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Jornalista colombiana Jineth Bedoya denuncia revitimização em julgamento de caso de seu sequestro, tortura e violência sexual



Foram 11 as vezes em que a jornalista colombiana Jineth Bedoya Lima testemunhou às autoridades de seu país sobre os crimes dos quais foi vítima em maio de 2000, que incluem sequestro, tortura e violência sexual.

No entanto, para a Justiça do país, “parece não ser suficiente”, como declarou recentemente a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP). Por isso, ela é obrigada a comparecer perante um tribunal no qual não apenas narrará mais uma vez os acontecimentos, como também terá que encarar seus supostos agressores.

Jineth Bedoya Lima criou em 2009 a campanha ‘Não é hora de calar’, para combater a violência contra as mulheres. Foto: cortesia do jornal El Tiempo.​

“Em um ocorrido que nem eu, nem minha família, nem meus amigos compreendem, a Justiça deste país está me obrigando a ‘revitimizar-me’, e o Tribunal Superior de Bogotá me obrigou a contar minha violação pela décima segunda vez no dia 1º de março”, disse a jornalista em vídeo que convida a comunidade colombiana a acompanhá-la nesta data.

“Isto não acontece apenas comigo, mas com muitas mulheres, que como eu foram vítimas. E o que estou pedindo a vocês é que, por favor, não me deixem sozinha, que me acompanhem neste dia”, adicionou Bedoya. Ela pede que quem possa ir à audiência vá, e que os que não estão na cidade a acompanhem nas redes sociais com a hashtag #Noeshoradecallar (não é hora de calar).

Bedoya Lima foi sequestrada, torturada e violada enquanto realizava um trabalho jornalístico no presídio Modelo de Bogotá no dia 25 de maio de 2000.

Nos quase 17 anos que o caso continua sem conclusão, suas investigações como jornalista, assim como as indagações do Ministério Público, indicam que pelo menos 27 pessoas estariam envolvidas no crime, segundo disse Bedoya Lima ao Centro Knight em uma entrevista de outubro de 2016.

No entanto, apenas três pessoas foram levadas à Justiça acusadas de autoria material do crime; os autores intelectuais nem foram mencionados.

Destas três pessoas, dois paramilitares foram condenados em 2016: Mario Jaimes Mejía, vulgo ‘Panadero’, e Alejandro Cárdenas Orozco, vulgo ‘J.J.’, logo após ambos aceitarem as denúncias contra eles.

Porém, Cárdenas Orozco ainda está sendo julgado, pois não aceitou uma das acusações, de violência sexual. Junto a ele está Jesús Emiro Pereira, acusado dos três delitos, informou a FLIP.

É exatamente no âmbito deste julgamento que Bedoya Lima voltará a prestar depoimento frente a seus supostos agressores.

“O promotor que estava ciente do caso solicitou como prova ouvir o testemunho de Jineth em julgamento, desconhecendo previamente tanto a negativa da jornalista de se expor desta maneira, assim como as normas nacionais e internacionais que protegem as mulheres vítimas de violência sexual”, assegurou a FLIP em um comunicado.

O juiz do caso aceitou o pedido da promotoria, que também foi feito pela defesa dos ex-paramilitares. Embora a FLIP tenha questionado esta decisão, o Tribunal Superior de Bogotá confirmou-a.

Em seu vídeo, Bedoya Lima disse que estará no julgamento para criar um precedente e assim evitar que outras mulheres sejam revitimizadas em sua busca por justiça.

"Se eles estão me obrigando a sofrer essa tortura, ela tem que servir para algo. E esse algo é que a Justiça deste país nunca volte a sentar uma mulher que tenha sido estuprada na frente de seus agressores em um ambiente judicial", Bedoya Lima disse no vídeo.

A FLIP, assim como outras organizações como a Red IFEX e a Federação Colombiana de Jornalistas (Fecolper), expressou seu apoio à jornalista. Através de comunicados independentes, as instituições exigiram às autoridades que o caso avance positivamente “no sentido do reconhecimento da verdade e a condenação de todos os autores materiais e intelectuais envolvidos, incluindo todos os funcionários e ex-funcionários do Estado”, como exigiu a rede IFEX.

"O sistema de justiça colombiano falhou novamente para Jineth e vítimas de violência sexual", disse a FLIP. "Em 17 anos de investigações, várias evidências foram extraviadas, testemunhos fundamentais foram feitos tardiamente e, em geral, a ausência de verdade cobriu o caso. Além de tudo isso, agora eles forçam a jornalista a repetir o que já está no registro. Desta forma, a impunidade se perpetua e a busca da verdade é prejudicada, e a jornalista e a liberdade de imprensa são diretamente afetadas ".

O caso de Bedoya também foi apresentado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), à qual a FLIP pediu que se pronuncie de forma substantiva sobre a investigação, ou sejam, que decida se o caso deve chegar até a CIDH.








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