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Grupos de defesa da liberdade de imprensa no Brasil e no México criam mapas para monitorar ataques a jornalistas




No Brasil e no México, classificados como sétimo e décimo primeiro colocados no ranking de países com maiores taxas de impunidade em crimes contra jornalistas, produzido pelo Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), duas organizações estão mapeando estes ataques em um esforço para aumentar a segurança dos comunicadores.

Recentemente, a Artigo 19 do Brasil e Periodistas en Riesgo (Jornalistas em Risco) do México criaram mapas para reunir casos de ataques contra jornalistas em seus respectivos países. O objetivo é que profisssionais de mídia possam usar o site para se preparar melhor ao realizar coberturas em certas regiões do país.

Enquanto o mapa da Periodistas en Riesgo foi lançado em 2012, o site da Artigo 19 (veja abaixo), foi anunciado em novembro deste ano. Único do tipo, o mapa permite que usuários busquem violações à liberdade de expressão por vítima (comunicador ou defensor dos direitos humanos), tipo de violação (homicídio, tentativa de assassinato, ameaça de morte, sequestro ou tortura) ou por localização.

Article 19 Brazil

Mapa da Artigo 19 Brasil.

Em 2011, a organização brasileira começou a monitorar violações à liberdade de expressão no país, apresentando os dados em uma série de relatórios anuais, de acordo com Thiago Firbida, funcionário do programa de Proteção à Liberdade de Expressão da Artigo 19. O site gera resultados em um mapa do Brasil, apontando os locais e o ano das violações e os nomes das vítimas.

Por exemplo, entre 2012 e 2013, a organização registrou duas ameaças de morte, uma tentativa de assassinato e dois homicídios de profissionais de mídia no estado de Minas Gerais. Isso inclui a morte, em março de 2013, de Rodrigo Neto de Faria, jornalista que vinha trabalhando em uma série de reportagens sobre supostos casos de envolvimento de policiais em atividades criminosas. Dois homens em uma moto atiraram em Faria enquanto ele caminhava em direção ao seu carro na saída de um restaurante.

Artigo 19 coleta e verifica os dados usando um processo de três etapas que inclui reunir matérias e postagens originais sobre o caso; confirmar detalhes a partir de entrevistas com as vítimas, conhecidos e familiares das vítimas, membros de organizações da sociedade civil que trabalham com o tema e autoridades responsáveis pelos casos; documentar e analisar juridicamente alguns casos para avaliação de possível ação judicial ou encaminhamento para organização parceiras, de acordo com o site. Atualmente, toda a informação registrada é de 2012e 2013, mas Firbida disse que a informação de 2014 será inclusa no início de 2015.

Além disso, o site oferece informação, recursos e guias de segurança para jornalistas e defensores de direitos humanos, bem como um fórum para as vítimas compartilharem suas experiências e aumentarem seus protocolos de segurança, segundo Firbida.

O site também aceita denúncias anônimas de vítimas de ataques.

“Desde que lançamos o site, o número de vítimas que chegou até nós pedindo ajuda cresceu consideravelmente", contou Firbida. 

A impunidade em casos envolvendo ataques a jornalistas é comum no Brasil. O país é o 11º no Ranking Global de Impunidade do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) de 2014.

Em uma recente entrevista com o Centro Knight, Carlos Lauria, Coordenador Sênior do Programa das Américas do CPJ, disse que a organização recebeu o compromisso da presidente brasileira Dilma Rousseff no início deste ano de combater a impunidade em casos de violência contra jornalistas.

Este é um problema que afeta Brasil e México, onde Jorge Luis Sierra, diretor do Knight International Journalism Fellowship no ICFJ, criou Periodistas en Riesgo em 2012. Além de criar o mapa durante o seu período como bolsista Knight, Serra também colaborou com jornalistas do Iraque para criar um site similar no país.

O site mexicano rastreia e documenta ataques contra jornalistas.

“Tentamos ver como diferentes tipos de ataques coincidem e como eles se manifestam em diferentes regiões do país", afirma Javier Garza Ramos, um bolsista Knight que agora dirige o Periodistas en Riesgo.

Os ataques são divididos em quatro categorias: físico, psicológico, digital e legal. Cada categoria é dividida depois em subcategorias. Por exemplo, um ataque físico pode ser um sequestro, agressão, desaparecimento, assassinato, etc. 

Garza e seus colegas observaram que a natureza dos ataques contra jornalistas é diferente dependendo da região do país.

Na Cidade do México, jornalistas enfrentam agressões durante protestos sociais, a maioria pela polícia, segundo Garza. Durante os protestos de 20 de novembro pelos estudantes desaparecidos da escola rural Raúl Isidro Burgos de Ayotzinapa, Garza contou que sua organização registrou seis ataques contra repórteres.

Em Tamaulipas e Nuevo Leon, no nordeste mexicano, grupos armados jogam granadas ou atiram com armas de fogo em organizações de notícia, sendo este o tipo de ataque mais documentado, enquanto o assédio a trabalhadores de mídia por políticos é mais comum no sudeste do país.

“Se você sabe a natureza dos ataques na sua área, pode ser mais preciso ao adequar o seu próprio plano de segurança”, ressaltou Garza. “O maior erro que um jornalista pode cometer em termos de segurança é se proteger contra ameaças que ele não enfrenta”.

Garza afirmou que o grupo tem visto um aumento no número de agressões durante protestos de rua, de assédio de políticos e de ataques online a websites de notícias.

Como o mapa criado pela Artigo 19, Periodistas en Riesgo requer que os ataques registrados passem por uma série de verificações para garantir que tenham relação com a atividade jornalística. O grupo trabalha para compilar matérias jornalísticas sobre os eventos, mas também encoraja denúncias sobre os incidentes.

A organização mexicana usa o mapa para treinar redes locais de jornalistas em diferentes cidades do México e oferece em seu site manuais de segurança e contato de organizações de suporte a jornalistas que estejam passando por problemas legais ou psicológicos.



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