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Site de notícias mexicano SinEmbargo pede a governo que investigue série de ataques




O site de notícias mexicano SinEmbargo exigiu que as autoridades investiguem uma série de ataques, ameaças e atos difamatórios de que vem sendo alvo regularmente desde 08 de outubro, logo após o desaparecimento de 43 estudantes em Ayotzinapa, no estado de Guerrero.

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     SinEmbargo website, with link to petition at left.

Junto com as organizações sociais Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade, PEN México, Greenpeace e Article 19, Sin Embargo publicou uma carta aberta em seu website na terça-feira, 28 de outubro, instando as autoridades a investigar os motivos e os responsáveis pelo que chamou de "ataques sistemáticos" à publicação.

Nos últimos quatro dias, o site foi forçado a sair do ar por uma série de ataques cibernéticos, enquanto ameaças mais diretas foram feitas através de sites de mídia social, como Twitter e Facebook, e por telefonemas ameaçadores feitos para a organização. No início desta semana, a página do Facebook da cantora mexicana Belinda - com mais de 7 milhões de seguidores - foi invadida e usada para lançar ameaças dirigidas ao diretor de conteúdo do Sinembargo, Alejandro Paes Varela.

Mas os ataques não se limitaram a uma agressão online. Sexta-feira passada, depois que o site publicou uma foto de um delegado de Cuajimalpa, Adrián Rubalcava Suárez, carregando uma arma, um homem que diz ser o advogado do delegado invadiu o escritório Sinembargo e exigiu que a foto fosse retirada ou que os membros da local "iria pagar as consequências." Ele saiu depois que os funcionários chamaram a polícia.

Mas os ataques não se limitaram a uma agressão online. Na última sexta-feira, depois que o site publicou a foto de um delegado de Cuajimalpa, Adrián Rubalcava Suárez, carregando uma arma, um homem que diz ser o advogado do delegado invadiu o escritório de Sinembargo e exigiu que a foto fosse retirada ou então os responsáveis pelo site "iriam arcar com as consequências". Ele saiu depois que os funcionários chamaram a polícia.

"Os ataques não tiveram como alvo apenas o diretor de conteúdo, Páez Varela, mas também outros jornalistas que trabalham para o site, incluindo o diretor-geral Jorge Zepeda Patterson", explicou Sinembargo na carta, divulgada em seu site.

A publicação entrou com uma queixa junto ao gabinete do Procurador-Geral do México, com o apoio de advogados da Artigo 19, uma organização internacional de direitos humanos. Também iniciou uma petição no Change.org, exigindo que o governo mexicano investigue ataques contra a site de notícias. A petição tem atualmente mais de 2.500 assinaturas.

A equipe de Sinembargo disse que os ataques são "parte da decomposição institucional e social que o país está sofrendo", fazendo referência à prisão de políticos, policiais, e à descoberta de numerosas valas comuns reveladas na investigação sobre o desaparecimento de 43 alunos. "A falta de condições que permitem aos cidadãos viver em uma sociedade livre também têm afetado as práticas informativas."

No início desta semana, um grupo de jornalistas foi parado por homens que supostamente trabalham para o escritório do Procurador-Geral da República (PGR) mexicano enquanto viajava para Cocula, no estado de Guerrero, onde fica a vala comum mais recentemente descoberta, nesta segunda-feira .

Um vídeo do encontro, publicado pelo Aristegui Noticias, mostra homens à paisana, portando armas, enquanto se aproximam e ameaçam um carro cheio de jornalistas, exigindo que eles saiam do veículo. 

Os ataques a Sinembargo e o encontro hostil entre jornalistas e autoridades do estado de Guerrero refletem uma preocupação geral com a segurança dos jornalistas em todo o país do México, onde o gabinete do Procurador-Geral da República (PGR) registrou 102 mortes desde o ano de 2000 , de acordo com relatos de El Universal. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, 98% destas agressões continuam impunes.

Segundo a Artigo 19, entre janeiro e junho deste ano houve um total de 157 ataques contra jornalistas no México - um assassinato, 66 agressões físicas, 28 ameaças, e 17 ações judiciais. Em 43% dos ataques, destacou a organização, o agressor era um funcionário público.

Na segunda-feira, Sinembargo publicou um editorial que colocou os recentes ataques contra o site no contexto mais amplo da tragédia que engoliu o México:

"O ataque a SinEmbargo é apenas um botão, e talvez muito pequeno em face de tragédias como as de Ayotzinapa e Tlatlaya, mas é o suficiente para revelar que as rédeas estão soltas e que o país está se tornando mais perigoso porque se sabe e se sente que está, infelizmente, sem rumo. "




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