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Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo comemora 15 anos em congresso com participação recorde



Os 977 participantes do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado entre os dias 28 de junho e 2 de julho, marcam um recorde para a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) em seus 15 anos de fundação.

 

Criada para o aprimoramento profissional dos jornalistas e a difusão de conceitos e técnicas de reportagem investigativa, a associação comemorou seu maior congresso até agora, com mais de 70 painéis e 150 palestrantes em São Paulo.

 

“Nós saímos com a vontade de ser jornalista, de fazer boas matérias e fazer melhor. Eu vivi isso pela primeira vez há dez anos, em um congresso como este, e tive a certeza de que queria ser jornalista mesmo”, disse Thiago Herdy, presidente da Abraji, segundo a associação.

 

Os temas de debate incluíram jornalismo de dados, investigação de empresas, modelos de negócios, cobertura de educação, empreendedorismo, gênero no jornalismo, entre outros. A atração principal ficou por conta do editor do jornal americano Washington Post, Martin Baron, em encontro mediado pelo fundador e diretor do Centro Knight, Rosental Calmon Alves.

 

Baron disse que o Post está se tornando, além de “apenas um jornal”, uma empresa de tecnologia e informação – o americano anunciou a contratação de 30 profissionais para a produção de vídeo. O editor afirmou ainda que a imprensa americana enfrenta a maior pressão desde a época de Richard Nixon e, ainda assim, o atual presidente Donald Trump utiliza uma linguagem ainda mais pesada contra os jornalistas.

 

O evento também serviu de plataforma para  o anúncio do projeto Tim Lopes, homenagem ao repórter sequestrado, torturado e assassinado em 2002. O caso, que completou 15 anos em junho, marcou a imprensa brasileira e motivou a criação da Abraji. Agora, a organização pretende estabelecer ainda este ano um protocolo de reação rápida às eventuais mortes de outros colegas.

 

O objetivo é que, toda vez que um jornalista for assassinado ou impedido de exercer sua profissão no Brasil, seja montado um pool de repórteres experientes de diferentes veículos para cumprir duas missões: investigar e reportar sobre a morte do colega e dar continuidade ao trabalho interrompido.

 

“Queremos mostrar que não se pode matar jornalistas no Brasil. É importante que a cidade que receber estes jornalistas saiba que ‘o Tim chegou’, que a imprensa está ali e que é uma instituição forte. Isso pode servir de inspiração para o enfrentamento da violência contra a imprensa em outros países”, disse Herdy ao Centro Knight.

 

Uma primeira fase do projeto, ainda em produção, são documentários sobre outros quatro casos emblemáticos de mortes de jornalistas brasileiros. As reportagens realizadas por Bob Fernandes e pela equipe do documentarista João Wainer devem ser lançadas no segundo semestre deste ano.

 

Tania Lopes, irmã de Tim Lopes, e Thiago Herdy, presidente da Abraji, falam sobre o novo projeto Tim Lopes para jornalistas. (Alessandra Monnerat/Knight Center)

A associação quer marcar presença principalmente em regiões afastadas dos grandes centros do país, onde acontece a maioria dos assassinatos de trabalhadores de imprensa. O Brasil é o décimo país mais mortífero para jornalistas no mundo, segundo o ranking do Comitê para Proteção dos Jornalistas.

 

O projeto é uma ideia do jornalista Marcelo Beraba, primeiro presidente da Abraji, inspirado pelo Projeto Arizona, da organização americana Investigative Reporters and Editors (IRE). A  iniciativa original surgiu em reação ao assassinato do repórter Don Bolles, em Phoenix, Arizona, em 1976.​

 

Para Beraba, a viabilização de um projeto como o Tim Lopes denota o crescimento da Abraji e, consequentemente, a melhoria da formação de jornalistas brasileiros e da cultura de colaboração entre redações do país. 

 

“No começo da Abraji, não tínhamos condições de fazer um projeto como esse. Tínhamos o problema do financiamento, de não haver cultura de colaboração nas redações. E repetir no Complexo do Alemão [favela do Rio de Janeiro onde Tim Lopes foi morto] o projeto do Arizona seria um risco irresponsável. A associação então buscou melhorar a qualidade da nossa formação, defender a liberdade de expressão e a liberdade do acesso à informação”, disse Beraba ao Centro Knight.

 

O 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo contou com o apoio do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas.








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