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Terceiro jornalista é assassinado no Paraguai em 2014




O caso do jornalista paraguaio Pablo Medina Velázquez, assassinado enquanto trabalhava no departamento de Canindeyú, ao noroeste do país, já é o terceiro no Paraguai este ano e o mais recente de uma série de assassinatos de jornalistas na região nos últimos anos. Sua morte ressalta as árduas e perigosas condições para repórteres que trabalham na fronteira com o Brasil.​

pablo

      Sindicado de Jornalistas do Paraguai via Facebook

Há treze anos, seu irmão e colega, Salvador Medina, foi assassinado na mesma região, que é controlada por narcotraficantes. Salvador tinha 27 anos quando foi assassinado em virtude das denúncias que fez na Ñemity FM, emissora ​​de rádio onde trabalhava. Como seu irmão Pablo, Salvador também informava sobre a atividade regional do narcotráfico.

Na quinta-feira (17/10), Pablo Medina, que foi correspondente regional de ABC Color, o jornal de maior circulação do país, regressava de uma cobertura jornalística na comunidade indígena Ko'ê Porã, quando dois homens com roupas de camuflagem pararam seu veículo. Segundo os informes de ABC Color, os homens pediram que Medina se identificasse antes de disparar várias vezes no peito e na cabeça.

Uma das duas assistentes que viajavam com ele, Antonia Almada, de 19 anos, também morreu no ataque.

Medina havia sido alvo de reiteradas ameaças por sua cobertura sobre a produção de maconha e o tráfico de drogas na região oriental do Paraguai. Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Nelson Zapata, editor de Medina em ABC Color, declarou no programa de rádio local que Medina havia recebido ameaças "quase desde o começo de sua carreira jornalística".

Embora Medina tenha trabalhado sob proteção policial, ordenada pelo Estado anos antes, o serviço foi suspenso em setembro de 2013. A polícia presume que os narcotraficantes são os responsáveis pela morte e detiveram quatro suspeitos no caso.

O presidente paraguaio Horacio Cartes denunciou o assassinato  em um comunicado emitido na quinta-feira passada à tarde: “Nosso Governo lamenta e condena energicamente este assassinato que não só atenta contra a paz de nosso país, como também é uma violação direta aos direitos humanos e um ataque à liberdade de expressão”.

Não obstante, muitos asseguram que o Estado deve assumir uma maior responsabilidade se deseja evitar mais crimes contra jornalistas no Paraguai, um país que atualmente ocupa o 105º lugar entre 180 países no índice de liberdade de imprensa publicado por Repórteres sem Fronteiras este ano.

"As autoridades devem explicar a razão pela qual Medina não estava mais sob proteção policial, já que era alvo de constantes ameaças", disse Lucie Morillon, diretora de programa de Repórteres sem Fronteiras. 

Sua opinião foi seguida pelo Sindicato de Jornalistas do Paraguai (SPP), que se reuniu no dia 20 de outubro com o Ministro da Segurança Francisco de Vargas, para exigir maior proteção para os jornalistas no país. 

“Hoje estamos vivendo a narcopolítica”, disse Santiago Ortíz,  Secretário Geral do SPP. Advertiu que se o Ministério da Segurança não tomar medidas para abordar o problema de imediato, "destruirá toda a base social do país".

A morte de Medina ocorre em meio a um aumento da violência contra os jornalistas em todo o país. Outros dois jornalistas foram assassinados no Paraguai este ano. Em maio, Fausto Gabriel Alcaraz foi morto depois de informar sobre o comércio de drogas enquanto Edgar Pantaleón Fernández Fleitas, um locutor de rádio que denunciou a corrupção judicial, foi assassinado em sua casa em junho. 

Em um comunicado emitido na sexta-feira (18/10), a Organização de Estados Americanos (OEA) declarou que "é fundamental que o Estado esclareça o motivo por trás deste crime, exija que as autoridades investiguem a fundo a suposição de que o crime possa estar associado com o trabalho do jornalista e sancione seus autores".

No mesmo sentido, Carlos Lauría, Coordenador do Programa Américas do Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), emitiu uma declaração instando as autoridades a "investigar e julgar este crime de maneira rápida e completa e não permitir que o ciclo de impunidade se acelere".




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