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"Notícia incidental": a nova forma dos jovens consumirem informação




Um novo estudo sobre como os jovens consomem notícias revela que este processo ocorre por acaso, através principalmente de celulares, durante o tempo livre, imerso no mundo das redes sociais e de forma desorganizada. O consumo de notícias é "incidental" e os velhos hábitos de buscar a notícia no computador, TV ou jornal impresso foram deixados para trás.

"A notícia incidental" é o conceito introduzido pelos resultados de um estudo qualitativo sobre os jovens e seu consumo de notícias, realizado pelo Centro de Estudos de Mídia e Sociedade na Argentina (MESO) em conjunto com a Universidade de San Andrés (Argentina ) e a Universidade Northwestern de Chicago (Estados Unidos).

A maioria das respostas do estudo indicou que os jovens consomem notícias fortuitamente, por meios digitais, predominantemente através de celulares. Ou seja, os jovens "não entram em contato com o universo digital para procurar notícias, mas se encontram com elas nos feeds de suas redes, intercaladas com anedotas divertidas de amigos, pedidos de ajuda e fotos de viagens, animais e alimentos." Esta forma inesperada de se encontrar com a notícia é o que define o conceito de "notícia incidental."

A "notícia incidental" dá uma outra perspectiva ao consumo de informações por parte deste público jovem. Como descrevem Pablo Boczkowski, Eugenia Mitchelstein e Mora Matassi no artigo "O meio já não é mais nem meio nem mensagem," publicado na revista Anfibia, a "incidentalização do consumo de notícias gera uma perda de contexto e hierarquia do conteúdo jornalístico na experiência do público."

"Como é a experiência de consumo de notícias dos jovens na Argentina e o que acontece em suas práticas cotidianas? Que sentidos, interpretações, costumes e hábitos são estabilizadas no encontro com o que chamamos atualidade?" Estas são as perguntas que o estudo fez a 24 jovens na Argentina, com idades entre 18 e 29 anos, a maioria de classe média alta.

As respostas dos jovens falam sobre como eles consomem notícias em suas vidas diárias, as vezes em que usam celular em comparação com o computador, e a quantidade de vezes que veem televisão ou leem no formato impresso.

"Eu faço tudo com o celular. Respondo e-mails, leio o Twitter,leio o jornal, tudo com o celular ", disse Ana, 21, conforme se lê no artigo como um dos exemplos de jovens entrevistados no estudo.

Os autores relatam que o computador é usado muito mais para trabalhar e estudar do que para consumir notícias. Por outro lado, o uso da televisão está em terceiro lugar e ocorre "em geral, como um som de fundo que acompanha a realização das tarefas diárias", explica o artigo.

"O jornal, rádio e televisão desaparecem como uma unidade que apresenta uma visão ordenada e representativa da atualidade. O que resta são pedaços de histórias e opiniões, imersas em um mosaico gigante de informações de todos os tipos e todas as origens", afirma o artigo.

Os autores também descrevem a ideia de como os jovens vivem nos meios digitais, mais especificamente nas redes sociais como o Facebook, WhatsApp ou Twitter, por exemplo. Os jovens estão em redes sociais apesar de não terem uma razão específica para se conectar. Este modo de vida é percebido como uma necessidade social, dizem os autores do artigo.

A notícia incidental marca uma diferença - segundo explica o trabalho - no contato que os jovens estabelecem com a atualidade, destacando que o acesso à informação já não é mais uma atividade independente, mas que depende da sociabilidade que as redes sociais geram.

O estudo acrescenta que a quantidade de tempo em que os jovens acessam a informação é muito maior em número, mas tais momentos são mais breves. O artigo afirma que o consumo de notícias é feito a qualquer momento e lugar quando os jovens têm tempo livre e de forma "espontânea".

No entanto, é explicado que a notícia incidental não é a etapa final da forma como a informação é consumida, mas sim uma espécie de "transição midiática" sobre um futuro que não pode ser previsto.

Finalmente, o que reflete o estudo é que as formas de consumo de notícias não são mais as mesmas: o poder dos meios de comunicação perde incidência diante da influência das redes sociais como Facebook e Instagram, que "moldam o menu informativo" que é consumido pelos usuários.

[Nota da Ed.: Rosental Alves, fundador e diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, faz parte da direção do MESO.]

 








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