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Jornalista venezuelano deixa país devido a supostas ameaças após publicar reportagem sobre prisão de Tocorón



O jornalista venezuelano Jesús Medina anunciou no dia 23 de novembro que saiu do país devido a ameaças contra ele e sua família em função de seu trabalho. Medina passou dois dias desaparecido no começo de novembro, no que ele qualifica como um sequestro em razão de sua reportagem sobre como a prisão de Tocorón, no norte da Venezuela, é supostamente controlada pelos presos que cumprem pena no local.

“Tive que sair de meu país, a Venezuela, pela perseguição do Estado venezuelano, pela perseguição do governo de Nicolás Maduro”, disse Medina em vídeo publicado em seu perfil no Twitter e registrado desde o lado colombiano da fronteira entre os dois países.

No vídeo, Medina acusou o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) e Diosdado Cabello, líder chavista e atual deputado na Assembleia Nacional Constituinte venezuelana, como responsáveis pelo suposto sequestro e ameaças que vem recebendo. Ele também disse que estas autoridades criaram “bots”, contas fantasmas nas redes sociais, para ameaçá-lo, e que “há muitíssimos militares vinculados ao meu sequestro”.

Em outubro, enquanto reportava na prisão de Tocorón, Medina e outros dois jornalistas foram detidos pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB) por dois dias. O venezuelano teria sido detido por trabalhar no site Dolar Today, supostamente bloqueado pelo governo venezuelano por informar sobre a taxa de câmbio do mercado negro de moedas e publicar artigos "contrários ao regime chavista", segundo informou o El País na ocasião.

A reportagem de Medina, publicada no fim de outubro, afirma que a prisão no norte da Venezuela é controlada por um líder criminoso chamado “El Niño Guerrero”, que supostamente “tem mais poder do que o diretor encarregado pelo Ministério do Sistema Penitenciário”.

Em 4 de novembro, Medina desapareceu, reaparecendo na noite de 6 de novembro no quilômetro 1 da rodovia Caracas - La Guaira. O jornalista estava seminu e com graves golpes em seu rosto e em seu corpo, informou na época El Nacional.

Na ocasião, Medina disse por meio de sua conta no Twitter que foi torturado e ameaçado de morte pela pessoas que o sequestraram, e em entrevista coletiva à imprensa disse não saber se essas pessoas pertenciam a forças políticas, armadas ou ao crime organizado, reportou então o site Contacto Hoy.

O deputado constituinte Cabello disse em seu programa de TV “Con el mazo dando” do dia 8 de novembro que o suposto sequestro de Medina “cheirava mal”. “Tomara que os órgãos de segurança investiguem o que tem que ser investigado e saia a verdade verdadeira”, afirmou, acrescentando que poderia se tratar de uma “simulação”.

No vídeo que postou no Twitter, Medina respondeu à afirmação de Cabello pedindo que o deputado mostrasse a declaração do jornalista em seu programa, exibido semanalmente pela emissora estatal VTV.

Em entrevista à agência Efe publicada em 26 de novembro, Medina disse que vai passar alguns dias em Bogotá, capital colombiana, e que buscará apoio e proteção internacional. Ele também afirmou que pretende voltar em breve à Venezuela.

“Óbvio que não vou poder entrar por via aérea, mas vou entrar por alguma trilha, por algum lugar eu vou voltar à Venezuela e vou seguir a luta de dentro”, disse o jornalista.




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