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Promotoria reconhece perseguição e tortura psicológica de jornalista colombiana como crime contra a humanidade



O caso da jornalista colombiana Claudia Julieta Duque, que foi perseguida e torturada psicologicamente em 2001 e 2004, foi considerado pela Promotoria Geral da Nação como um crime contra a humanidade.

O órgão emitiu uma resolução de acusação contra o ex-subdiretor do agora desativado Departamento de Administração de Segurança (DAS) Emiro Rojas Granados (2002-2005) e Néstor Pachón Bermúdez, ex-detetive de inteligência da mesma entidade, segundo um comunicado do site Equipo Nizkor.

De acordo com o meio El Colombiano, a Promotoria 189 da Direção Especializada contra as Violações dos Direitos Humanos disse em sua acusação que solicitou o julgamento de Rojas Granados "pelos delitos de conspiração agravada e tortura agravada contra a jornalista, que foi perseguida e submetida a graves atos de tortura psicológica por sua investigação sobre o assassinato do também jornalista Jaime Garzón Forero, ocorrido em 1999."

Nesse sentido, a Promotoria decretou a imprescriptibilidade da ação penal do caso.

Segundo o Equipo Nizkor, este seria o maior avanço neste caso e o primeiro do DAS a ser reconhecido como crime contra a humanidade sob o direito penal internacional.

Em uma entrevista que Duque concedeu a El Espectador em 2012, ela disse que em 2001 foi sequestrada durante algumas horas e posteriormente perseguida até se ver obrigada a recorrer ao exílio. Já fora do país, ela soube que uma das placas dos carros que a seguiam pertencia ao DAS. A jornalista havia denunciado naquele ano que o DAS estava por trás do desvio das investigações do caso do jornalista Garzón Forero, assassinado por mercenários em 13 de agosto de 1999, publicou El Espectador.

Como consequência das reportagens de Duque, Rojas Granados também enfrenta atualmente uma investigação por sua suposta participação no esquema de obstrução da investigação criminal do assassinato de Garzón, reportou o Equipo Nizkor.

Pachón Bermúdez, o ex-detetive de inteligência do DAS que também será chamado a julgamento, seria quem executou a perseguição à jornalista entre os meses de julho e agosto de 2001, após seu sequestro, informou El Colombiano. Duque identificou Pachón Bermúdez como a pessoa que a vigiou, perseguiu e seguiu durante esse tempo.

Além da morte de Garzón, em 2004 Duque começou a investigar a infiltração de paramilitares em órgãos governamentais e coordenou um encontro internacional de 300 defensores dos direitos humanos. "Uma das pastas do DAS sobre mim é intitulada ‘Contra o DAS’. Está claro, então, que este órgão de segurança me considerava uma inimiga", disse Duque em 2012 a El Espectador.

A Promotoria também declarou crimes contra a humanidade os assassinatos dos jornalistas Guillermo Cano (diretor de El Espectador, dezembro de 1987), Eustorgio Colmenares (diretor de La Opinión de Cúcuta, março de 1993) e Jaime Garzón (agosto de 1999), e também o seqüestro, a tortura e o estupro de Jineth Bedoya (maio de 2000), publicou Radio Nizkor.




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