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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Jornalistas peruanos lançam livro sobre ferramentas de investigação na era do big data



Atualização (30 de agosto de 2016): Uma versão digital de "‘O Canivete Suíço para Jornalistas’ agora está disponível online em espanhol e em inglês. Uma versão interativa em espanhol também está na internet.

Notícia original (10 de mayo de 2016): Desde que o portal de jornalismo investigativo peruano Ojo Público nasceu, há dois anos, seus quatro fundadores sabiam que além de suas investigações, queriam oferecer um espaço para compartilhar conhecimentos e experiências que pudessem ser úteis a colegas não só do Peru, mas de toda a região.

Por isso, desde sua criação, se envolveram em diferentes atividades, como workshops e capacitações, e inclusive publicaram tutoriais sobre como realizaram algumas de suas reportagens especiais.

Para cumprir esse propósito de maneira mais global, a organização lançou no dia 5 de maio seu primeiro livro, intitulado ‘O canivete suíço do repórter: ferramentas de investigação na era dos dados massivos’ na livraria El Virrey, em Lima. Sua versão digital estará disponível em breve.

Hoy presentaremos La navaja suiza del reportero a las 7:00 p. m. en @elvirreylibros. ¡Los esperamos! pic.twitter.com/Xs9q2ly58b

— Ojo-Publico. com (@Ojo_Publico) May 5, 2016

O livro resume dois conceitos: a mudança de mentalidade dos jornalistas ao passar ao mundo digital e as principais ferramentas de jornalismo digital utilizadas em grandes projetos, que “ajudem jornalistas de língua espanhola a fazer seus próprios projetos”, segundo explicou David Hidalgo, diretor jornalístico e co-fundador de Ojo Público e co-autor do livro, em entrevista ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.

“Selecionamos o que acreditamos ser os melhores casos de investigações com big data, com análise de dados, que foram um grande referente”, acrescentou Fabiola Torres, editora da Unidade de análise de dados, co-fundadora de Ojo Público e co-autora do livro, que também conversou com o Centro Knight. “Nesses dois anos foram para nós casos que nos inspiraram a fazer nossas próprias investigações. Esse espírito tem também o canivete suíço”.

Os autores explicaram que o livro também busca contar como Peru experimentou um crescimento no número de meios digitais criando uma comunidade estabilizada graças às iniciativas de jornalistas independentes e de outros grupos, como programadores, que se uniram à comunidade.

Fabiola Torres e David Hidalgo. Foto: cortesia Ojo Público/Audrey Córdova.

Mas especialmente buscam con esse livro contar sua experiência na transição da imprensa tradicional e explicar por que é necessária esta mudança.

“O primeiro capítulo é uma introdução sobre por que mudar de mentalidade e por que os jornalistas investigativos, com todas as ferramentas tradicionais e com grande experiência, deveriam se meter a aprender estas novas ferramentas”, explica Hidalgo. “O que mudou no mundo que praticamente te obriga a ter esse conhecimento”.

Nesse sentido, Hidalgo recordou a história de Glenn Greenwald, que se mostrou reativo a aprender a encriptar mensagens quando Edward Snowden falou com ele pela primeira vez.

Uma história que a seu ver reflete a necessidade do jornalista de mudar sua mentalidade tendo em conta que, no momento de escrever uma história, já não deve se preocupar apenas em buscar a informação, mas também com outros assuntos como segurança digital, a escala massiva dos dados, a complexidade narrativa exigida para contá-las em diferentes plataformas de forma compreensível.

Por tal motivo, a seleção das ferramentas publicadas no livro se baseiam em suas próprias experiências, as que foram mais úteis, para as quais a adaptação foi menos complexa, além de experiências que meios em outros países colocaram em prática. Para isso também aproveitaram a participação de Torres em conferências na Noruega e África do Sul, para mencionar algumas, para realizar entrevistas com jornalistas do mundo.

Leais à ideia de fazer o conhecimento livre e aberto, seu primeiro livro ‘O canivete suíço do repórter’ não está à venda, mas é distribuído gratuitamente em workshops e conferências a colegas e estudantes de jornalismo. Também esperam ter prontamente a versão em inglês.

Mas ali não param seus objetivos de compartilhar conhecimento. Ao longo destes dois anos, Ojo Publico conseguiu informação para desenvolver um guia metodológico com as perguntas que surgem ao realizar projetos de jornalismo de dados, explicou Torres. O propósito é responder estas perguntas para ajudar outros jornalistas com estes projetos.

Eles têm a ideia de publicar um manual de fact-checking. Este manual está ligado ao projeto Ojo Biónico, que se soma às iniciativas de checagem de fatos da América Latina, explicou Hidalgo.

Ojo Público: dois anos de investigação e inovação

“O projeto de vida de quatro amigos e colegas que em algum momento se encontraram no diário El Comercio”, é como Hidalgo descreve Ojo Público. Os jornalistas, que por diferentes motivos deixaram o jornal, encontraram neste espaço não só um lugar para publicar as histórias em extensão e complexidade que não encontravam lugar na imprensa tradicional, mas para fazer um “laboratório de inovação”, como descreve Torres.

“Em dois anos, creio que vivi intensamente cinco anos de coisas que não teria aprendido”, explica Torres. “Mas isso sem nunca renunciar ao melhor conteúdo e isso nos impõe vários padrões bastante exigentes, cada vez que publicamos algo estamos satisfeitos com o que fazemos”.

(Foto cortesia de Ojo Público/Audrey Córdova)

Ojo Publico já publicou temas de saúde, poder corporativo, direitos humanos, indústria extrativa no Peru, todos utilizando diferentes aplicativos e plataformas.

“Nossa aprendizagem foi rápido e desde o zero”, enfatizou Hidalgo, que acrescentou que para iniciar buscaram engenheiros para fazer código a quem explicaram o objetivo do meio. Atualmente, ao grupo de quatro jornalistas fundadores se somaram dois programadores na equipe principal de Ojo Público.

Nos seus próximos projetos está previsto um sobre a justiça no Peru, relacionado com o patrimônio dos magistrados. Além de uma investigação transnacional que será conhecida nos próximos dias.








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