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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Veículos de mídia e jornalistas de Honduras denunciam constantes desrespeitos à liberdade de expressão




Por Yenibel Ruiz e Silvia Higuera

No dia 25 de maio se celebra em Honduras o dia do jornalista. Contudo, para alguns veículos de mídia não há muito o que celebrar e seus jornalistas preferem aproveitar a data para denunciar o constante assédio que asseguram sofrer ao exercer a profissão.

O jornal Tiempo, por exemplo, em seu editorial do Dia do jornalista, ressaltou o desafio dos comunicadores do país “para fazer um novo jornalismo, com determinação e apego à verdade”, assim como os obstáculos que enfrentam.

“Somos conscientes das dificuldades existentes, exacerbadas de um tempo pra cá, para atuar em liberdade. A ameaça – velada e aberta –, a perseguição, as represálias, o assassinato, ocorrem sobre os comunicadores sociais e os meios que não se submetem às ordens dos interessados em abater a liberdade de expressão. Mas a magnitude do desafio é, na profissão jornalística, o maior incentivo para fazer valer sua vocação e seu voto de serviço à sociedade”.

Por sua vez, Cholusat Sur Canal 36  denunciou a ameaça que recebeu do governo de fechá-lo, no marco do Dia do jornalista. As autoridades acusam o canal de “continuar emitindo mensagens que atentam contra a segurança nacional e o interesse público”.

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou o relatório ‘Entre crimes, ameaças, assédios e mais, os jornalistas da Radio Globo e Globo TV transmitem a informação’ no qual denuncia “as pressões” de que são vítimas seus jornalistas, quase diariamente, desde o golpe de Estado de 2009.

O documento destaca que no mesmo dia do golpe de Estado (28 de junho de 2009) dezenas de militares armados entraram de maneira violenta na sede da rádio, que transmitia sobre os pormenores do golpe, e interromperam a transmissão. Em 28 de setembro de 2009, um grupo de soldados e policiais voltou a entrar de maneira violenta – atiraram na fechadura –, confiscou o equipamento, e a rádio voltou à clandestinidade.

Por estes fatos, em outubro de 2009, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ampliou as medidas cautelares outorgadas aos trabalhadores da Rádio Globo, Canal 36, Rádio La Catracha e Cholusat Sur Rádio, pelas quais solicitou a Honduras “que restitua o exercício da liberdade de expressão mediante a reabertura destes meios de comunicação e a devolução de seus equipamentos de transmissão […]”. Eventualmente, Rádio Globo voltou a transmitir.

Em seu relatório, RSF fala do assassinato de quatro jornalistas da Rádio Globo desde 2011. A este número se soma o assassinato de Erick Arriaga, jornalista e operador da emissora, em 23 de fevereiro de 2015. Uma morte que as autoridades não relacionam com seu trabalho jornalístico, mas com a operação de grupos criminosos na zona. Uma versão que algumas organizações rejeitam.

Por meio de diferentes relatos, o documento também faz referência a diversas ameaças, assédios e pressões recebidos pelos jornalistas deste grupo. Uma destas ameaças foi denunciada pelo diretor da Rádio Globo, David Romero Ellner, que afirmou ter sido ameaçado de morte depois do veículo informar sobre um caso de “mau uso de fundos” do Instituto Hondurenho de Seguridade Social (IHSS) em que supostamente estaria implicado o presidente do país, Juan Orlando Hernández.

Apesar de tudo, no dia 28 de maio jornalistas da Globo TV denunciaram uma “sabotagem” da empresa de cabo que os havia tirado do ar, informou o Comitê pela Livre Expressão (C-Libre). Para os comunicadores, isso estaria relacionado com as reportagens que vinham transmitindo sobre supostos casos de corrupção por parte de um partido político. ​​

Contudo, não são só os jornalistas desta emissora que são assediados, ameaçados ou assassinados.

No dia 19 de maio, um jornalista do canal Hable Como Habla (HCH), um cinegrafista e um fotojornalista do jornal El Heraldo foram agredidos pelo subinspetor da Polícia Nacional, segundo informou C-Libre. A agressão ocorreu quando os comunicadores tentavam cobrir o assassinato de uma pessoa cujo corpo apareceu em uma área da cidade de Tegucigalpa.

Em 7 de maio, o jornalista Francisco Zuniga, que trabalha na rádio HRN e no noticiário de televisão Hoy Mismo, pediu proteção para ele e sua família para o Comissário Nacional dos Direitos Humanos (CONADEH) de Honduras, Roberto Herrera Cáceres, depois de receber ameaças anônimas contra sua vida. O funcionário solicitou ao Estado hondurenho medidas cautelares para salvaguardar a vida do jornalista e seus familiares, enquanto Zuniga declarou desconhecer as razões das ameaças.  

De acordo com o CONADEH, durante 2014 e até o momento em 2015, foram "registrados cerca de 50 fatos relacionados com a liberdade de expressão e de informação em Honduras, que vão desde ameaças, atentados, agressões, raptos, assaltos e casos de perseguição ao confisco de um meio de comunicação. Além disso, confisco de equipamentos, sentenças condenatórias, sentenças absolutórias, audiências de conciliação, limitações à liberdade de expressão, a condenação de um jornalista, a ação contra um diretor de notícias e a morte violenta de 14 pessoas ligadas aos meios de comunicação”.

Honduras é o país com a maior taxa de homicídios no mundo (90,4 para cada 100.000 habitantes), segundo o último relatório do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, informou CNN Español. Isso inclui o crescente número de assassinatos a jornalistas.

De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ na sigla em inglês), desde 1992 foram registrados cinco assassinatos de jornalistas por motivos relacionados ao seu trabalho. Contudo, desde 2009 foram registrados os homicídios de outros 17 comunicadores cujos crimes podem estar relacionados com o exercício profissional das vítimas. 

Organizações como RFS e CPJ concordam que depois do golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya em 2009, o exercício do jornalismo se tornou uma tarefa perigosa e difícil.

No mais recente relatório anual da organização Freedom House sobre a liberdade de imprensa no mundo, Honduras foi catalogado como um país ‘não livre’ devido à violência de que são vítimas seus jornalistas, e também pelas acusações judiciais feitas por funcionários públicos contra alguns comunicadores.




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