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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Jornalista sequestrada, agredida e estuprada há 16 anos exige na CIDH a condenação da Colômbia



Durante uma audiência na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a jornalista Jineth Bedoya Lima exigiu do Estado colombiano verdade e justiça no caso do crime cometido contra ela em 25 de maio de 2000. Nesse dia, a repórter foi interceptada e sequestrada durante 16 horas, agredida, ameaçada de morte e abusada sexualmente como represália por suas investigações jornalísticas.

“Sou Jineth Bedoya Lima, tenho 41 anos, dezessete dos quais levo buscando justiça e verdade. Sou jornalista e há duas décadas documento o conflito armado colombiano", disse Bedoya no início de sua apresentação. “Vi o horror da guerra em toda sua dimensão, sei a que cheira a guerra e lembro dela todos os dias porque uma manhã ficou gravado em meu corpo”.

Jineth Bedoya Lima durante a audiência na CIDH. Foto: Daniel Cima/ CIDH.

Na audiência, que teve como propósito analisar os avanços do caso que é estudado pela CIDH, tanto Bedoya como seus representantes legais pediram a esta entidade “emitir com a maior brevidade um pronunciamento condenando a Colômbia” por sua responsabilidade na violação de diferentes direitos da jornalista.

Seu caso foi aceito pela CIDH, que em 2014 publicou o relatório de admissibilidade. Para os peticionários é momento do caso avançar dentro do sistema interamericano, já que não houve avanços no interior da justiça colombiana.

Bedoya afirmou que seria “desonesto” por parte da Colômbia mostrar na audiência como um “grande avanço” as condenações contra dois de seus perpetradores (Alejandro Cárdenas Orozco e Mario Jaimes Mejía), que ocorreram esse ano.

“Lembro o Estado colombiano que essas condenações são o produto de minha persistência, de minhas lágrimas, de minha luta, de minha busca pela verdade”, disse Bedoya, que ressaltou que foram condenados as duas figuras mais fracas de uma grande cadeia de corrupção e os autores intelectuais continuam sem sequer serem mencionados.

Para a jornalista, não foi investigada a participação de agentes do Estado em seu crime.

Bedoya também afirmou que “talvez o mais revitimizante” de toda sua história tenha sido a proposta que recebeu no dia 7 de janeiro do Estado para “negociar o fim do caso”.

“A impunidade em nenhum lugar do mundo pode ser negociável. Há algo que vale mais que todos os cheques que do Estado e isso é a dignidade. E os asseguro que se algo me sobra, é dignidade”, disse a jornalista em meio a lágrimas.  

O Estado, por sua vez, ressaltou como o avanço mais importante neste caso as condenações contra dois ex-paramilitares, e fez menção ao esquema de proteção oferecido à jornalista.

Talvez uma das afirmações mais polêmicas tenha sido quando o Estado afirmou que nunca recebeu uma notificação de Bedoya sobre se aceitava ou não o esquema de proteção um ano antes do ataque que sofreu. Também se referiu à reunião com Bedoya como algo que teria por propósito escutar o que a jornalista consideraria como uma reparação justa e assim oferecer uma solução amistosa.

A resposta dada pelo Estado causou mais indignação em Bedoya. “Me chamaram para perguntar novamente o que havia me ocorrido e eu respondi 'se não sabem o que me aconteceu, podem buscar no Google’", afirmou a jornalista. “Mas além disso, se me perguntam o que quero, repito hoje o que quero. Quero verdade, isso que quero. Quero verdade”.

A comissionada Margarette May Macaulay, relatora para os direitos das mulheres da CIDH e que afirmou ser o caso “muito perturbador”, perguntou ao Estado se não considerava um “fracasso” da investigação o fato de revitimizar constantemente Bedoya ao pedi-la para declarar “mais uma vez” o que lhe aconteceu.

Os peticionários também solicitaram à CIDH exigir do Estado investigações sobre as ameaças recentes contra Bedoya, assim como proteger todas as pessoas implicadas neste caso, desde testemunhas até operadores de justiça.

O crime contra Bedoya

Em 25 de maio de 2000, Bedoya Lima foi sequestrada na entrada da prisão La Modelo de Bogotá, onde havia chegado para realizar uma entrevista no marco de uma investigação sobre uma rede de corrupção no interior das prisões do país.

Após ser submetida à tortura, a repórter foi abandonada perto da cidade de Villavicencio, no Estado de Meta (região central da Colômbia).

Em 2012, os crimes de que foi vítima foram declarados crimes contra a humanidade pela Procuradoria Geral da Colômbia. Contudo, as condenações contra dois ex-paramilitares em 2016 são as únicas em seu caso.








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