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Plataformas de meios venezuelanos utilizam crowdsourcing para monitorar campanhas e eleições




Os meios de comunicação venezuelanos e defensores da transparência lançaram plataformas para assegurar que os eleitores das eleições parlamentares de 6 de dezembro tenham uma opção para denunciar irregularidades durante o processo eleitoral.

O portal Guachimán Eleitoral (algo como o Vigilante Eleitoral), lançado em 13 de novembro, começou a receber prontamente denúncias dos residentes da Venezuela relacionadas com violações ao direito ao voto ou às leis eleitorais.

As instruções para o uso da plataforma são simples: enviar uma queixa por SMS (0414-906.56.04), Twitter (#GUACHIMAN6D), WhatsApp (0414-208.48.10), e-mail, correio de voz (0212.753.4531) ou do portal Guachimán Electoral.

A plataforma Guachimán Electoral registra e verifica denúncias de irregularidades no processo eleitoral prévio antes das eleições na Venezuela. (Captura de tela da plataforma)

Deve-se incluir a maior informação possível: o que passou, onde, quando, quem esteve envolvido e como se soube o que ocorreu. Também é possível incluir vídeos e fotos que ajudarão a agilizar o proceso de checagem. A equipe também anima os cidadãos a utilizar FotoAhora, um programa que utiliza geolocalização para etiquetar uma foto em um lugar, com a hora e a data.

Depois que a plataforma recebe uma informação, uma equipe de curadores trabalha para verificá-la e a coloca sobre um mapa digital em tempo real. As diferentes cores indicam se a informação foi verificada.

Andrés Schafer, um jornalista venezuelano que trabalhou no projeto, disse ao Centro Knight que a propaganda e a difamação são comuns, então parte da meta da equipe é assegurar que elas não se propaguem. Disse que também é difícil de verificar, por exemplo, um SMS de um lugar remoto. Por isso a equipe reúne o tanto quanto for possível de informação específica e busca ser transparente em relação à verificação da denúncia.

Além do cidadão ou do residente que envia informes à plataforma, Guachimán Electoral trabalha com cerca de 1.000 observadores eleitorais, entre eles Assembleia Educação, uma rede de monitoramento que trabalhou em eleições anteriores.

As denúncias que conseguem chegar ao mapa são localizadas em diferentes categorias: controle de campanha, cronograma eleitoral (exemplo: campanhas fora do prazo permitido), uso de recursos públicos, publicidade e opinião pública, manipulação de intenção de voto, e segurança e violência. Mais categorias, como centros eleitorais e processo do voto, também ficarão disponíveis, disse Schafer. Cada categoria tem um conjunto de subcategorias para concretizar a natureza da denúncia.

Cada denúncia é acompanhada por descrições. Por exemplo, tem informação de estudantes que disseram haver sido golpeados por membros de um partido político ou informação sobre o uso de uma conta de Twitter de um escritório público para fazer campanha.

Os dados são mostrados em um mapa digital, em uma lista e em conjunto por um gráfico linear.

Dado que este é um projeto de dados abertos, os usuários podem descarregar todas as queixas em um relatório. Também é posible se inscrever para receber alertas. Além disso, contou Schafer, os dados não serão eliminados; as pessoas poderão consultar a informação inclusive depois das eleições.

Até a manhã do dia 30 de novembro, o sistema havia registrado 232 incidentes desde 13 de novembro. 119 ocorreram em Caracas.

A maioria das queixas – 179 – está na categoria “uso de recursos públicos”. A categoria seguinte com o maior número de queixas – 56 – é “manipulação da intenção do voto”.

Schafer disse que espera que o projeto ajude a encontrar um terreno comum para a sociedade e para proporcionar claridade no processo eleitoral. Também espera que isso empodere as pessoas.

“Saber que eles sabem que se estiverem sujeitos a um abuso de alguma autoridade de qualquer tipo não são deixados ali com sua raiva e impotência, mas que podem denunciar o que está passando, e que isso será gravado e ficará ali”, explicou Schafer.

Schafer também está trabalhando para armar centros fora do país que possam monitorar a jornada eleitoral para assegurar que o projeto continue em caso de um evento como um apagão da internet.

Os colaboradores do projeto vieram do capítulo venezuelano do Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS), a rede de observadores eleitorais Asamblea Educación, Transparência Internacional, Poderopedia, El Pitazo, TalCual, RunRun.ES e Crónica Uno.

A equipe por trás do Guachimán Electoral não é o único grupo trabalhando para garantir a transparência na campanha e no processo eleitoral.

Além de sua cobertura das eleições, o site de notícias Efecto Cocuyo também está recebendo denúncias sobre irregularidades no processo eleitoral por WhatsApp.

O site de notícias Efecto Cocuyo também está recebendo denúncias sobre o processo eleitoral via WhatsApp. (Captura de tela da página)

“Dependendo da gravidade do assunto e de nossas capacidades para verificá-lo, passaremos para outra plataforma de denúncias como a de observadores ou a tomaremos para divulgar pela internet, fazer uma matéria jornalística, um trabalho em profundidade pós-eleitoral, e publicar a informação em todas as nossas redes”, disse Luz Mely Reyes, diretora e co-fundadora de Efecto Cocuyo, ao Centro Knight, por e-mail.

Reyes disse que este é parte de um projeto mais amplo para utilizar diferentes formas para se conectar com a audiência.

Jornalistas e ativistas da sociedade civil estão utilizando projetos como Guachimán Electoral e a iniciativa de WhatsApp de Efecto Cocuyo para chegar aos cidadãos e promover uma maior responsabilidade no processo eleitoral. Depois das eleições de 6 de dezembro, terão uma melhor ideia sobre se estas plataformas de crowdsourcing podem desempenhar eficazmente essas tarefas.




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