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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Recém-graduado em Jornalismo é morto durante protestos em Caracas




A comunidade de jornalistas da Venezuela pede justiça para o jovem comunicador social Miguel Castillo, morto durante um protesto recente em Caracas.

Castillo, 27, morreu após ser atingido no braço por um objeto redondo que se alojou em seu peito, no dia 10 de maio. A Guarda Nacional Bolivariana (GNB) estava reprimindo os manifestantes na área, que estavam reunidos para marchar até a Corte Suprema, de acordo com o Crónica Uno. No entanto, gás lacrimogêneo e balas detiveram os protestos.

Castillo havia se formado há dois meses na Universidad Santa María, com um diploma em Comunicação Social. Um colega de classe e um ex-professora disseram ao Crónica Uno que o sonho dele era ser jornalista esportivo.

No velório do jovem, no dia 11 de maio, sua irmã, Luisa Castillo, disse que “Miguel tinha um coração maior que seu corpo. Ele era único, especial, solidário”, reportou o El Estímulo. Uma amiga, Brunella Elizondo, disse que “ele sempre protestou. Não dá para parar um furacão, um ser tão ativo. Se ninguém queria fazer algo, ele ia e fazia. Ele não ficava calado sobre injustiças”, adicionou o site.

O Ministério Público anunciou no Twitter que duas procuradorias vão investigar a morte de Castillo.

O Defensor do Povo, Tarek William Saab, disse que também apontou uma comissão para investigar o caso.

O integrante da Assembleia Nacional Diosdado Cabello disse que a GNB e a Polícia Nacional Bolivariana (PNB) não estavam presentes na cena da morte e que as duas corporações não são responsáveis pelo ocorrido, de acordo com o site Efecto Cocuyo. Cabello também é vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), mesma sigla do presidente Nicolás Maduro.

Castillo se tornou outro representante da crise mortal na Venezuela, que deixou 46 mortos no contexto dos protestos.

Apenas no dia 10 de maio, a ABC News informou que ao menos 93 pessoas ficaram feridas em Caracas. A corporação comunicou ainda que, além dos guardas nacionais que jogaram gás lacrimogêneo durante os protestos da quarta-feira, “um grupo de milicianos pró-governo atacou os manifestantes enquanto eles tentavam marchar para a Corte Suprema”.

Em memória de Castillo, estudantes universitários e outros cidadãos marcharam no dia 11 de maio para o lugar onde o jovem foi morto e celebraram uma missa no local, reportou o Efecto Cocuyo. O site informou que a mãe de Castillo, Carmen Elena Bracho, disse que “tudo que o Miguel queria era um país livre, onde ele pudesse exercer sua profissão de comunicador social. Era tudo que ele queria, e vendo por outro lado, eles mataram ele. Quero exigir justiça, e que o governo, por favor, pare com a repressão. Eles estão matando venezuelanos, jovens venezuelanos”.

No dia 9 de Maio, Marco Ruiz, secretário-geral do Sindicato Nacional de Trabalhadores de Imprensa (SNTP), disse à Assembleia Nacional que os jornalistas que cobriam os protestos estavam sofrendo agressões dos agentes de segurança.

Enquanto a repressão contra a manifestação pacífica aumentou, a repressão contra os jornalistas e a mídia também aumentou. A pessoa que reprime não quer deixar uma marca da força excessiva que está usando, não quer deixar evidência para o mundo de sua imagem como violador de direitos humanos”, disse Ruiz, de acordo com El Noticiero Digital.

O SNTP tem reportado e postado fotos de agressões contra jornalistas em seu perfil no Twitter. A organização publicou a morte de Castillo e expressou solidariedade pela família do jovem jornalista.

Após a morte de Castillo e de outros ataques contra jornalistas nos protestos do dia 10 de maio, a Associação Nacional de Jornalistas (CNP) da Venezuela disse que “a escalada de violência contra os jornalistas é inaceitável”. Em um comunicado à imprensa, o grupo declarou que a polícia ataca não apenas os manifestantes, como também os jornalistas. No entanto, a CNP disse que os ataques também vêm de pequenos grupos de manifestantes, “porque na opinião deles, a mídia não transmite fielmente as informações sobre os eventos na Venezuela”.

“É importante que os cidadãos comuns entendam que todo jornalista sai às ruas à procura de notícias”, escreveu a CNP.








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