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Jornalismo de soluções: workshop pré-ISOJ ensina a mudar o foco de reportagens sobre problemas para a solução de problemas




Em 2014, a jornalista Meg Kissinger escreveu uma série chamada “Chronic Crisis” (Crise crônica) - uma análise em profundidade do sistema de saúde mental de Milwaukee, nos Estados Unidos. Mas Kissinger não apenas escreveu sobre o problema, ela providenciou uma solução.

Solutions Journalism Network logo

Este é o objetivo principal do Solutions Journalism Network (SJN), uma organização independente sem fins lucrativos fundada em 2013, que utiliza ferramentas educativas e eventos de aconselhamento para treinar jornalistas para que eles mudem o foco das reportagens dos problemas para a solução.

Samantha McCann, diretora de comunidades do SJN, disse que os jornalistas são frequentemente capacitados para encontrar os problemas que assolam a sociedade, mas não são treinados para focar em prover uma solução para seus leitores.

“A percepção moderna sobre o jornalismo é que se trata de algo que exige a prestação de contas do poder”, disse McCann ao Centro Knight. “Se alguém abusa desse poder ou se algo está falhando, você pode reportar. Você chama atenção para isso e depois se supões que a sociedade deve reconhecer e solucionar o problema.  Mas nem sempre funciona assim, porque as sociedades precisam de modelos de mudança. Elas precisam de exemplos de sucesso sobre como agir quando algo não funciona. É aí que entra a reportagem que propõe soluções”.

McCann e sua colega Holly Wise, diretora da Journalism School Engagement do SJN, vão liderar um workshop gratuito e público para treinar os participantes para reportar matérias com soluções, no dia 20 de abril, como parte do International Symposium on Online Journalism (ISOJ) de 2017. Inscreva-se agora.

O workshop vai abordar os conceitos básicos do jornalismo de soluções e vai ensinar os participantes os passos chave para reportar matérias com soluções. O evento também vai tratar do Solutions Story Tracker, uma base de dados com ferramenta de busca com mais de 1,8 mil reportagens com o objetivo de ajudar os usuários a encontrar diferentes formas de fazer histórias baseadas em soluções.

Devido ao fato de jornalistas não estarem normalmente capacitados a buscar reportagens orientados pela solução de problemas, McCann disse que a coisa mais simples a ser feita para mudar esse hábito é se perguntar uma questão.

“A questão mais poderosa que você pode se perguntar para mudar o enquadramento de uma reportagem do foco dos problemas para o foco nas soluções é: quem faz isso melhor?”, disse Mc Cann. “Se você conseguir descobrir isso, vai ver que o que a área local pode aprender com isso”.

Mas, devido à forma com que o ciclo de notícias funciona, McCann disse que normalmente é mais fácil encontrar problemas que potenciais soluções.

“Você não ouve falar sobre o avião que não caiu”, McCann disse. “Existe uma percepção errada de que o mundo está cheio de problemas e quase completamente arruinado. Mas para cada problema na existência já há alguém trabalhando para encontrar uma solução”.

Story Tracker, Solutions Journalism Network

Se os jornalistas puderem começar a mudar a forma com que eles abordam suas histórias, McCann acredita que eles vão conseguir aumentar seu impacto.

“O jornalismo é uma fonte de informação, e se você está oferecendo histórias que as pessoas podem utilizar para fazer mudanças efetivas em suas comunidades, pode ser uma coisa muito poderosa”, disse McCann.

Usando a série Chronic Crisis de Meg Kissinger como um exemplo, McCann disse que suas reportagens com soluções realmente trouxeram mudanças positivas. Depois de viajar para Ohio, Texas, Califórnia e Bélgica, Kissinger apresentou a seus leitores diferentes abordagens para tratar a saúde mental.

Pouco depois da publicação das reportagens, o prefeito de Milwaukee aumentou os fundos de tratamento de saúde mental e aboliu o controle político do conselho de políticas de saúde mental, transformando-o em uma entidade não-partidária, com especialistas em saúde mental como integrantes.

“Meg Kissinger disse que as reportagens com soluções foram a chave absoluta para causar o impacto”, disse McCann. “Ao invés de destacar o que não estava funcionando, ela incluiu um componente de elementos que estavam funcionando para dizer ‘podemos ir além, podemos sair dessa”.

De acordo com o SJN, Kissinger disse que incluir potenciais soluções às histórias foi o que ajudou a comunidade a seguir caminhando para resolver o problema.

“Uma coisa é falar sobre problemas, e existem muitos no Sistema de Saúde Mental do condado de Milwaukee. Mas o valor real para os leitores vem de saber como outra comunidade enfrenta o problema e de transformar algo”, disse Kissinger.

Um dos principais desafios ao reportar essas histórias simplesmente se resume ao tempo. Holly Wise disse que, uma vez que os jornalistas geralmente operam com base em um deadline, é mais difícil priorizar encontrar e reportar uma solução. Mas, além disso, Wise disse que os problemas, não as soluções, são os que ganham manchetes.

“Existe mais ênfase em problemas e não é culpa de nenhum jornalista em particular, é apenas a forma que fomos treinados”, disse Wise. “Temos um ditado em inglês, if it bleeds, it leads (se sangra, vira manchete). As soluções podem ser às vezes apenas um sussurro que é difícil de escutar em meio ao ruído dos problemas que ficam gritando”.

Mas depois que o SJN começou a pesquisar o desempenho das reportagens com soluções, Wise disse que eles descobriram que as soluções chamam tanta atenção quanto os problemas.

“Pesquisas iniciais apontam que há maior engajamento”, disse Wise. “Observamos um nível mais alto de engajamento entre nossos leitores e nosso público, e esta é uma das razões pelas quais fazemos este trabalho é inspirar engajamento e provocar impacto”.

Na organização, Wise trabalha frequentemente com estudantes ou professores para ensinar o jornalismo de soluções. Com essa nova geração de jornalistas, Wise disse que a ideia das reportagens com soluções é algo com os quais os jovens realmente têm uma conexão.

“[Jornalismo de soluções] realmente têm um impacto com os estudantes de jornalismo, porque grande parte deles têm muito interesse em como usar suas habilidade de narrativa para ter um impacto no mundo.”, disse Wise. “Esta é uma ótima maneira para que eles mostrem suas habilidades enquanto fazem a diferença”.








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