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Blog JORNALISMO NAS AMERICAS

Trabalhos de Cuba, México, Colômbia e Honduras ganham Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo 2017



O Festival Gabriel García Márquez de Jornalismo realizou no dia 29 de setembro em Medellín, na Colômbia, a entrega do Prêmio Gabo 2017 reconhecendo a excelência de quatro trabalhos latino-americanos, provenientes de Cuba, México, Colômbia e Honduras.

La Historia de un paria, por Jorge Carrasco

Os vencedores nas categorias Texto, Imagem, Cobertura e Inovação estavam entre os 1.383 inscritos e os 12 finalistas selecionados pelo júri do Prêmio Gabo como os melhores trabalhos jornalísticos da Ibero-América no último ano.

Na categoria Texto, venceu “Historia de un paria”, de Jorge Carrasco, publicado em El Estornudo, uma revista independente de jornalismo narrativo feita desde Cuba. Trata-se de um perfil de Farah, uma travesti de 53 anos que vive em Havana, capital cubana.

De acordo com os jurados, o prêmio reconhece “o talento narrativo” de Carrasco, que “faz com que através da história de um pária conheçamos as costuras da sociedade que o exclui” e traz “um retrato amplo e versátil da vida na Cuba de hoje”. O jornalista não pôde comparecer à entrega do prêmio e foi representado pelo editor Carlos Álvarez. “ apenas dois anos, El Estornudo era só uma ideia, e hoje ganhamos. É reconfortante”, afirmou Álvarez.

“Buscadores en un país de desaparecidos”, do site mexicano Pie de Página, foi o ganhador na categoria Imagem. A série documenta como familiares e profissionais como advogados, investigadores e peritos têm se dedicado a encontrar algumas das 30 mil pessoas desaparecidas nos últimos 10 anos no México.

Buscadores en un país de desaparecidos, por Pie de Página

É muito difícil fazer imagem do que não há imagem, fazer visível o invisível, e este trabalho conseguiu isso. Percebe-se a sensação de desolação, mas também de confiança e de solidariedade que transmitem os personagens da peça”, avaliaram os jurados sobre o trabalho mexicano.

É um prêmio para muitos jornalistas desaparecidos, disse Daniela Pastrana, diretora de Periodistas a Pie uma das autoras de “Buscadores”, ao receber o prêmio. Além de Pastrana, o trabalho foi feito por Consuelo Morales Pagaza, Prometeo Lucero, Ximena Nátera, Marcos Vizcarra, Iván Medina, Félix Márquez, José Ignacio de Alba, Fernando Santillán, Victoria Helena, Daniela Rea, Mónica González, Rafael Pineda “Rapé”, Adriana Tienda, Erik Kuru e Lucía Vergara.

Na categoria Cobertura, venceu “El mapa de la muerte: 15 años de homicidios en Cali”, de Ossiel Villada, Ana María Saavedra, Hugo Mario Cárdenas, Germán González e Lina Uribe para o jornal colombiano El País. Os jornalistas usaram ferramentas de gestão de bases de dados, georreferenciação e vídeo em 360 graus junto a técnicas tradicionais de reportagem para explorar a violência urbana ligada ao narcotráfico em Cali, onde 27 mil pessoas foram assassinadas entre 2001 e 2015.

El mapa de la muerte: 15 años de homicidios en Cali, por El País (Colombia)

Para os jurados, “El mapa de la muerte” traz uma abordagem inovadora para um tema muito presente na imprensa e “evidencia um grande esforço de um veículo local e se converte em modelo de cobertura a replicar. Realizado ao longo de dois anos, o trabalho “demonstra que em meio a um contexto social complexo, com a crise da imprensa e os desafios da transição tecnológica, o jornalismo se reafirma como um espaço de reflexão e compreensão dos cidadãos”, afirmaram.

O especial “El hábito de la mordaza”, de Germán Andino para o jornal espanhol El País, foi o vencedor da categoria Inovação. O trabalho é uma história em quadrinhos multimídia que trata da violência urbana em Tegucigalpa, capital de Honduras, focando nas histórias de vida de membros das “pandillas”, gangues criminosas.

Com este trabalho, o tema conhecido da violência e das drogas na América Central ganha nova força ao utilizar um encontro entre os desenhos de um artista de rua e as tatuagens de personagens que nunca desnudaram com tanta franqueza seu sofrimento e o de suas vítimas”, afirmaram os jurados sobre o especial hondurenho.

Além dos quatro trabalhos jornalísticos, o Prêmio Gabo 2017 também premiou o jornalista mexicano-americano Jorge Ramos na categoria “Reconhecimento de Excelência”. Ramos é o principal âncora dos noticiários da cadeia de televisão em espanhol Univision, nos Estados Unidos. Já o colombiano Fernando Ramírez, do jornal local La Patria, ganhou o Prêmio Clemente Manuel Zabala ao Melhor Editor.

El hábito de la mordaza, por German Andino

Cada vencedor ganhou um diploma, um exemplar da obra “Gabriel”, do artista Antonio Caro, e 33 milhões de pesos colombianos (cerca de R$ 36 mil). Além dos prêmios, o Festival Gabo 2017 promoveu debates e oficinas de jornalismo e trouxe mais de 90 convidados de 20 países ao Jardim Botânico de Medellín entre 28 e 30 de setembro.

Segundo Jaime Abello Banfi, diretor da Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI, na sigla em espanhol), o Festival é parte de “um projeto de ambições globais: impulsionar jornalistas e veículos de língua espanhola e portuguesa das Américas, da Espanha e de Portugal, sob a aspiração de fazer o melhor jornalismo do mundo”, citou o site colombiano Eje21.

A cantora colombiana Totó La Momposina encerrou o Festival Gabo 2017 com um show em homenagem a Gabriel García Márquez (1927-2014), escritor, jornalista e fundador da FNPI, que hoje leva seu nome.








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