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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Promotoria colombiana chama ex-agentes de inteligência a depor por caso de tortura psicológica contra jornalista



Quatro ex-funcionários do extinto Departamento Administrativo de Segurança (DAS) da Colômbia foram chamados para interrogatório pelo Gabinete do Procurador-Geral como parte da investigação sobre ameaças e tortura psicológica sofridas pela jornalista Claudia Julieta Duque, informou o jornal El Espectador. [Veja abaixo uma breve explicação sobre o escândalo do DAS]

Os funcionários são: o ex-diretor do DAS no departamento de Antioquia Emiro Rojas Granados; o atual diretor de telecomunicações do Corpo Técnico de Investigação (CTI) da Procuradoria Geral, William Alberto Merchan; o ex-detetive Juan Carlos Sastoque; e o ex-agente Néstor Pachón Bermúdez, relatou o portal La FM.

 

De acordo com o El Espectador, todos teriam conhecimento das ações ilegais realizadas contra a Duque e foram denunciadas pela jornalista em 2004. No entanto, a promotoria apenas irá decidir se são ou não formalmente ligadas à investigação após ouvi-los, informou a Rádio Caracol.

O caso tem relação com a perseguição e chamadas ameaçadoras que Duque sofreu em retaliação por sua investigação jornalística que ligava agentes do DAS com o planejamento e execução do assassinato do jornalista e humorista colombiano Jaime Garzón.

De acordo com a jornalista, Merchan - que fazia parte do DAS e atualmente trabalha para outra agência estatal - teria direcionado as ações contra ela e sua família, que incluíam telefonemas noturnos ameaçadores e informações detalhadas sobre sua filha, informou a agência colombiana Colprensa e o jornal El Espectador.

"Começa uma nova fase por justiça no meu caso. Tem sido muito difícil chegar até aqui, principalmente porque os responsáveis ainda hoje têm posições de poder a partir do qual mimetizam dentro do Estado ou mantêm relações de poder que os protegem contra a ação da justiça", disse Duque segundo a Colprensa.

Para o caso de Duque três condenações foram proferidas contra ex-agentes do DAS e haverá julgamentos de outros ex-membros da organização, incluindo o ex-Director Adjunto da DAS, José Miguel Narváez.

O escândalo do DAS

Uma investigação da revista Semana revelou o escândalo das “chuzadas del DAS” (como ficou conhecido na Colômbia o caso de espionagem e escutas ilegais por esta unidade).

As investigações jornalísticas indicaram que, durante o governo do então presidente Álvaro Uribe, e-mails e linhas telefônicas foram interceptadas e espionagem ilegal ocorreu com propósito, segundo disseram alguns ex-funcionários, de obter as fontes de informação dos jornalistas, ou para intimidar, como no caso de Duque.

Os jornalistas não foram os únicos afetados neste caso. Também foram interceptados ilegalmente juízes e congressistas opositores ao governo de Uribe.

Em março de 2015, a Suprema Corte de Justiça da Colômbia condenou a ex-diretora do DAS María del Pilar Hurtado e o ex-secretário-geral da presidência de Uribe, Bernardo Moreno Villegas por ter dado instruções para os atos.

O DAS, agência de inteligência do país que era diretamente dependente da Presidência da República, foi eliminado em 2011, como resultado deste escândalo.



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