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Jay Rosen fala no ISOJ sobre os obstáculos enfrentados pela mídia em seus 25 anos assessorando meios de comunicação



Jay Rosen, professor da Universidade de Nova York, fala no ISOJ 2014 no campus da Universidade do Texas em Austin, em 5 de abril de 2014. Miguel Gutierrez Jr./Knight Center.

Ao refletir sobre todos os conselhos, solicitados e não solicitados, colegiais, semi-compensados e pagos que deu ao longo de sua carreira, Jay Rosen, professor-adjunto da Universidade de Nova York e autor do blog de crítica sobre a mídia PressThink.org, também falou dos obstáculos que a indústria de notícias vem enfrentando em anos recentes, especialmente com a introdução do acelerado jornalismo digital.

O segundo dia do Simpósio Internacional de Jornalismo Digital (ISOJ) começou com uma apresentação de Rosen que ele considerou “a mais egocêntrica” já feita. O professor da Universidade de Nova York e blogueiro de PressThink.org refletiu sobre as conquistas e falhas que viu durante seus 25 anos de experiência aconselhando jornalistas e empresas de mídia.

Entre suas críticas à indústria estava a opinião de que as escolas de jornalismo permitiram a separação entre o treinamento prático e a aprendizagem acadêmica, algo que ele vê como um erro. Os problemas enfrentados ao praticar o jornalismo e os problemas enfrentados por acadêmicos de jornalismo deveriam ser os mesmos, Rosen argumentou.

Ademais, o mau manejo dos comentários online em matérias e notas de blogs resultaram em uma atitude negativa em relação à participação do público nos meios, e a falta de envolvimento por parte dos repórteres com seus leitores na seção de comentários resulta em mais insultos e críticas fortes.

“Quanto mais pessoas participam, melhor se torna a imprensa… e melhor o jornalismo que obtemos”, disse Rosen, acrescentando que os jornalistas ajudam a fomentar o envolvimento na vida pública, sem a qual não haveria necessidade de jornalismo.

“Foram anos para que os jornalistas aprendessem sobre fóruns de comentários online… e ainda não estamos lá. Houve um grande ciclo de negligência seguido por um desprezo à seção de comentários”.

Mas a conexão entre reportar a verdade e interagir com a audiência é chave para manter os leitores civis e atentos, afirmou Rosen. Se a audiência sente que é escutada a maior parte do tempo, pode ser que escute o que você quer dizer. As pessoas estão mais dispostas a ouvir de alguém que conhece algo sobre elas", argumentou.

Todos estes problemas, disse Rosen, estão conectados com a falta de treinamento e orientação nas redações, que agora precisam que as escolas de jornalismo se responsabilizem pela maioria do treinamento dos jornalistas e não dão aos jornalistas principiantes mais de um dia para se acostumarem com seu ambiente.

“Na indústria do sexo por telefone você tem que ser treinado por três semanas antes que te deixem começar a trabalhar… na jornalística te dão um dia para aprender tudo”, brincou, acrescentando que as organizações de imprensa deveriam pressionar as escolas de jornalismo a ajudar a resolver os problemas no lugar de depender destas empresas como campos de treinamento.

“Eu vejo a prática do jornalismo como um caso elevado de ser um bom cidadão”, disse Rosen no final de sua apresentação. “A liberdade de imprensa pertence a todos da mesma maneira que a liberdade de expressão pertence a todos.” 




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