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Correspondente assassinada em Chihuahua é o terceiro jornalista mexicano morto no mês de março



A jornalista Miroslava Breach Velducea, de 54 anos, foi assassinada na manhã de 23 de março com ao menos quatro tiros na cabeça. A jornalista saia de casa em seu carro, na capital do estado de Chihuahua, no México, quando um  grupo de desconhecidos se aproximou e começou a disparar, segundo o jornal Norte, da Ciudad Juárez.

Miroslava Breach. (Foto tirada do Facebook).

Com a morte, já são três jornalistas mexicanos assassinados no país somente em março de 2017. Em 2 de março, Cecilio Pineda Birto, diretor do jornal La Voz de Tierra Caliente, foi assassinado no estado de Guerrero. No início desta semana, em 19 de março, o jornalista Ricardo Monlui Cabrera foi morto a tiros por desconhecidos, diante da sua família, em Yanga, no estado de Veracruz.

Sobre o assassinato de Breach Velducea, a Polícia Estatal Única (PEU) informou que o crime tinha ocorrido às 6:53 a.m. Segundo o comissário Óscar Alberto Aparicio Avendaño, na cena do crime foram encontradas três cápsulas de balas calibre 9mm, publicou o El Diario de Juárez.

O procurador-geral César Augusto Peniche declarou que a principal linha de investigação aponta para a atividade profissional de Breach como motivação para o crime, de acordo com El Diario.

Segundo o jornal, o procurador também se disse surpreso com “a forma covarde” como a mataram e afirmou que a jornalista nunca tinha pedido proteção das autoridades, nem tinha denunciado ameaças.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), através da Procuradoria Especializada para a Atenção de Delitos cometidos contra a Liberdade de Expressão (Feadle), a cargo de Ricardo Nájera, iniciou uma investigação sobre o homicídio de Breach. Para a investigação, a Procuradoria vai ter disponível um grupo de agentes do Ministério Público e peritos, informou o site Zócalo.

Com mais de 20 anos de trajetória como jornalista, Breach fazia jornalismo investigativo sobre temas políticos e de segurança. Era correspondente em Chihuahua do La Jornada, do El Diario de Chihuahua e diretora editorial do Norte de Ciudad Juárez. Também teria aberto a sua própria agência de notícias, chamada MIR, segundo El Diario.

Para o jornal Norte de Ciudad Juárez, o motivo do assassinato de Breach seria o exercício da sua profissão. Em um comovente editorial, o jornal exigiu que as autoridades, especificamente o atual governador de Chihuahua Javier Corral Jurado, garantam que este crime não fique impune e que os responsáveis sejam levados à Justiça.

“Miroslava foi uma jornalista exemplar, rigorosa na sua atividade profissional, íntegra, de grandes valores, mulher de luta. [...] Apegados aos seus ideais, hoje demandamos justiça por uma morte que não devia ter ocorrido, por uma família que ficou órfã, por uma classe profissional ferida, ameaçada pela violência criminosa e institucional”, publicou Norte de Ciudad Juárez em seu editorial.

O estado de Chihuahua atravessa atualmente uma onda de violência. Recentemente, o Exército mexicano e a Polícia Federal realizaram uma ação coordenada na serra de Chihuahua, na fronteira com os estados de Durango e Sinaloa, para tentar conter a violência, publicou Sin Embargo

Durante a administração de Corral Jurado, também foi assassinado Jesús Adrián Rodríguez, jornalista da estação Antena Radio Chihuahua, em 10 de dezembro de 2016.




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