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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Mongabay América Latina completa um ano com mais de 500 reportagens sobre problemas ambientais publicadas



Derramamentos de petróleo na Amazônia, povo indígenas lutando por seus territórios nativos, áreas protegidas ameaçadas pela exploração de petróleo e pela atividade de mineração ilegal, o grande impacto da atividade pecuária nas florestas de áreas protegidas e desastres naturais foram os temas mais lidos pelos leitores do site Mongabay-Latinoamérica em seu primeiro ano.

Da esq. para a dir.: Joaquín Ortiz (editor), Lorena Flores (estratégia digital), Milton López (redator), Rhett Butler (fundador e CEO do Mongabay), María Isabel Torres (diretora do programa), Alexa Vélez (editora) e Romina Castagnino (tradutora) Foto: Mongabay

Desde o dia 1º de junho de 2016, quando o site web do Mongabay Latam começou a publicar histórias sobre problemas ambientais e de territórios de populações indígenas na América Latina, já foram publicadas mais de 500 reportagens.

Mongabay Latam é o segundo capítulo internacional do site original Mongabay, criado pelo jornalista Rhett Butler em 1999 nos Estados Unidos. O primeiro capítulo fora do país foi o Mongabay Indonesia, em 2012.

Butler começou o próprio site de notícias a partir das dificuldades que encontrou em meios tradicionais para publicar notícias ambientais. 

Em 2012, além de abrir o Mongabay Indonesia, Butler fundou uma organização sem fins lucrativos, Mongabay.org, para facilitar o desenvolvimento de novas iniciativas de jornalismo e educação para aproveitar a rede, o tráfego e a reputação do Mongabay. A renda publicitária do site de notícias financia a organização.

A respeito do Mongabay.org, o site afirma: “Nosso objetivo é aumentar a conscientização sobre temas sociais e ambientais relacionados com as florestas e outros ecossistemas". Também se deixa claro que Mongabay não é uma organização ativista. "Não participamos de campanhas nem adotamos 'posturas' a respeito dos temas", diz a página web. 

Sobre a abertura do Mongabay Latam, Butler disse em entrevista ao Centro Knight: “A América Latina possui a maior biodiversidade que se possa ter qualquer região do mundo e, no entanto, perde a maior quantidade de áreas de habitats a cada ano, tornando-se uma prioridade crítica e absoluta para todos os esforços de conservação a nível global. Portanto, tem sido extremamente gratificante ver o grande interesse que nossas reportagens sobre notícias ambientais no Mongabay-Latam têm suscitado”.

A cada semana, o site publica em média 12 notícias. Três delas são notas que vêm da página web do  Mongabay nos EUA, traduzidas ao espanhol, e entre 8 e 10 são reportagens originais da América Latina.

Tanto no Mongabay dos EUA, como no da Indonésia e da América Latina, o objetivo é seguir fazendo jornalismo de profundidade sobre temas ambientais em todo o mundo.

“Fazemos textos de 2.500 a 3.000 palavras, nossos textos não são curtos. Não interessa renunciar a este estilo porque queremos abordar os temas e os problemas a fundo, considerando ter pelo menos 5 fontes para que a reportagem seja balanceada, seguindo a metodologia jornalística. Também queremos sempre destacar que não fazemos ativismo, mas sim jornalismo”, disse uma das editores da Mongabay Latam, Alexa Vélez Zuazo ao Centro Knight.

Mongabay se especializou em ser um site ambiental e científico. “E o fato de poder ter repórteres na zona onde ocorrem os fatos enriquece a reportagem”, disse ao Centro Knight Marisabel Torres, jornalista peruana, que atualmente é a diretora do programa Mongabay-Latam.

Tanto nos EUA, quanto na Indonésia quanto no Peru, onde são editadas as reportagens latino-americanas, Mongabay não tem um escritório convencional. Neste sentido, os editores servem como uma "espécie de nó" para buscar correspondentes que queiram colaborar com seu site, contou Torres.

Os jornalistas peruanos Alexa Vélez Zuazo e Joaquín Ortiz são os editores em Lima. Eles gerenciam um grupo de 40 correspondentes independentes em toda América Latina, e contam com apenas um repórter fixo no Peru, Milton López.

Para Vélez Zuazo, o interessante de trabalhar como editora no Mongabay Latam é que ela pode obter uma visão panorâmica dos problemas ambientais que afetam toda a região.

Por exemplo, disse Vélez Zuazo, “quando fazemos reportagens regionais especiais – que fazemos com que sejam quatro ao ano – podemos ver como um mesmo tema afeta seis ou sete países, e podemos ver qual o problema em cada um deles a nível de políticas públicas, etc. Podemos ver o que se está sendo feito e o que não está funcionando. Mas podemos encontrar muitas coincidências (como região)".

Para as reportagens especiais, eles costumam fazer um esquema de trabalho e uma lista de pautas que enviam ao jornalista colaborador. Desta maneira, conseguem ter uma reportagem coerente com a colaboração de vários repórteres independentes, conseguindo dados comparativos de vários países sobre um mesmo tema.

No primeiro ano, foram publicados especiais sobre tráfico de fauna silvestre, mineração ilegal e espécies animais emblemáticas ameaçadas. Atualmente, a equipe trabalha em uma história sobre pecuária e desmatamento em áreas protegidas da América Central.

Alertas ambientais como os enviados pelo Global Forest Watch, e Monitoring of the Andean Amazon Project (MAAP), da organização sem fins lucrativos peruana Asociación para la Conservación de la Cuenca Amazónica (ACCA), ajudam os jornalistas a encontrarem pautas inéditas sobre problemas ambientais que não foram abordados pela mídia.

“Existem muitos satélites agora gerando alertas ambientais diariamente. Por exemplo, recentemente recebemos um com coordenadas de GPS, sobre um ponto de desmatamento por cana de açúcar na Bolívia. Nosso correspondente foi à área e efetivamente encontrou um desmatamento que ninguém tinha denunciado, porque isso geralmente acontece em lugares afastados", disse a editora Vélez Zuazo.

A página de Mongabay Latam é mais um tipo de plataforma que oferece aos jornalistas independentes que cobrem meio ambiente um lugar para publicar suas histórias. O site não tem ainda muita inovação  tecnológica, como o uso de mapas interativos ou de jornalismo de dados, mas a equipe espera incorporar logo todas estas ferramentas, a fim de chegar a um público maior e criar mais consciência sobre os problemas ambientais da região, explicou Torres, diretora para a América Latina.

“O que também fazemos é publicar nossas histórias sob a licença Creative Commons, para que qualquer um possa utilizá-las, nos citando como autores", disse Torres.

Site web do Mongabay Latam

As relações e alianças com outros meios e blogs da região continuam crescendo.

Mongabay Latam tem, no Peru, uma seção especial no site web da corporação de rádio Radio Programas del Perú (RPP), no blog LaMula, no site da revista Viajeros e no jornal Publimetro.

Com o Publimetro - um diário do conglomerado de meios peruano Grupo El Comercio, com publicação em vários outros países da região - o site tem um espaço semanal tanto físico como digital. Até hoje, foram publicadas seis reportagens em conjunto, adaptando os textos originais ao formato do jornal.

O site também tem uma colaboração especial com: El Espectador e Semana Sostenible, ambos da Colômbia, a revista Nómada e o site Plaza Pública, ambos da Guatemala, o jornal La Estrella de Panamá e a revista Pacific Standard, dos EUA.

“Estamos em negociação com El Deber, da Bolivia, e queremos conseguir uma aliança com El Faro, de El Salvador. Também estamos trabalhando em algumas histórias com Lado B, do México”, explicou Torres.

O financiamiento vem basicamente de fundações interessadas em promover e difundir reportagens sobre notícias ambientais e povos indígenas nativos. A Fundação Ford, a Fundação Gordon e Betty Moore, a Fundação Leonardo DiCaprio fazem parte da lista de doadores.

Butler, criador do Mongabay, comentou que está muito impressionado com o trabalho da equipe na América Latina e com a resposta do público às reportagens publicadas.

“Também tem sido muito emocionante ver que nossa rede de correspondentes se expandiu a vários países do Sul e do Centro da América. Espero que esta tendência continue e chegue a países onde atualmente não temos nenhuma presença”, concluiu Butler.








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