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Repórter de emissora de TV é morto em Honduras, país apontado como um dos mais perigosos para jornalistas




Depois que um jornalista de TV foi morto a tiros recentemente em Tegucigalpa, a polícia rapidamente alegou que o motivo não tinha nada a ver com o seu trabalho de reportagem. Algumas publicações dizem que ele foi o 37º jornalista assassinado em Honduras desde 2003, enquanto outras dizem que ele foi o 45º repórter morto no mesmo período.

O motivo para o assassinato do jornalista Herlyn Espinal pode ser incerto e as estatísticas, controversas, mas não há dúvidas de que Honduras tem se tornado um país cada vez mais perigoso perigoso para jornalistas na última década.  E a impunidade prevalece em crimes contra jornalistas hondurenhos, que não têm sido devidamente investigados, de acordo com organizações defensoras da liberdade de imprensa.

No caso de Espinal, contudo, a polícia agiu com rapidez. Ele desapareceu em 21 de julho e a polícia disse que o suspeito foi preso logo em seguida, informou o La Prensa. O mesmo jornal publicou que “de acordo com a Comissão Estadual de Direitos Humanos, 37 jornalistas foram mortos em Honduras entre 2003 e 2013, sem que a maioria desses casos tenha sido resolvida.”

Este ano, a organização rebaixou sua avaliação da imprensa hondurenha para "não livre", citando um aumento da perseguição e dos ataques contra a imprensa nos últimos anos, "alem de um clima de impunidade em que as mortes de jornalistas não foram investigadas completamente ou em tempo hábil." 

Dez jornalistas foram mortos em 2010, incluindo seis só no mês de março. Desde então, o Comitê de Direitos Humanos documentou mais de 100 ameaças ou ataques contra trabalhadores de mídia hondurenhos.

Na grande maioria dos casos, o suspeito nunca é identificado. Em geral, acredita-se que os agressores estejam ligados a grupos de extermínio ou gangues criminosas, embora em alguns casos as vítimas tenham relatado assédio por militares e policiais. Muitos acreditam que motivações políticas estejam por trás da maioria dos assassinatos de jornalistas, apesar do governo culpar a "rotina de crimes nas ruas".

Em uma entrevista feita em 2011 pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, Manuel Torres do La Prensa disse que o uso de armas de fogo ilegais, a participação de vários suspeitos, a falta de roubos, a associação das vítimas com a oposição Frente Nacional de Resistência Popular e as provas de tortura em torno das mortes contribuem para um esforço organizado para intimidar o jornalismo crítico e se opor à liberdade de expressão. A falta de processos sugere uma possível operação paramilitar que goza de impunidade.

"Eu não acredito que há uma política de Estado ordenando o assassinato de jornalistas e organizadores sociais, mas isso não exime o Estado da sua responsabilidade pelo que acontece", disse Torres.

Jornalistas de rádios locais e comunitárias têm sido frequentemente alvo, e grupos de direitos humanos denunciaram que muitos assassinatos são realizados por forças de segurança privadas de grandes corporações que têm relações estreitas com os militares e policiais hondurenhos.

A aparente impunidade nos ataques contra a mídia tem limitado o jornalismo no país onde os repórteres deixam de realizar uma investigação minuciosa por medo de retaliação, de acordo com a Fundação MEPI.

Em 2013, a aliança IFEX-ALC disse em um relatório que a impunidade de crimes contra jornalistas foi a maior ameaça à liberdade de expressão nas Américas. Honduras foi eleito um dos países de maior risco para os jornalistas no relatório.

Recentes vítimas de ataques fatais incluem três funcionários da Globo TV y Radio: Juan Carlos Argeñal, morto em dezembro de 2013, Aníbal Barrow, encontrado esquartejado em junho de 2013 e Manuel de Jesús Murillo Varela, que anos antes havia solicitado a proteção do governo, temendo por sua vida , assassinado a tiros em novembro de 2013

Em novembro de 2012, o radialista e estudante de jornalismo Ángel Edgardo López Fiallos foi baleado na cabeça por homens mascarados em motocicletas sem placas enquanto caminhava na rua.

O âncora de TV Noel Valladares foi morto em frente ao estúdio do Canal 66, onde trabalhava, em abril de 2012, depois de relatar ter recebido ameaças de morte e estar sendo vítima de extorsão.

Oitenta por cento das 37 mortes de jornalistas documentadas desde 2003 ocorreram desde 2010, sob o governo de Porfirio Lobo Sosa, informou La Tribuna.

A violência contra jornalistas tornou-se especialmente grave após o golpe militar de 2009 que depôs o presidente hondurenho Manuel Zelaya e foi amplamente condenado por líderes e organizações internacionais. Zelaya estabeleceu laços mais fortes com líderes esquerdistas de Cuba e Venezuela, e o golpe foi visto como uma restauração da ordem política conservadora. Após o golpe, o líder de facto Roberto Micheletti ocupou ou fechou vários meios de comunicação, nomeou um golpista e ex-chefe militar na direção da empresa de telecomunicações Hondutel e foi amplamente acusado de censurar politicamente o jornalismo.

O suspeito na morte de Espinal não foi condenado. Espinal foi encontrado parcialmente despido, baleado duas vezes e virado para baixo ao lado de uma estrada, um dia depois de ter desaparecido.




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