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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Jornalistas da Ibero-América compartilham projetos de inovação no Colóquio do Centro Knight sobre Jornalismo Digital



(Este artigo cobre a metade dos jornalistas que falaram no colóquio. Consulte nosso site para obter cobertura adicional).

A inovação está abrindo cada vez mais caminhos na mídia tradicional e digital no mundo de língua espanhola, graças a interessantes projetos jornalísticos na América Latina e na Espanha, que gradualmente encontraram formas de enfrentar os desafios de tecnologia e de financiamento.

10º Colóquio Ibero-Americano de Jornalismo Digital (Mary Kang/Knight Center)

Esta é a visão dos jornalistas que participaram do 10º Ibero-American Colloquium on Digital Journalism (Colóquio Ibero-Americano de Jornalismo Digital), celebrado no dia 23 de abril com o apoio do Google Latin America, na conclusão do 18º International Online Journalism Symposium (ISOJ) na Universidade do Texas em Austin .

Mais de 20 representantes de sites nativos digitais e da mídia tradicional que fez a transição para a Internet apresentaram suas iniciativas inovadoras. Alguns deles focaram as apresentações nos resultados obtidos nos últimos meses e outros nos modos pelos quais financiaram seus projetos.

A pesquisa multiplataforma ocupa muito espaço na lista de projetos desenvolvidos no ano passado em territórios de língua espanhola. Um exemplo é “Vacaciones en Aguas de Nadie” (Férias em Águas de Ninguém), apresentado por Nathalie Alvaray, diretora editorial da Univision Noticias Digital.

O projeto é uma investigação concebida para dispositivos móveis sobre a realidade por trás da indústria de cruzeiros nos Estados Unidos. O resultado inclui grandes reportagens, gráficos animados, vídeos e infográficos, gerou 180 mil visitas e ganhou o Prêmio Ortega y Gasset pela Melhor Cobertura Multimídia.

"Não é um sucesso de tráfego, é um sucesso de inovação, de espaço para experimentação e para trabalho em equipe", disse Alvaray. "Muitos dos processos que criamos para fazer este trabalho são usados hoje na redação."

Outro caso bem-sucedido de um projeto multiplataforma é “Geografía del Dolor” (Geografia da Dor), apresentado pela jornalista mexicana Mónica González, da Red de Periodistas de a Pie. O trabalho mostra um mapeamento de reportagens sobre violência coletadas durante uma viagem a áreas do México atingidas pelo crime.

Mónica González palestra no 10º Colóquio Ibero-Americano de Jornalismo Digital (Mary Kang/Knight Center)

"O objetivo era reunir testemunhos do que não estava sendo dito e ir diretamente a esses lugares para perguntar às pessoas o que estava acontecendo com eles em sua essência", disse González. "A questão é o que importa; o meio ou o mensageiro podem ser qualquer uma das ferramentas para alcançar o maior público".

"Geografia da Dor" também inclui um vídeo-documentário e galerias de fotos. Uma exposição e um livro também foram resultados do projeto.

Jornalismo de dados também foi um tema recorrente presente durante o apresentações do Colóquio, como a de Sandra Barrón, uma Knight Visiting Nieman Fellow de 2017 do México, que desenvolveu um Padrão de Dados para Pessoas Desaparecidas.

O projeto consiste em uma plataforma de informações sobre pessoas sumidas, independentemente da causa. A plataforma pretende ser útil para organizações que procuram civis em um país onde desaparecimento é um fenômeno social cercado de opacidade e desinformação.

Barrón disse que a metodologia de seu projeto, que combina critérios dos desaparecidos como identidade, biografia, genética e status de imigração, pode ser aplicado em outros países com casos similares.

Projetos como o de Barrón são a prova de que conflitos sociais são um berço para projetos jornalísticos inovadores com potencial de impacto social. Tal é o caso do venezuelano Efecto Cocuyo, que, por causa da situação política do país, tem visto a necessidade de olhar para opções inovadoras de cobertura e financiamento.

Laura Weffer, co-fundadora e diretora editorial do site, compartilhou como o Efecto Cocuyo encontrou no Periscope uma forma inovadora e poderosa de cobrir as múltiplas manifestações que ocorreram no país sul-americano nos últimos meses.

Laura Weffer do Efecto Cocuyo palestra no Colóquio Ibero-Americano de Jornalismo Digital (Mary Kang/Knight Center)

"Os protestos na Venezuela têm desencadeado a criatividade das pessoas, e é por isso que o Efecto Cocuyo tem que ser criativo e inovar", disse Weffer. "O Periscope tem funcionado para nós para superar a censura, e nós interagimos com as pessoas em tempo real. Isso nos dá uma vantagem quando se trata de cobertura".

Esse tipo de envolvimento do público nas redes sociais é algo que todos os meios de comunicação na América Latina estão procurando. A jornalista colombiana Juanita León, diretor do site de jornalismo investigativo La Silla Vacía, salientou que uma das fórmulas que os meios de comunicação têm usado para conseguir isso pode ser visto no projeto “Cadenas Chequeadas” (Cadeias checadas), que verifica a autenticidade das notícias que circulam em canais do WhatsApp.

"É incrível como muitas mentiras circulam [por WhatsApp]", disse León. "“Cadenas Chequeadas” é uma maneira de chegar até onde as conversas estão acontecendo e interagir com a informação que as pessoas realmente interagem."

León disse que o site conseguiu renovar patrocínios com as marcas que financiam a seção "La Silla Llena", em que se desenvolvem redes de investigações temáticas, ainda que o custo desses patrocínios tenha aumentado 30%.

Agustín D'Empaire, gerente de plataformas digitais para o Canal ElTrece na Argentina, falou sobre a estratégia de mídia social implementada pela empresa, que resultou em uma audiência de 70 milhões de visualizações mensais apenas no Facebook.

A estratégia do ElTrece para criar uma comunidade inclui a produção de uma grade de conteúdo exclusivo para as redes social. D'Empaire disse que, a fim de decidir sobre o conteúdo, eles identificam as questões que são tendências no momento.

Agustín D’Empaire, diretor de redes sociais do Canal ElTrece na Argentina, fala sobre estratégias de mídias sociais. (Mary Kang/Knight Center)

"Trabalhamos com um curso de ação para detectar quais tópicos de conversação são relevantes nas redes. Usamos ferramentas como o Webtrends," disse. "Produzimos peças para as redes que têm sua própria narrativa."

ElTrece, que pertence à Artear, do Grupo Clarín, é apoiado por uma empresa de mídia que tem a infraestrutura necessária para realizar projetos. Do outro lado, a mídia digital independente está constantemente à procura de modos de financiamento criativos e inovadores.

Um caso foi apresentado no Colóquio foi o da porCausa, organização sem fins lucrativos que visa a promover jornalismo investigativo e apoiar os produtores de reportagens sobre problemas sociais como a pobreza, a desigualdade e a migração.

Lula Rodríguez-Alarcón, diretora da fundação, disse que a organização é financiada por meio de crowdfunding e de doações de parceiros que estejam interessados em promover as questões abordadas nas reportagens.

"Criamos esta fundação como uma reação ao empobrecimento do jornalismo que estava sendo feito na Espanha em questões sociais. Buscamos ser um apoio para quem quer trabalhar em questões sociais e criamos todo um sistema para ajudar os jornalistas" disse Rodríguez-Alarcón, que acrescentou que o apoio varia da edição à orientação sobre os temas.

A fim de desenvolver seus projetos, porCausa trabalha em colaboração com universidades na Espanha e importantes meios do países, como El País e eldiario.es.

Colaborações de meios entre si e com instituições também é um problema crescente na América Latina. Mídias digitais comoConvoca, do Peru, são um bom exemplo disso. O diretor do site, Milagros Salazar, disse que sua aposta é a de fazer alianças em projetos de jornalismo investigativo sobre os assuntos que podem gerar mudanças.

O jornalista destacou nos últimos Isso meses, eles tiveram colaborações de sucesso em questões de corrupção política, como a rede de corrupção da Lava Jato e os Panama Papers. Além disso, o site lançou recentemente podcasts e uma oficina de produção em sua plataforma.

"Enquanto medimos a audiência dos produtos que desenvolvemos, medimos também o impacto das mudanças com as quais podemos contribuir", disse Salazar. "Nossa aposta é a de duplicar o bom e aprender com o que não funciona. Trabalhamos com desenvolvimento colaborativo porque é o que nos permite sermos sustentáveis, não só em termos financeiros, mas também em um nível humano."

Na América Latina, a colaboração não ocorre apenas entre os meios de comunicação. Diante da redução das redações e das crises econômicas na mídia, jornalistas independentes estão cada vez com mais oportunidades de participar em projetos relevantes, de acordo com Juan Pablo Meneses, um jornalista chileno e Knight Fellow na Stanford University.

Juan Pablo Meneses, Knight Fellow na Stanford University, apresenta os resultados do Censo de Periodistas Freelance en Español. (Mary Kang/Knight Center)

Meneses apresentou resultados do Censo de Jornalistas Freelancers em Espanhol, que visa a criar um banco de dados com informações sobre a identidade, idade, renda e trabalhos feitos por jornalistas independente. O censo conta com informações de 1.200 jornalistas de língua espanhola da América Latina e dos Estados Unidos.

"É claro que há mais e mais jornalismo freelance em espanhol. Grandes corporações estão cada vez mais trabalhando com freelancers, mas não sabemos quem são esses jornalistas, o que fazem, como eles mudaram", disse Meneses, que descobriu que existe uma tendência entre os jornalistas freelance a quererem permanecer independentes, sem procurarem se juntar a uma organização de mídia.

Entre os jornalistas que vieram para o Colóquio Ibero-Americano de Jornalismo Digital pela primeira vez estava Silvia Ulloa, diretora do jornal digital da Costa Rica CRhoy.com.

A jornalista disse que o site de notícias, que tem uma equipe de 10 jornalistas multifuncionais, conseguiu consolidar-se como um meio de comunicação de referência com sua cobertura no país, graças a investigações que têm impactado a sociedade ou levaram à derrubada de políticos.

Um exemplo disto é o trabalho que revelou fraudes fiscais dos dois meios mais importantes da Costa Rica.

"Para o CRhoy.com era importante gerar uma massa crítica para nos seguir, e era importante nos posicionarmos no mercado", disse Ulloa. "Triunfamos sobre 70 anos de mídia tradicional, experiência, marca e poder".








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