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Jornalista hondurenho que não recebeu proteção policial solicitada pela Comissão Interamericana é assassinado




Carlos Mejía Orellana, funcionário da Rádio Progreso Honduras, foi esfaqueado na cidade de El Progreso na sexta-feira 11 de abril, segunda a ONG Repórteres Sem Fronteiras.

Mejia, 35 anos, tinha acabado de voltar para casa, quando foi atacado. A identidade do assassino ainda  não foi identificada.

Segundo a RSF, a Radio Progreso foi um dos meios que mais se opuseram ao golpe de 2009 que afastou do poder o então presidente Manuel Zelaya. Desde então, vários radialistas receberam ameaças de morte, incluindo Mejía, que trabalhava no veículo  há mais de 10 anos. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos já havia solicitou proteção para Mejía  ao governo de Honduras em 2009, 2010 e 2011.

O diretor da rádio Progreso, Ismael Moreno, acusou as autoriadades de ignorarem as solicitações de proteção, apesar dos indícios de que a vida de Mejía corria perigo.

"Este ato sangrento é um golpe não só para a vida do nosso amigo, mas um golpe direto ao trabalho realizado pela rádio Progreso, é por isso que solicitamos as autoridades que este ato não fique impune, que seja investigado para que se descubra quem foi o autor", comentou a rádio hondurenha.

Repórteres  Sem Fronteira também criticou as autoridades hondurenhas por não terem cumprido as recomendações da Comissão, RSF destacou ainda que a profissão de Mejía foi a motivação para o crime.

"A investigação  que está sendo realizada ainda não foi capaz de determinar qual foi o motivo do assassinato. A polícia trabalha com a hipótese de crime passional. Nós pedimos que não seja descartada a possibilidade da motivação do crime estar relacionado com as atividades profissionais da vítima" , disse Camille Soulier, chefe do escritório da América Latina da organização Repórteres Sem Fronteiras .

A organização também pediu a criação de um mecanismo para a proteção dos jornalistas em Honduras, que continua a ser um dos países mais perigosos para estes profissionais no mundo. RSF Honduras classificou o país na posição número 129  de um total de 180, na última edição do Índice de Liberdade de Imprensa. Um relatório recente da Comissão Nacional de Direitos Humanos em Honduras descobriu que houve mais de 100 ataques e ameaças contra jornalistas entre 2010 e 2013.

O tema da violência contra os jornalistas em Honduras foi utilizado como forma de pressão pelo Canadá que exige que o pais centroamericano  avance no campo dos direitos humanos antes de assinar um acordo de livre comércio entre os dois países.  Na semana passada, o escritor mexicano Álvaro Enrigue leu os nomes dos 32 jornalistas mortos em Honduras última década, em uma reunião da Comissão Inter- Americana de Direitos Humanos, realizada em Washington, EUA.

* Janelle Matous estudante da disciplina de Jornalismo na América Latina na Universidade do Texas, em Austin contribui nesta reportagem.




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