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Editora do Vox Media Melissa Bell implora que jornalistas trabalhem juntos para resolver problemas da indústria




A indústria jornalística precisan desesperadamente de mudanças, segundo a editora do Vox Media Melissa Bell, durante a sua palestra no dia 22 de abril do 18 Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ).

Keynote speaker Melissa Bell of Vox Media talks about problems facing the journalism industry. (Mary Kang/Knight Center)

Quando Bell cofundou o Vox.com em 2014, ela disse que eles estavam convencidos de que seriam a resposta ao sistema de notícias falido que eles viam ao redor. Mas depois das eleições de 2016, ela disse ter percebido que não eram o suficiente.

"As coisas não estão bem", disse Bell. "Em 2017, nós começamos com uma administração presidencial que chama a imprensa de partido de oposição. Nós vimos a ascensão de produtores de notícias falsas que construíram negócios fortes na Europa e nos Estados Unidos. Nós também tivemos veículos sérios debatendo se eles podiam chamar uma mentira de mentira”.

Bell disse ainda que os problemas contra os jornalistas só aumentaram: de desenvolver histórias para acomodar diversas novas plataformas, como a Amazon Echo ou equipamentos de realidade virtual, até a credibilidade em queda entre os leitores. Segundo Bell, os veículos não estão fazendo o suficiente para recuperar o terreno.

“Nós estamos tendo que descobrir uma mudança em um ritmo que nós nunca vimos antes", disse Bell. "A nossa indústria está com o cobertor curto. Nós estamos ansiosos e no fio da navalha, com grandes ameaças ao nosso negócio… Eu recomendo que a gente fique com raiva".

Quando Bell percebeu que o Vox não tinha resolvido todos os problemas que ela e os outros cofundadores tinham decidido enfrentar, ela disse ter ficado com raiva.

“Nós sabíamos que tinham problemas, nós sabíamos que tinha um serviço que nós não estávamos oferecendo como indústria de notícias, e nós decidimos resolver isso criando o Vox", disse Bell. “Mas a indústria de notícias continua totalmente falida. Eu não tinha resolvido isso. Nós sabíamos que o problema existia, mas não estávamos fazendo o suficiente. A indústria de mídia não estava reagindo rápido o suficiente".

“Nós precisamos nos manter sérios sobre os problemas que nós temos, nós precisamos começar a nos questionar realmente todos os dias e pensar: ‘O que nós podemos fazer para melhorar as coisas?’”

Bell ofereceu algumas soluções, sugerindo que a indústria inteira unisse forças para resolver esses problemas e começasse a focar em uma audiência que cada vez mais desconfia de veículos de notícias e não presta mais atenção como antigamente.

“Nós precisamos começar a tratar as nossas audiências não como trolls cínicos e combativos, mas como pessoas sérias, que estão se esforçando muito para tentar entender o mundo ao redor em um ambiente esmagador de notícias", disse Bell. "Nós precisamos parar de esperar que a audiência volte para nós. Nós também precisamos parar de culpar a audiência por não verem as notícias, como se fosse um dever cívico se engajar conosco. É na verdade o nosso trabalho tornar as notícias interessante".   

Lembrando de um passado em que ABC, NBC e CBS eram as únicas emissoras do país, Bell disse que os jornalistas se acomodaram e começaram a se ver como "donos da verdade e não como pessoas que buscam a verdade". Eles pararam de confrontar o seu próprio lado tendencioso e muitas vezes esperavam que as pessoas confiassem cegamente neles.

Keynote speaker Melissa Bell of Vox Media discusses the journalism industry with moderator Jeff Jarvis, professor at CUNY. (Mary Kang/Knight Center)

Isso precisa parar, ela afirmou, para que a gente consiga a audiência de volta. Ela disse também que os jornalistas precisam colaborar, além de pensar sobre quais são as necessidades dos seus leitores e quais delas os jornalistas não estão atendendo.

“A notícia é um produto,” disse Bell, concordando com o seu entrevistador Jeff Jarvis, diretor do Tow-Knight Center for Entrepreneurial Journalism at CUNY. Jarvis prontamente acrescentou que ele na verdade odiava o termo "produto" e preferia "serviço", e Bell concordou.

“Se nós não estamos pensando na notícia como produto, então nós vamos perder parte dela. Eu acho que o processo de desenvolvimento de produto é questionar o usuário em primeiro lugar. Qual é a necessidade? Onde está o buraco no mercado? O que eu posso oferecer nisso?"

Provocada por Jarvis, em tom de brincadeira, a “salvar” os jornais americanos, Bell disse que as redações devem chegar ao leitor onde ele está, encarando o jornal como apenas outra plataforma de uma empresa de mídia, ao lado de podcasts, blogs, vídeos e campanhas de mídias sociais.

“Todas são plataformas onde você coloca conteúdo”, disse Bell. “Você tem uma equipe dedicada para planejar o jornal, mas todo mundo é responsável por criar boas histórias. Você precisa impedir completamente as pessoas de pensarem que A1 é sinônimo de sucesso.”

O 18 ISOJ ocorreu em Austin entre 21 e 22 de abril. A palestra de Bell e todas as outras apresentações estão no YouTube, no Facebook Live e, em breve, no site http://isoj.org.




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