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Violência policial em protestos foi principal fonte de agressões a jornalistas brasileiros em 2014, segundo a Fenaj



A maioria dos jornalistas agredidos no país em 2014 foi alvo da violência policial durante manifestações públicas, mostrou o relatório "Violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil 2014", lançado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) nesta quinta-feira (22) no Rio de Janeiro. 

Segundo o documento, dos 129 episódios de ataques a jornalistas, 79 ocorreram em protestos, sendo 62 causados por policiais ou guardas civis e 16 por manifestantes. Em entrevista à Abraji, a vice-presidente da Federação, Maria José Braga, afirmou que o número acabou alterando o perfil da violência contra profissionais da imprensa. Os crimes deixaram de ser cometidos principalmente por motivações políticas. Em 2014, políticos estiveram envolvidos em 16 casos de agressão, 12,4% do total registrado.

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   Presidente da Fenaj, Celso Schröder, no lançamento do relatório. (Agencia Brasil)

Embora, em valores absolutos, as agressões tenham diminuído em relação ao ano anterior - foram 181 casos em 2013 -, os assassinatos aumentaram, com três mortes, o que colocou o Brasil entre os países mais letais para jornalistas em 2014

O repórter cinematográfico da TV Bandeirantes, Santiago Ilídio Andrade, morreu ao ser atingido por um rojão disparado por manifestantes enquanto cobria um protesto no Rio. Pedro Palma, dono e repórter do jornal Panorama Regional em Miguel Pereira, interior do estado do Rio, e o jornalista Geolino Lopes Xavier de Teixeira de Freitas, na Bahia, foram executados a tiros em crimes que parecem ter sido praticados por encomenda, de acordo com a Fenaj.

"Jornalistas ameaçados e/ou amedrontados, assim como sem condições dignas de trabalho, ficam limitados na sua missão profissional de informar a sociedade para dar-lhe um importante instrumento de constituição e exercício da cidadania", observa o relatório. 

Além das agressões físicas e assassinatos, o levantamento feito com dados contabilizados pela categoria ainda aponta casos de cerceamento à liberdade de expressão por meio de ações judiciais, ameaças, assédio, intimidações, injúria racial, censura, impedimento ao trabalho e prisões e detenções. Segundo o relatório, esses são casos de violações do direito humano à comunicação, à liberdade de imprensa e expressão.

Para enfrentar esse perigo, a Fenaj cobra que os crimes sejam tratados em esfera federal e que seja criado um Observatório Nacional da Violência para diminuir a impunidade contra jornalistas no Brasil, que ocupa o 11º lugar do Índice Global de Impunidade do CPJ de 2014




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