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Mulheres jornalistas se tornam alvos de blogueiros pró-governo em Trinidad e Tobago




Por Mariana Muñoz*

Várias mulheres jornalistas de Trinidad e Tobago se tornaram alvos de ataques em redes sociais nos últimos meses como resultado de suas investigações sobre atividades suspeitas na administração pública. Estes ataques acontecem meses antes das eleições gerais programadas para setembro.

As jornalistas Asha Javeed, Denyse Renne e Anika Gumbs do jornal local Trinidad Express foram afetadas por estes ataques cibernéticos. A colunista dominical Sunity Maharaj também foi vítima dos ataques.

Trinidad Express informou que estes episódios são causados por uma rede de blogueiros que operam de maneira anônima e apoiam abertamente o Governo da coalizão política People’s Partnership. Os blogueiros são conhecidos por atacar pessoas que consideram opositoras do governo ou que tenham mostrado de maneira negativa o Primeiro Ministro Kamla Persad-Bissessar, acrescentou o jornal.

Asha Javeed. Foto tomado de su cuenta de Twitter @AJaveed.

A Associação dos Trabalhadores de Meios do Caribe (ACM na sigla em inglês) informou que em vários países os insultos de caráter sexual são utilizados para intimidar mulheres jornalistas o que teve um efeito amedrentador no jornalismo do Caribe. ACM também indicou que alguns dos ataques por redes sociais podem render ações judiciais  e encorajou os profissionais dos meios a exercer seus direitos legais quando necessário.

“Nos últimos cinco anos, as jornalistas mulheres se tornaram alvos frequentes porque são elas que têm estado a frente do crescimento do jornalismo investigativo”, disse Asha Javeed em uma entrevista por e-mail com o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas. Contudo, Javeed acrescentou que os ataques a mulheres jornalistas neste país é um fenômeno relativamente novo.

Houve um aumento no número de mulheres jornalistas nos últimos anos e é comum que estas superem em número os homens jornalistas nas organizações de notícias.

“Na empresa que trabalho, Rede de Comunicações do Caribe (CCN na sigla em inglês), há quatro mulheres que são jornalistas investigativas e um jornalista investigativo homem”, contou Javeed. “Como era de se esperar, as mulheres se tornam alvos depois que as histórias que denunciam corrupção são publicadas”.

ACM informou dos ataques cibernéticos em 24 de março, quando um vídeo circulou pelas redes sociais tentando difamar Javeed. O vídeo que mostrava Javeed e sua família foi feito com fotos tiradas de seu celular que havia sido roubado.

“Não tinha nada a ver com a série de investigações que havia publicado sobre uma empresa estatal”, disse Javeed. “Foi feito para me difamar publicamente e desviar a atenção do conteúdo das histórias”.

O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Claudio Paolillo, condenou os ataques e disse que “a intimidação e o desprestígio, restringem, distraem e geram autocensura entre os jornalistas, o que resulta contraproducente para a liberdade de imprensa e o direito do público à informação”.

O presidente da SIP, Gustavo Mohme, instou as autoridades a “investigar estes fatos não só para salvaguardar a reputação das profissionais, mas também para garantir aos usuários e cidadãos em geral que as redes sociais são meios de comunicação seguros e abertos”.

Os ataques dirigidos a jornalistas através de redes sociais não são raros. Em 2013, Freedom House e o Centro Internacional para Jornalistas lançaram um mapa que rastreou os ataques contra jornalistas que informam sobre crime e corrupção no México. O mapa foi criado com a ajuda de crowdsourcing (trabalho colaborativo) e teve por objetivo mostrar o efeito da violência na liberdade de expressão.

ACM pediu apoio e disse que seus sócios internacionais estão informados da situação que se apresenta no país.

Javeed afirmou que até agora não foi tomada nenhuma ação destinada a punir os responsáveis por estes ataques.

“Fui à polícia e preenchi vários relatórios sobre estas ameaças e sobre outros três casos de assédio”, disse. “Sigo esperando por justiça”.

*Mariana Muñoz é estudante na turma Jornalismo e Liberdade de Imprensa na América Latina na Universidade do Texas em Austin.



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