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'Poucas coisas podem ser mais eficientes em silenciar a mídia do que um furacão': Irma e Maria no Caribe




Eles conseguiram trabalhar protegendo a antena do transmissor e cobrindo as janelas de suas redações com madeira compensada. Compraram bastantes alimentos e água, para durar vários dias. Voluntários foram convocados para render os funcionários exaustos quando eles já não puderam mais permanecer acordados ou tiveram que cuidar de suas próprias famílias e casas.

Uma foto da série Eye on the Storm, uma colaboração entre AMC, CMC e CDEMA, mostra a destruição em Mahaut, em Dominica. (Cortesia)

Em menos de duas semanas, jornalistas e comunicadores no Caribe resistiram a dois furacões com ventos e chuvas tremendas que tiraram muitos do ar e trancaram outros dentro de casa. Para complicar as coisas, muitos tiveram que se preparar para o furacão Maria enquanto este chegava logo após a passagem do Irma.

"Como passamos por isso todos os anos, a maioria dos países está muito bem preparada para um determinado nível", disse Wesley Gibbings, presidente da Associação dos Trabalhadores de Mídia do Caribe (ACM, na sigla em inglês), ao Centro Knight. "Mas essa intensidade e mais de um [furacão]... Bem, talvez os especialistas possam lembrar alguma ocasião num passado distante, mas na memória viva, ninguém havia passado por isso".

Agora, depois da passagem destas tempestades, estão surgindo histórias sobre como os jornalistas e os trabalhadores da mídia no Caribe se saíram e o que é necessário para eles se recuperarem.

Há a história de uma pequena equipe de cinco pessoas ficou para trás na Rádio Anguilla 95.5 FM, que foi a única estação a permanecer no ar em Anguilla, bem como nas porções francesa e holandesa de St. Maarten, durante a tempestade. Quando perderam a antena principal no auge do furacão, elas construíram outra um pouco menor para que pudessem voltar ao ar, como o jornalista Keithstone Greaves contou a Wesley Gibbings.

Algumas estações, como Abundant Life Radio e The Barbuda Channel, localizadas na ilha do mesmo nome, abrigaram os moradores enquanto a tempestade castigava do lado de fora.

"As pessoas começaram a correr na rua pedindo ‘ajuda, ajuda, ajuda’ e perguntando se havia algum espaço, então tivemos que começar a deixar pessoas entrar pela janela e depois eu corri pela rua tentando ajudá-las", disse o Pastor Clifton Francois, proprietário e operador da estação, à jornalista Anika Kentish.

A redação do The Daily Herald em St. Maarten se tornou um refúgio não apenas para os funcionários do jornal que perderam suas casas, mas também para colegas de outros veículos que não podiam mais trabalhar em suas redações.

Wesley Gibbings, presidente da ACM (Centro Knight)

"Temos lindas histórias de colaboração entre concorrentes", disse Gibbings, que estava ouvindo estes relatos graças à rede de comunicação da ACM. Foi quando ele decidiu coletar estas histórias - incluindo aquelas mencionadas acima - em uma série para mostrar os sacrifícios feitos por jornalistas durante desastres naturais.

A série Eye on the Storm (“De Olho no Furacão”) - uma colaboração entre a ACM e a Corporação de Mídia do Caribe (CMC) - conta como jornalistas de Anguilla e St. Maarten se prepararam e passaram pelos últimos furacões.

De acordo com Gibbings, os jornalistas são uma das categorias profissionais mais ignoradas após emergências, apesar do fato de que o público depende deles para alertas e conselhos antes e depois de uma crise.

"Muito pouca atenção é dada ao fato de que muitos jornalistas passam 24 horas por dia trabalhando e monitorando e tentando manter suas comunidades informadas", enfatizou Gibbings, acrescentando que as histórias serão eventualmente compiladas em uma publicação.

"Para ajudar a lembrar as pessoas que os jornalistas desempenham este tipo de papel em desastres o tempo todo", disse. "Eles permanecem resilientes. Alguns deles sofrem grandes perdas pessoais e continuam fazendo o seu trabalho ".

Ao mesmo tempo em que a ACM está coletando essas histórias, representantes da organização estão viajando pelas ilhas para avaliar as necessidades dos jornalistas e dos trabalhadores da mídia afetados.

Uma vez que visitantes não essenciais estão proibidos de entrar nas ilhas afetadas pelos furacões Irma e Maria, a CMC e a ACM estão trabalhando com a Agência de Gerenciamento de Emergência e Desastre do Caribe (CDEMA, na sigla em inglês) para levar seus jornalistas a lugares como Dominica e Tortola nas Ilhas Virgens Britânicas.

Os representantes da ACM estão ouvindo como alguns jornalistas tiveram que enfrentar a perda de suas casas e seus meios de trabalho. Água e vento destruíram antenas, alto-falantes, computadores, documentos e outros instrumentos usados pelos comunicadores.

Angela Burns, uma comunicadora em Tortola, perdeu sua casa e sua estação online de rádio gospel de uma só vez.

A comunicadora Angela Burns conversou com Onel Belle sobre como o furacão Irma afetou sua estação em Tortola, (Captura de tela)

"Está tudo encharcado e danificado. Então perdemos nossa estação de rádio. Perdemos tudo em nossa casa", disse Burns a Onel Belle. "Tudo simplesmente voou. Dentro [da casa] agora parece uma piscina."

Como parte de seu papel no Fórum Global para o Desenvolvimento de Mídia, Gibbings disse que tem pressionado pelo reconhecimento de desastres naturais como ameaças ao desenvolvimento da mídia.

"Muitas vezes, globalmente, prestamos atenção às circunstâncias políticas que contribuem para anular ou diminuir a liberdade de imprensa e o trabalho da mídia e parece que a comunidade da liberdade de imprensa, em todo o mundo, está focada essencialmente nos acontecimentos políticos", disse Gibbings. "Nossa experiência no Caribe, e tenho certeza de que as pessoas no Pacífico lhe contarão a mesma história, é que enfrentamos desastres naturais regularmente e poucas coisas podem ser mais eficientes em silenciar um veículo de mídia do que um furacão ou um terremoto ou algum desastre natural ".

Ele pediu à comunidade global de desenvolvimento de mídia que atente para este fato para que a mídia possa ser mais resiliente e resistir a estes desastres. O jornalista também destacou a necessidade de considerar as ilhas menores fora das grandes Antilhas quando se pensa no Caribe.








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