realidade aumentada disponível para o iPhone e Google Glass chamado Word Lens. Quando os usuários dirigem suas câmeras a um texto em outro idioma, o aplicativo traduz instantaneamente para o Inglês. Ele disse que os smartphones são suas ferramentas favoritas e que acredita que eles ainda têm um grande potencial a ser explorado.

As redes sociais são ferramentas úteis para conectar pessoas em todo o mundo, disse Pool, que também levanta questões de propriedade e direitos autorais. Por esta razão, ele está trabalhando com uma equipe para desenvolver um aplicativo chamado Tagg.ly, o que tornará mais fácil adicionar nomes, logotipos, locais, data e hora nas imagens.

Em entrevista ao Knight Centro após o painel, Pool reiterou seu apreço pelos smartphones.

"Você pode fazer qualquer coisa. Pode gravar vídeo, ver e ouvir ao vivo, comunicar em redes sociais, mensagens de texto. Eles são dispositivos de pequeno porte extremamente poderosos", conclui Pool.

Matt Waite

Matt Waite, entrevistado pela equipe do Centro Knight.

O último palestrante, que carregava um pequeno aparelho dirigido por controle remoto, foi Matt Waite, professor da Universidade de Nebraska- Lincoln e fundador do Laboratório de Artefatos Jornalísticos. Para Waite, esses dispositivos de controle remoto, conhecidos como "drones" são uma plataforma ideal para tirar ótimas fotos e fazer vídeos com relativa facilidade, dando ao repórter uma imagem perspectiva que de outra forma seria impossível.

Essa capacidade de voar e fazer imagens diversificadas de uma cidade ou de um bairro também faz com que esses artefatos sejam vistos como uma ameça potencial à privacidade e a propriedade privada, o que cria problemas interessantes para os jornalistas, legisladores e reguladores federais da aviação, falou Waite.

"Eu acho que nos próximos cinco anos veremos muitas disputas em termos de ferramentas do jornalismo", disse ele.

Embora Waite perceba que a Administração Federal de Aviação (FAA em Inglês) esteja muito preocupada com o impacto que os drones poderiam ter no espaco aéreo, a agência viu a necessidade de regular o seu uso em baixas altitudes. Os "drones" usam lâminas afiadas utilizadas para impulsionar no ar que podem se soltar e provocar a queda do dispositivo. Por esta razão, Waite acredita que a FAA precisa trabalhar sobre a legalidade dos "drones" para evitar que sejam uma ameaça à integridade física das pessoas.

Sob os olhares do público atento do ISOJ, Waite ativou seu "drone", que gravou imagens, e também demonstrou a capacidade do dispositivo de compartilhar automaticamente as imagens gravadas.

A seguir, veja o Storify em inglés com os comentários sobre o painel no Twitter:




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