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Plataforma brasileira Aos Fatos, de checagem de informação, faz um ano e se prepara para novos desafios



A start-up brasileira Aos Fatos está comemorando um ano de existência e já faz planos para ampliar sua presença digital e investir num modelo de checagem de informações em vídeo. Criada em julho de 2015, a organização se dedica à checagem de fatos e declarações de autoridades, prática jornalística que ficou conhecida como fact-checking. 

“O grande trunfo da checagem de informação nesse momento atual é a capacidade de dar uma embalagem objetiva, investigativa e analítica para o hard news,” afirmou Tai Nalon, diretora executiva e cofundadora da Aos Fatos, ao Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.

Neste semestre, Nalon planeja dar início à divulgação de vídeo-reportagens pelas redes sociais, em plataformas como o Facebook e o Twitter, prática que tem se tornado uma tendência mundial. 

“Nós queremos informar para o leitor o que é verdade e o que é mentira. Com o texto é possível ter controle da informação, porque está documentado”, disse Nalon. “Jamais abandonaremos esse formato, mas precisamos aumentar a eficiência do jornalismo que a gente faz, e o vídeo gera muito mais engajamento com o usuário das redes sociais do que o formato em texto”.  

A meta é também desenvolver um webcast semanal com um formato híbrido entre texto e vídeo, mas para isso é preciso primeiro obter investimento. Por isso, a organização planeja realizar mais uma rodada de crowdfunding até o fim do ano. A estratégia foi bem-sucedida no ano passado, quando a plataforma da publicação foi financiada com ajuda dos leitores por meio de crowdfunding. Na ocasião, foram arrecadados $32,000 reais. Os leitores também podem fazer doações esporádicas.

“A gente acredita que o jornalismo tem que ser financiado pelo leitor, muito mais do que por anúncios ou por corporações. Só com o financiamento dos leitores, um financiamento constante, seguro e previsível, é que se consegue fazer bom jornalismo. Isso não é um detalhe, é uma preocupação constante”, afirma Nalon.

Para ampliar o alcance de suas reportagens e complementar sua fonte de financiamento, a organização realiza parcerias editoriais com meios de comunicação tradicionais. Um dos exemplos é a análise feita para o UOL dos repasses financeiros a políticos feitos pela construtora Odebrecht, uma das investigadas na Operação Lava Jato. 

Ao longo deste primeiro ano de trabalho, a Aos Fatos checou 95 declarações de diferentes partidos políticos (das quais apenas 23 foram consideradas verdadeiras) e produziu 30 reportagens sobre assuntos como orçamento, políticas públicas, promessas eleitorais e financiamento de campanhas.

Nalon destaca algumas matérias publicadas pela organização em seu primeiro ano de existência para ilustrar a importância da checagem de fatos e da verificação do discurso feito pelas autoridades públicas.

Uma delas foi a que checou declarações nas quais a presidente afirmou que passou a ter conhecimento da gravidade da crise econômica no país somente após as eleições de 2014. A Aos Fatos desmentiu a declaração da presidente ao apresentar um relatório técnico produzido por um instituto ligado à Presidência da República que, meses antes, já alertava para a dimensão da crise.

A checagem da Aos Fatos repercutiu na imprensa tradicional e, meses depois, a presidente mudou seu discurso, reconhecendo que os sinais da deterioração do cenário econômico já apareciam no final de 2013.

O portal também divulgou reportagem sobre as chamadas “pedaladas fiscais”, nome dado ao atraso no repasse de recursos aos bancos públicos por parte do governo federal, uma estratégia usada para ajudar o governo a cumprir metas fiscais. 

A notícia mostrou que o saldo de pedaladas durante o governo de Dilma Rousseff foi 35 vezes maior do que o registrado nos dezesseis anos somados das gestões dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. O montante foi considerado um recorde de endividamento com os bancos públicos

“A checagem de informações sempre existiu, é um fundamento do jornalismo. O problema é que com a agilidade cada vez maior do jornalismo diário, e a necessidade da cobertura em tempo real na internet, esse método passou a ser um pouco negligenciado”, disse Nalon. 




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