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Organizações de defesa da liberdade de imprensa pedem investigação em caso de assassinato de jornalista peruano



Por Christina Noriega e Hector Perez

Apesar das declarações de um porta-voz da polícia peruana afirmando que a morte do jornalista de 22 anos Fernando Raymondi em Lima não foi motivada por sua cobertura do crime organizado, da corrupção e do tráfico de drogas, jornalistas locais e organizações internacionais defensoras da liberdade de imprensa continuam pedindo uma investigação completa sobre o caso.

O episódio marca a segunda morte de um jornalista este ano no Peru, país onde, segundo o Comitê de Proteção aos Jornalistas, repórteres que cobrem crime organizado e corrução são frequentemente alvos de ameaças por isso. Durante uma coletiva de imprensa sobre o assassinato da mulher de um jornalista no mês passado, a Associação Interamericana de Imprensa (IAPA) e o Conselho da Imprensa Peruana alertaram para o aumento da violência contra jornalistas no país.

Jornalista sênior da Universidade San Martín de Porres, Raymondi se juntou à unidade investigativa de uma das maiores revistas de notícias peruanas, a Caretas, em julho. De acordo com Caretas, no momento de sua morte, Raymondi investigava uma suposta extorsão de gangues locais à indústria de construção e planos de assassinatos.

Raymondi foi atacado no dia 9 de novembro na mercearia de sua família na cidade de Cañete, onde ele havia investigado recentemente uma série de mortes suspeitas perpetradas por assassinos de aluguel.

Dois homens armados não identificados se aproximaram do jornalista enquanto ele conversava com seu amigo Diego Ormeño fora da loja. Depois de mandar Ormeño sair, um dos homens apontou uma arma para Raymondi e sinalizou que ele indicasse a bodega onde seu pai estava trabalhando, Ormeño contou à revista Caretas. Os pistoleiros perguntaram ao pai de Raymondi onde estava o dinheiro da loja, mas antes que ele pudesse entregar os 200 soles, um dos pistoleiros disparou contra Raymondi no peito. Os homens armados foram embora sem levar qualquer bem da loja ou dinheiro.

Raymondi morreu no caminho para o hospital.

Em uma coletiva de imprensa na terça-feira (11), o diretor da polícia peruana nacional, Jorge Flores Goicochea, disse que o caso "não foi um assassinato previamente arranjado, mas uma tentativa de assalto que resultou em consequências mortais", segundo a agência de notícias Perú21

O Ministro da Defesa Daniel Urresti reagiu aos comentários, sugerindo que todas as motivações para o crime ainda estavam sendo consideradas.

Além disso, um investigador de polícia não identificado disse que a investigação sobre o caso ainda estava em andamento e nenhuma possível motivação para o assassinato havia sido descartada, de acordo com Caretas.

“Ainda estamos investigando”, disse o policial à Caretas. “Não entendemos por que o diretor da polícia deu essa declaração quando ainda não temos evidência concreta”.

A Associação Nacional de Jornalistas do Peru (ANP), a IAPA e o CPJ exigiram respostas sobre a morte de Raymondi.

A secretário-geral da ANP Zuliana Lainez se recusou a levar em conta a avaliação precoce do diretor da polícia.

"Indignação, é a única coisa que eu posso sentir, quando as autoridades são tão rápidas em rotular o ocorrido como um crime comum", disse Lainez em um post no Facebook. "Qualquer conexão de sua morte com seu trabalho é negada, como em todos os outros casos."

Américo Zambrano, editor do Caretas que trabalhou em estreita colaboração com Raymondi, disse que a reportagem em curso do jornalista sobre casos locais de extorsões e planos de assassinato poderia ser um motivo para o assassinato.

"Eu não posso afirmar que este foi o motivo para o assassinato, mas nada pode ser descartado", disse Zambrano.

Caretas informou que os moradores que vivem perto da bodega disseram que não houve um assalto nas proximidades nos últimos quatro anos.

Reportagens locais afirmam que a polícia tem cinco suspeitos sob custódia, mas suas identidades não foram tornadas públicas.

"Meu filho é uma vítima da violência", disse Hilario Raymondi em uma entrevista com Caretas. "Eu exijo justiça para que sua morte não fique impune, para que os que fizeram isso sejam punidos, para que possamos acabar com todo esse derramamento de sangue de uma vez por todas ".




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