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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

ISOJ 2016: Sucesso de organizações de notícias sem fins lucrativos está no investimento em narrativas



Colaboração e diversidade - palavras ouvidas durante todo o primeiro dia do Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ) - são a chave para o modelo de negócio para organizações de notícias sem fins lucrativos, que pode levar a uma cobertura inovadora como a do Panama Papers, disseram os participantes na sexta-feira, 15 de abril.

Peter Bale, CEO do Center for Public Integrity, deu o exemplo de como a colaboração permitiu que jornalistas de todo o mundo compusessem esta história maciça de políticos ricos e celebridades evitando o pagamento de impostos publicadas pelo Consortium of Investigative Journalists (ICIJ).

"A plataforma do ICIJ tem alguns anos de vida. É basicamente um Facebook para jornalistas: permite-lhes participar e dividir o que eles são com qualquer outra pessoa no grupo. Estas pessoas estão trabalhando 24 horas por dia, compartilhando de todo o mundo, em um ambiente seguro", explicou.

A colaboração também abre espaço para a diversidade, o que pode trazer a luz histórias locais, disse ele.

(Mary Kang/Knight Center)

"Precisamos permitir novos tipos de líderes, novos tipos de vozes, precisamos diversificar a forma com que as pessoas estão acessando" sites de notícias, disse Joaquin Alvarado, CEO do Reveal/Center for Investigative Reporting.

Sobre esse ponto, Alvarado observou que não existiam mulheres no painel em que ele participava, embora Emily Bell, diretora do Tow Center for Digital Journalism da Faculdade de Jornalismo de Columbia, estivesse moderando a discussão.

Ao lado de Alvarado e Bale no painel estavam Bill Keller, editor-chefe do Projeto Marshall, Evan Smith, editor-chefe, CEO e co-fundador do The Texas Tribune, e Richard Tofel, presidente da ProPublica.

Falando de diversidade de vozes, Keller, ex-editor do The New York Times, publica matérias de escritas por presos freelancers para ajudar a formar uma melhor imagem do sistema de Justiça americano, principal foco do Projeto Marshall.

Isso exemplifica como, no ambiente sem fins lucrativos, é necessário assumir riscos e se afastar das decisões habituais feitas nas redações tradicionais.

"O que é uma má notícia para a mídia tradicional é uma boa notícia para [a] sem fins lucrativos", disse Keller.

Assumir riscos e diversificar não se aplica apenas aos escritores e às fontes, mas também à narrativa. Alvarado observou que HQs, livros infantis, peças de teatro e animação também ajudam a contar histórias e atingir pessoas.

"Acreditamos não só no poder da colaboração, mas no poder de se tomar riscos. Nós acreditamos que há uma oportunidade criativa para nós. É uma época de ouro para contar histórias. Temos que participar ativamente dela", disse ele.

Bale concordou, dizendo: "reportagem é onde precisamos investir".

De acordo com Tofel, a estrutura sem fins lucrativos é ótima para a produção de reportagens de serviço público. Ele disse que a ProPublica investe 85% de sua receita na produção de notícias, enquanto publicações como The Washington Post e The New York Times geralmente dedicam 17%.

(Mary Kang/Knight Center)

A ProPublica recebe suporte para temas, mas não para histórias individuais. Um problema, disse Tofel, é que os filantropos estão mais interessados em apoiar universidades e museus e o público americano não tem o hábito de doar para organizações de notícias.

"Não temos uma consistência em financiamento público de mídia sem fins lucrativos", disse Tofel.

A solução pode estar na "diversificação", de acordo com Smith do The Texas Tribune, organização que ele orgulhosamente chama de "garoto-propaganda para a diversidade de receitas”. Eventos, como o anual Texas Tribune Festival, geram cerca de US$ 1,7 milhões do total de US$ 6,8 milhões em receita do Tribune.

O Texas Tribune, dedicado à cobertura política do estado, realiza 52 eventos gratuitos por ano, reuniões públicas que Smith chama de "jornalismo de prestação de contas em tempo real."

O grupo de mídia convida figuras públicas para responder às questões colocadas pelos jornalistas e pelo público. Estes encontros são o que Smith considera um modelo para qualquer evento: "livre, aberto ao público, gravados e com comida de graça."

De acordo com Smith, este é um jornalismo feito para o público em um estado onde o número de eleitores é baixo.

"Nós temos uma missão que nos guia. Há uma falha de mercado no fornecimento de jornalismo de serviço público. Nós não editorializamos as questões; damos informações para formar cidadãos mais bem informadas. Não dizemos o que pensar; infelizmente, nós lhes dizemos para pensar", disse ele.

O ISOJ continua no sábado, 16 de abril, no Blanton Museum of Art, no campus da Universidade do Texas, em Austin. Há transmissão ao vivo em inglês aqui e em espanhol aqui.



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