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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Deputado da Guatemala é apontado como suposto mentor do assassinato de um jornalista em 2015



Um deputado da Guatemala foi apontado pelas autoridades do país como o suposto mentor do assassinato do jornalista Danilo Efraín Zapón López, que ocorreu em 10 de março de 2015, publicou a Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (CICIG).

A conclusão veio após o fim da segunda fase da investigação da morte do jornalista. Durante essa etapa, as autoridades tiveram acesso ao telefone de Zapón López cujos registros mostravam uma disputa entre ele e o deputado Julio Juárez Ramírez, informaram a Procuradoria-Geral, a CICIG e a Polícia Nacional em uma coletiva de imprensa em 26 de janeiro. A origem da disputa teria sido a negativa de Juárez Ramírez de apoiar a candidatura para deputado de outro hombre, apoiado pelo jornalista, afirmou a CICIG.

Presentación de las autoridades de Guatemala sobre los avances en la investigación del asesinato del periodista Danilo Zapón López en Guatemala. Captura de pantalla.

Segundo a CICIG, a disputa se “intensificou” entre os dias 27 de fevereiro e 4 de março de 2015. Justamente na tarde de 4 de março, Juárez Ramírez falou pela primeira vez com os negociadores que entraram em contato com os intermediários dos matadores de aluguel, segundo a investigação oficial. Em 5 de março, o jornalista falou com um fiscal de direitos humanos e pediu informação das bases de dados do Ministério Público sobre o deputado. De acordo com as autoridades, o jornalista afirmou estar realizando uma investigação contra Juárez por suposta lavagem de dinheiro.

No dia seguinte, Zapón López publicou em seu meio digital El Sur uma nota sobre dívidas que o deputado teria com a Superintendência de Administração Tributária (SAT) do país. A nota também apontava que o funcionário era processado pelo delito de “desobediência”, informou a CICIG. Para as autoridades, a publicação pode ter sido percebida pelo funcionário “como um risco para a sua candidatura como deputado para o Congresso da República da Guatemala”.

Em 7 de março, os líderes dos matadores de aluguel e os negociadores fizeram um acordo sobre o pagamento de 25.000 quetzales (aproximadamente US$ 3.300 dólares) pelo assassinato de Zapón López, e foi decidido a forma da operação, afirmou a CICIG.

O crime contra o jornalista ocorreu durante o dia, em 10 de março de 2015, no parque central da cidade de Mazatenango, diante da sede do governo do estado de Suchitepéquez. Dois indivíduos que se moviam em uma moto dispararam fatalmente contra o repórter. Nas conclusões da investigação, as autoridades afirmaram que “a certeza da impunidade fez com que o crime tenha sido cometido em pleno parque central da localidade”.

O ataque contra Zapón López também deixou como “vítimas circunstanciais” os jornalistas Federico Benjamín Salazar Gerónimo, que morreu, e Marvin Túnchez, que ficou ferido, segundo as autoridades.

No mesmo dia do crime, o Ministério Público informou sobre a detenção de Sergio Cardona, acusado de ser o motorista da motocicleta.

Durante a investigação, também foram capturados Jorge Cabrera, que teria sido o coordenador do assassinato do jornalista junto com Nery López; Artemio de Jesús Ramírez, que teria participado do planejamento do crime; e Germán Almicar Morataya, que teria passado a informação a Eduardo Mazariegos, suposto autor material do crime. Mazariegos, no entanto, se encontra foragido, assim como Nery López, apontado de ser o líder da estrutura de matadores de aluguel.

As últimas capturas no caso ocorreram no dia 26 de janeiro com Marco Tulio Cano Reyna e Marco Antonio Paredes Palacios, acusados de negociar com os líderes dos matadores de aluguel a mando do mentor do crime.

O assassinato dos jornalistas foi considerado um crime de alto impacto e, por isso, em março de 2016, a Procuradoria-Geral decidiu levar o caso para a Procuradoria Especial contra a Impunidade, com o objetivo de ajudar o Ministério Público e a CICIG na investigação.

Uma das conclusões da investigação afirma que o “suposto mentor, Juárez Ramírez, viu no jornalista Zapón López uma ameaça para a consolidação da sua candidatura como deputado distrital e um questionamento do seu poder na zona”.

Tendo em conta que “existem indícios razoáveis para considerar” que o deputado é o suposto mandante do assassinato do jornalista, o Ministério Público e a CICIG solicitaram um julgamento preliminar do funcionário. Se o julgamento preliminar for aprovado pela Corte Suprema do país, o deputado perderá o seu cargo de funcionário público e poderá ser julgado como um cidadão comum.

A Associação de Jornalistas da Guatemala (APG) manifestou a sua satisfação com os avanços na investigação e afirmou que essas capturas demonstram a grande penetração do crime organizado no país, o que é uma grande ameaça ao trabalho de jornalistas.

“Essa entidade tem alertado em inúmeras ocasiões que esses atores são uma verdadeira ameaça para o trabalho jornalístico e em muitos lugares implementaram a censura e a autocensura, devido ao grande poder que exercem”, disse a APG em um comunicado.

A entidade pediu à Corte Suprema “dar trâmite imediato ao julgamento preliminar pedido para o deputado” como uma mostra de que vai combater a impunidade.

O aumento da violência contra jornalistas na Guatemala tem sido motivo de preocupação para organizações de defesa dos direitos humanos. Durante os primeros seis meses de 2015, por exemplo, foram registrados 59 ataques contra jornalistas no país, informou na época o Centro de Reportes Informativos sobre Guatemala (Cerigua).

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) incluiu a Guatemala na sua lista de países mais mortais para os trabalhadores da imprensa no ano de 2015. Ainda que em 2016 o país não tenha sido incluído na lista, o CPJ preparou um relatório especial sobre a Guatemala. O documento alertava sobre o aumento da violência contra jornalistas em casos em que foi possível determinar o trabalho jornalístico como causa do crime.

Essa situação intensificou a luta das organizações da imprensa para conseguir a implementação de um mecanismo especial para a proteção de jornalistas, o que tem sido pedido há anos.








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